A Gramática Para Concursos Públicos - A Gramática para Concursos Públicos - 5ª Edição 2023 | Amazon.com.br
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O que realmente cai na prova de português

A maioria dos candidatos estuda gramática de forma errada. Eles pegam uma gramática tradicional, lêem do início ao fim, decoram regras e vão para a prova achar que vão acertar. Funciona até certo ponto, mas a realidade é mais simples e mais chata do que muita gente pensa. Banca Cobra, Cespe, FGV, Vunesp — cada uma tem seu próprio estilo e não adianta tentar abraçar todas com o mesmo material. O que eu percebi depois de revisar centenas de provas é que praticamente nada muda. A gramática para concursos públicos gira em torno de uns dez tópicos que aparecem repetidamente, com variações sutis de banca para banca. O resto é enfeite.

Como montar um estudo eficiente de a gramática para concursos públicos

Em vez de ler uma gramática inteira, eu recomendo o seguinte: pegue as últimas cinco provas da banca que vai cobrar a sua vaga, extraia todas as questões de português, e classifique por tópico. É rápido, leva cerca de trinta minutos para uma banca, e te mostra exatamente onde ela gosta de picar. Depois você vai na gramática estudar só os tópicos que apareceram, e ainda por cima vê como a banca gosta de cobrá-los. Os tópicos que mais aparecem, na ordem de frequência que eu observei:

Concordância nominal e verbal. Regência. Crase. Ponto de partida para a maioria das bancas, especialmente Cespe e FGV. Elas adoram colocar a crase em contexts ambíguos propositalmente — nomes próprios, palavras repetidas, termos abstratos. A regra geral é simples, mas a pegadinha é que às vezes a banca considera crase obrigatório onde a norma culta permite dúvida. Fique de olho nisso. Crase em si é mais frequente do que muitos imaginam, mas ela nunca é o tópico mais rico em pontos. Concordância e regência rendem mais.

Colocação pronominal. Isso caiu muito antes de 2015 e caiu muito menos depois, especialmente no Cespe. Ainda aparece na FGV e em bancas menores. Se a sua prova é Cespe, gaste pouco tempo aqui. Se é FGV, estude com calma. Pontuação. Principalmente o uso da vírgula. A FGV é a banca que mais cobra isso, e ela cobra de um jeito que muita gente não espera: perguntas sobre orações intercaladas, apopositivas, adjuntos adverbiais deslocados. A regra básica da vírgula é simples, mas a aplicação nas provas é cheia de nuances.

Semântica e interpretação. Não é gramática estrita, mas aparece em todas as provas. Questões de sinônimos, antônimos, figuras de linguagem, coesão e coerência. A FGV adora cobrar reescrita de frases mantendo sentido e correção gramatical. Ortografia e acentuação. Parece básico, mas cai. E cai mais do que você gostaria. A nova ortografia ainda gera confusão, especialmente em palavras com hiato e ditongos. Vale revisar o quadro de mudanças.

Morfologia. Classes de palavras, formação de palavras, flexão. Cai de forma pontual, mas sempre tem duas ou três questões. Verbos auxiliares, formação de tempos compostos, voz passiva analítica versus sintética — esses são os tópicos quentes. Eu tenho um arquivo próprio onde organizo esses tópicos por banca, com a frequência de cada um. Não é algo que eu divulgo publicamente, mas se você quiser, posso indicar onde encontrar materiais semelhantes ou montar o seu próprio.

Material de estudo: o que funciona e o que não funciona

Gramáticas tradicionais como a Cunha e Cintra ou a Celso Pedro Luft são excelentes para consulta, mas ruins para estudo focado em concursos. Elas explicam tudo, o que significa que você vai perder tempo com assuntos que nunca caem. O ideal é usar uma gramática desses como base e complementar com materiais específicos para concursos. Os melhores recursos que eu conheço são:

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Livros da editora Francisco Edgard, que são específicos para concursos e cobrem os tópicos que realmente caem. O de português do Fernando Costa, por exemplo, é bastante direto. Material didático de cursinhos preparatórios. Estratégia Concursos, Gran Cursos, Direction — todos têm apostilas de português voltadas para concursos. A qualidade varia, mas em geral são úteis porque focam no que importa.

Questões anteriores. Esse é o recurso mais importante. Nada substitui a prática de resolver questões da banca da sua prova. Sites como QConcursos, TecConcursos e Brasil Concursos permitem filtrar por banca, cargo e ano. Recomendo resolver pelo menos duzentas questões de cada banca antes da prova. Eu costumava criar tabelas de revisão semanal com os erros que cometi nas questões. Isso reduziu meu índice de erro em concordância de cerca de sessenta por cento em dois meses. A técnica é simples: anote o erro, a regra correta, e releia a anotação nos dias seguintes. Funciona porque força você a identificar o padrão do erro, não apenas a resposta certa.

Erros comuns que vejo todo mundo cometer

Um dos erros mais frequentes é confundir quem e que. Parece básico, mas em questões de regência e colocação pronominal, essa confusão aparece o tempo todo. O pronome relativo "que" refere-se a coisas ou pessoas de forma neutra, enquanto "quem" exige preposição e se refere especificamente a pessoas. Outro erro clássico é achar que a crase existe antes de palavra masculina. Existe, sim, nos casos de "à moda de", "à noite", e locuções femininas. Mas a regra geral é: crase só antes de palavra feminina. Se o examinador cobrar crase antes de masculino, provavelmente é uma pegadinha.

Vírgula antes de "e" também é um ponto que gera muita discussão. A regra é que não se usa vírgula antes de "e" quando os termos coordenados têm o mesmo sujeito. Mas há exceções, especialmente com orações adjuntas e subordinadas adverbiais. A FGV adora cobrar essas exceções. Um caso específico que eu me lembro foi quando estava revisando uma prova da FGV sobre concordância verbal. A questão envolvia a expressão "mais de um", que habitualmente pede verbo no singular. Porém, a banca considerava correto o verbo no plural quando havia ideia de reciprocidade. Isso não está explícito em nenhuma gramática que eu tenha visto — é mais uma convenção de banca do que uma regra gramatical formal. A saída foi criar uma anotação própria e revisá-la periodicamente.

Limitações do estudo focado em gramática para concursos

Vou ser direto: estudar apenas gramática não garante aprovação. A prova de português é apenas uma parte, muitas vezes pequena, do conjunto. Em concursos de nível médio, português pode representar quinze a vinte por cento da nota. Em concursos de nível superior, pode ser menos. Focar exclusivamente nessa disciplina é um erro estratégico. Além disso, o método de estudar por questões tem uma limitação importante: ele funciona muito bem para bancas conhecidas, mas se você mudar de banca ou se a prova for de uma banca nova, seu estudo pode não ser tão eficaz. O conhecimento gramatical em si é mais transferível do que a prática de questões, então é bom ter equilíbrio.

Se a sua prova for de uma banca pequena ou regional, como uma banca de prefeitura ou tribunal local, o material específico pode ser escasso. Nesses casos, o melhor é usar gramáticas tradicionais e se concentrar nos tópicos que aparecem nas provas de bancas maiores com estilo similar. Também é importante notar que a gramática para concursos públicos não cobre tudo. Questões de redação, por exemplo, exigem uma preparação à parte, e a interpretação de texto é uma habilidade separada que não melhora necessariamente com o estudo de regras gramaticais. Muitos candidatos passam horas estudando crase e depois levam zero na redação porque não praticaram a escrita.

O que funciona na prática é combinar o estudo de gramática com resolução diária de questões, revisão periódica dos erros, e uma olhada rápida nos tópicos que a banca cobra com mais frequência. Se você fizer isso de forma consistente por três meses, vai notar uma diferença real no seu desempenho.