Como organizar o jogo da rainha nas cantigas de roda
Vou direto ao ponto. A rainha de cantigas de roda é uma brincadeira muito conhecida no Brasil, especialmente na região Nordeste, mas com variações em praticamente todo o território. Basicamente, as crianças ficam em roda, segurando as mãos ou dando as mãos, e cantam uma música tradicional enquanto um participante assume o papel de rainha ou rei no centro ou em destaque. A versão mais comum diz respeito à música "A Rainha", que tem letra diferente dependendo da região onde é cantada.
a rainha de cantigas de roda: como funciona na prática
O jogo segue uma estrutura bem simples. As crianças formam um círculo, seguram as mãos e cantam. No decorrer da música, chega um momento em que o nome da rainha ou do rei é escolhido, geralmente por sorteio ou por um gesto convencional. A criança que ficar com a coroa (ou outro objeto simbólico) vira a rainha daquele momento. O resto do grupo canta e dança ao redor dela. Uma coisa que poucos mencionam e que causa confusão: a letra da música varia muito. Em Pernambuco, por exemplo, costuma-se cantar "A rainha mandou botar/ O seu chapéu de feltro...", enquanto no Rio de Janeiro a versão mais conhecida é "A rainha da vizinhança/ Fez um bolo de mandioca...". Se você estiver organizando uma atividade com crianças de diferentes origens, isso pode gerar debates confusos sobre qual versão é "a certa". A resposta é nenhuma. Todas são corretas, desde que o contexto seja respeitado.
Eu já tive um problema específico com isso há alguns anos. Estava liderando um grupo de crianças em uma comunidade escolar no interior da Bahia e notei que duas meninas estavam brigar porque cada uma cantava uma versão diferente da música, cada uma afirmando que a sua era a verdadeira. A solução que encontrei foi simplesmente dividir o grupo: uma metade cantava uma versão, a outra cantava a outra, e depois trocávamos os lados. Não resolvia a questão da "versão correta", mas desarmava o conflito e ainda ensinava às crianças que cantigas de roda são patrimônio cultural vivo, não regras fixas.
Dificuldades e armadilhas comuns
O principal problema prático é que a música exige coordenação. As crianças precisam manter o ritmo, segurar as mãos sem apertar demais, e ao mesmo tempo prestar atenção em quem está sendo indicado como rainha. Em grupos com crianças menores de cinco anos, isso frequentemente se traduz em risadas constantes, perda do ritmo e abandono momentâneo da formação em círculo. Não é um fracasso, é apenas como funciona o desenvolvimento motor e social nessa faixa etária. Outra armadilha que vejo sempre: adultos que tentam "corrigir" a pronúncia ou o ritmo dos versos. Isso mata a espontaneidade e costuma fazer as crianças desistirem de participar ativamente. Deixe-as errar. A correção virá naturalmente com a repetição.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Se o grupo for muito numeroso — digamos, mais de vinte crianças — o jogo perde eficácia porque a roda fica grande demais e o controle visual da rainha se perde. Nesses casos, recomendo dividir em dois círculos menores ou escolher a rainha por sorteio antes de começar, para evitar confusão na hora da indicação.
Materiais necessários
Não precisa de nada especial. Apenas um espaço amplo e plano, preferencialmente ao ar livre ou em uma sala com chão emborrachado. O único item opcional é uma coroa — pode ser feita de papel cartão, fita crepe colorida ou até mesmo uma tiara simples. Eu uso fita crepe porque é barata, fácil de remover e as crianças gostam da textura. Evite coroas de plástico rígido; elas escorregam da cabeça durante a dança e geram frustração.
Variações regionais que valem a pena conhecer
Além da versão mais conhecida, existem pelo menos três variações regionais que merecem atenção: Na região Sudeste, especialmente em Minas Gerais, a música costuma incluir referências a doces e comidas típicas, refletindo a cultura local de festas Juninas e quadrilhas. Já no Sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, há influência de tradições gaúchas, com coreografias que lembram danças de salão adaptadas para crianças.
O importante é registrar essas variações. Não como curiosidade folclórica, mas como ferramenta educativa. Quando uma criança ouve várias versões da mesma canção, ela começa a perceber que a cultura é plural e que não existe uma única forma "certa" de fazer as coisas.