Entendendo a base numérica no 3º ano do ensino fundamental
A decomposição de números em dezenas e unidades é um dos pilares da alfabetização matemática. Crianças do 3º ano precisam internalizar que o algarismo 47, por exemplo, não é apenas "quarenta e sete" como um nome arbitrário, mas sim a representação de 4 grupos de dez itens mais 7 itens avulsos. Isso parece óbvio para quem já domina o sistema decimal, mas na prática da sala de aula a coisa complica bastante, principalmente quando os alunos começam a confundir ordem com valor posicional. O problema real não é ensinar o conceito em si. O problema é que a maioria dos alunos consegue decorar que "depois do 9 vem 10" e resolver exercícios repetitivos, mas travam na hora de fazer a leitura corretada ou de escrever o número por extenso quando ele ultrapassa as primeiras dezenas. Eu já vi criança do 3º ano escrever "15" como "dez cinco" em vez de "quinze" porque não tinha construído a noção de que o dez é um grupo fechado, não um dígito independente.
Como montar uma atividade dezena e unidade 3 ano que funciona na prática
Comece com material concreto antes de qualquer papel e caneta. Fichas coloridas, ábaco ou até mesmo canudos amarrados em grupos de dez fazem diferença porque o cérebro da criança nessa idade ainda está em fase operacional concreta. A transição para o abstrato acontece muito mais rápido quando o aluno já sente o peso de dez unidades virando um único pacote. Uma técnica que eu uso e que funciona consistentemente é a seguinte: peça para a criança formar um número qualquer usando materiais concretos, depois peça para ela separar em dois grupos visualmente distintos — dezenas à esquerda, unidades à direita. Em seguida, ela escreve o numeral e, por fim, o número por extenso. Essa sequência inverte o que muitos livros didáticos fazem, que é começar pelo numeral e pedir para "decompor". Quando se começa pelo concreto, a criança entende o porquê da escrita numeral. Quanto se começa pelo numeral, ela apenas replica um procedimento sem entender.
Um detalhe que poucos mencionam: crianças com deficiência auditiva ou com transtorno de processamento auditivo frequentemente confundem os sons de "dez" com "vinte" e "trinta" ao ditarem os números por extenso. Não se trata de desatenção. O cérebro delas não consegue distinguir bem os fonemas iniciais parecidos. Nesse caso, substitua a soletração oral por uma ficha visual com as dezenas escritas em cores diferentes — verde para as terminadas em zero, azul para as unidades simples. A associação cor-valor reduz significativamente o erro.
O erro mais comum e como contornar
O erro clássico é o aluno ler o número do avesso, dizendo "sete dezenas e quatro unidades" quando o número é 47. Isso acontece porque o padrão de leitura que eles memorizam é da esquerda para a direita no numeral, mas a lógica de decomposição funciona na ordem inversa para a criança. A solução prática é usar uma régua de decomposição: uma fita de papel com duas colunas claramente marcadas ("DE" e "U"), onde a criança coloca palitos ou fichas. Ao ler o numeral 47, ela deve apontar primeiro para o 4 na coluna DE e depois para o 7 na coluna U, sempre na mesma direção da leitura do numeral. Esse alinhamento físico entre a posição do dígito e a grandeza que ele representa elimina a confusão na maioria dos casos. Outro erro frequente, e mais sutil, é achar que zero nas unidades significa "não tem nada". Quando a criança vê 30, ela tende a escrever "trinta" e pronto, mas na decomposição muitos esquecem de registrar a coluna das unidades como zero. Isso é importante porque o zero é parte ativa do valor posicional, não uma ausência. Use a prática de preencher sempre as duas colunas, mesmo que uma delas tenha zero, para consolidar essa ideia desde cedo.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Recursos para download
Abaixo segue um link direto para uma planilha pronta com exercícios de atividade dezena e unidade 3 ano, organizada em três níveis de dificuldade crescente. A primeira seção trabalha a formação com material concreto descrito textualmente, a segunda pede a decomposição direta e a terceira apresenta números misturados com palavras para que o aluno faça a correspondência bidirecional. Clique aqui para baixar a planilha em PDF
O arquivo não contém gabarito incluso. Recomendo que você imprima cópias separadas para uso em sala. Se quiser o gabarito, posso montar uma versão dedicada sob demanda.
Vantagens e limitações do método
Esse tipo de atividade é eficaz para a grande maioria dos alunos, mas não resolve problemas subjacentes como discalculia. Crianças com suspeita de distúrbio específico de aprendizagem numérica frequentemente demonstram compreensão superficial mas têm dificuldade persistente mesmo após semanas de prática. Nesses casos, a intervenção precisa ser encaminhada para avaliação especializada, e a atividade sozinha não faz milagre. Trabalhar de forma mais sensorial, com texturas e manipulação de objetos, pode ajudar temporariamente, mas o suporte adequado é essencial. O tempo médio de aplicação de uma sessão com essa planilha é de cerca de 25 minutos para uma turma de 20 alunos, considerando a correção coletiva no final. A maior parte do tempo é gasta nas explicações individuais. Se você tiver auxiliares de sala, esse tempo cai para pouco mais de 10 minutos, o que facilita bastante a rotina.
Alternativas quando a planilha não for suficiente
Se os exercícios escritos não estiverem produzindo resultados após duas semanas de prática consistente, experimente o jogo de cartas "Dezena ou Unidade". São cartas numeradas de 0 a 99 distribuídas aleatoriamente. Cada criança recebe uma carta e precisa formar o maior número possível combinando duas cartas, identificando em qual coluna cada dígito se encaixa. A competição leve mantém o engajamento e a prática se repete naturalmente, o que acelera a fixação em alunos que não respondem bem a atividades tradicionais no papel.