Trabalhando noções de posição na Educação Infantil
Posições como dentro/fora, em cima/embaixo, perto/longe são alguns dos primeiros conceitos geométricos que as crianças precisam construir. Na prática, significa que elas precisam entender onde os objetos estão em relação a si mesmas e uns aos outros. Isso parece simples até você tentar explicar para um grupo de trinta crianças de quatro anos.
Como preparar atividades de noções de posição
A primeira coisa é material concreto. Crianças nessa faixa etária não aprendem posição apenas olhando para o papel. Você precisa de objetos que possam ser movidos: caixas pequenas, brinquedos, blocos de montar, animais de plástico. Eu costumava levar sacolas de tecido com vários bichinhos de plástico e uma caixa de sapato. A atividade era básica: colocar o animal dentro da caixa, fora da caixa, em cima da caixa, embaixo da caixa. As crianças manipulavam e eu fazia as perguntas: Onde está o elefante? Onde está a cobra? O erro mais comum que vejo acontecendo é o professor usar apenas lápis e papel desde o início. Isso funciona para crianças um pouco mais velhas, talvez a partir dos cinco anos e meio, seis anos. Antes disso, sem o toque, sem o mover, a criança decora a palavra mas não construiu o conceito. Ela pode completar a atividade certinho por tentativa e erro, mas se você pedir para ela reproduzir a posição com os objetos na mão, aí sim você descobre se ela entendeu ou não.
Outro ponto importante é a progressão. Comece com posições mais fáceis: dentro e fora funcionam bem porque são bem concretas. Em cima e embaixo vêm em seguida. Perto e longe, acima e abaixo são mais abstratos e costumam gerar mais confusão. Eu recomendo pelo menos duas semanas trabalhando cada par de posições antes de misturar tudo.
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Atividades noções de posição educação infantil
Uma das atividades que funcionou consistentemente comigo foi a caça ao tesouro com instruções posicionais. Eu escondia um objeto pequeno pela sala e dava dicas usando as posições: O tesouro está embaixo da cadeira, perto da janela, dentro do cesto azul. As crianças precisavam seguir a sequência de indicações para encontrar. Isso trabalha leitura de posições de forma contextualizada e mantém o interesse delas alto. Para registrar, o ideal é ter folhas simples onde a criança possa colar ou desenhar os objetos nas posições indicadas. Mas o registro é sempre o último passo. A construção do conceito acontece na ação, não no desenho. No meu caso, eu deixava a ficha de registro como atividade individual apenas depois de já ter feito bastante exploração coletiva com os materiais.
Um problema específico que eu encontrei foi com o conceito de esquerda e direita aplicado ao corpo da criança. Muitas atividades de livros didáticos pedem para a criança colore a mão direita, coloca um adereço no pé esquerdo, e assim por diante. Eu descobri que quase metade da turma não distinguia os lados do próprio corpo direito no início do ano. A solução foi usar marcadores coloridos nos próprios braços e pés delas durante várias semanas antes de tentar qualquer atividade escrita. Sem esse acompanhamento corporal, a criança tenta adivinhar e acaba internalizando a resposta errada. Outra armadilha que vale mencionar: atividades impressas com figuras que precisam ser recortadas e coladas. Elas são comuns e bonitas, mas recortar na idade apropriada para noções de posição (quatro a cinco anos) consome muito tempo de aula e gera frustração desnecessária. O tempo motor fino que a criança gastaria recortando poderia ser usado na exploração conceitual. Copiar e colar trechos ou usar adesivos pequenos resolve o problema e mantém o foco no conteúdo.
Se você estiver buscando materiais prontos para complementar, existem sites como o Portals dos Professores e o Educador.info que disponibilizam atividades nessa temática. Mas o ideal é adaptar sempre para a realidade da sua turma. O que funciona para um grupo pode não funcionar para outro, especialmente quando se trata de conceitos que exigem manipulação concreta. Noções de posição são a base para geometria, para noções de espaço e até para escrita futura, quando a criança precisa perceber a direção dos traços e a posição das letras no espaço. Não adianta apressar. Deixe o material na mesa, deixe as crianças explorarem, faça as perguntas, e sofra um pouco com a recorrencia dos erros. Isso é normal e esperado nessa fase.