Atrizes Vis A Vis - Eba! A 3ª temporada de ‘Vis a Vis’ estreia na Netflix em agosto | CLAUDIA
Eba! A 3ª temporada de ‘Vis a Vis’ estreia na Netflix em agosto | CLAUDIA

O que é atrizes vis a vis

Vis a vis é uma expressão francesa que significa literalmente "olho no olho". No contexto de atrizes, costuma ser usada para descrever cenários de confronto ou comparação direta entre duas ou mais performers, seja num casting, numa cena de oposição dramática ou numa análise de performances lado a lado.

Como funciona na prática

Quando se monta um exercício ou produção com atrizes vis a vis, o que se testa é basicamente a capacidade de cada uma de sustentar uma presença simultânea sem que uma tome conta do espaço da outra. Não é só sobre atuação — é sobre timing, escuta ativa, e a habilidade de reagir em tempo real sem sair do personagem. Na minha experiência, o formato mais comum aparece em duas situações: primeiro, testes de castings onde duas atrizes leem a mesma cena e o diretor avalia quem sustenta o foco cênico sob pressão. Segundo, exercícios teatrais de improvisação onde duas performers precisam responder uma à outra sem roteiro, apenas com os impulsos da cena. O segundo tipo é especialmente útil para trabalhar naturalidade, mas exige bastante preparo técnico dos envolvidos.

Passo a passo para montar um exercício de atrizes vis a vis

Comece escolhendo uma cena curta, de preferência com diálogo denso e alta carga emocional. Nada de três páginas — idealmente algo entre dois e três minutos. Cortes maiores dispersam o foco e dificultam a avaliação de cada atriz individualmente. Passo 1: Distribua os papéis entre as duas atrizes e deixe que leiam o texto em silêncio por pelo menos dez minutos. A leitura em voz alta antecipada já gera vícios de interpretação que dificultam a espontaneidade do vis a vis propriamente dito.

Passo 2: Peça para que cada uma construa uma biografia improvável para seu personagem. Algo específico demais — um trauma que ela nunca contou a ninguém, um hábito nervoso que desenvolveu após um evento recente. Isso dá subsídio emocional para a reação em tempo real. Passo 3: Posicione as atrizes a aproximadamente um metro de distância, olhando-se nos olhos durante toda a cena. A proximidade física é intencional. É ali que a tensão surge de forma orgânica.

Passo 4: Execute a cena sem interrupções. Se uma errar uma linha, continue. O erro faz parte do processo. Grave tudo em vídeo para análise posterior — mesmo que seja só com um celular, a gravação mostra detalhes que não se percebem ao vivo. Passo 5: Na revisão, foque em três coisas: quem liderou a cena, quem se perdeu, e onde houve verdadeiro encontro entre as duas. Anote timestamps específicos para referência futura.

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Um caso que encontrei na prática

Numa sessão de trabalho com atrizes vis a vis, descobri que duas performers de perfis opostos — uma muito física, outra muito contida — tinham dificuldade em encontrar o meio-termo. A mais física dominava o espaço mesmo quando a cena pedia sutileza. A mais contida travava e reduzia a atuação a mímicas. A solução foi inserir um objeto cênico entre elas: uma cadeira que uma delas deveria segurar firme enquanto a outra se aproximava gradualmente. Isso redistribuiu o peso cênico de forma natural e forçou a mais contida a ocupar o espaço com presença, não apenas com gesto.

Pitfalls comuns

O erro mais frequente é tratar o exercício como competição. Vis a vis não é "quem é melhor". Quando o diretor ou o coordenador transmite essa mensagem, as atrizes entram em modo defensivo e a cena morre. A dinâmica precisa ser de colaboração, não de eliminação. Outro problema sério é a falta de direção durante a execução. Deixar as atrizes sozinhas sem nenhum ponto de referência leva a cenas que parecem ensaios técnicos, não momentos cênicos. Mesmo que seja um exercício interno, o diretor precisa dar ao menos um parâmetro de intenção cênica antes de começar.

Alternativas quando o vis a vis não funciona

Se duas atrizes simplesmente não se conectam no formato tradicional, considere alternativas. Um exercício com três pessoas introduz uma dinâmica de triângulo que quebra a simetria e pode revelar camadas diferentes de atuação. Outra opção é o formato "vis a vis com pausa", onde a cena é interrompida a cada quinze segundos para ajustes dirigidos. FUNCIONA para grupos que precisam de mais feedback no caminho. Também existe a possibilidade de usar o vis a vis de forma invertida: uma atriz interpreta normalmente enquanto a outra repete as mesmas linhas mas com intenções completamente opostas. O resultado é caótico no início, mas pode gerar descobertas interesantes sobre os múltiplos sentidos do texto.

O que considerar antes de aplicar

Não recomendo esse método para iniciantes absolutas. Atriz sem base técnica tende a colapsar sob a pressão do confronto direto. Pelo menos um ano de formação ou experiência prática prévia é o mínimo que vi funcionar de forma consistente. Fora isso, o exercício gera frustração em vez de evolução. O formato também não funciona bem com atrizes que estão passando por momentos pessoais delicados. A intensidade do vis a vis expõe vulnerabilidades que podem ir além do que a profissional está disposta a lidar no momento. Sempre converse com cada artista antes, conheça os limites dela e ajuste a abordagem accordingly.

Para material de consulta adicional, busque referências em metodologias como a de Viola Spolin (jogos teatrais), a de Michael Chekhov (imaginação física), e estudos sobre improvisação dramática contemporânea. Nenhuma delas trata exclusivamente do formato vis a vis, mas todas oferecem ferramentas que se aplicam diretamente ao exercício.