Biografia Do Autor Do Pequeno Principe - O Pequeno Príncipe - Com as Aquarelas do Autor (12 x 18 Cm) Antoine de ...
O Pequeno Príncipe - Com as Aquarelas do Autor (12 x 18 Cm) Antoine de ...

Quem escreveu O Pequeno Príncipe, afinal?

O autor de O Pequeno Príncipe é Antoine de Saint-Exupéry, nascido em Lyon, França, em 29 de junho de 1900. O livro foi publicado em 1943, nos Estados Unidos, enquanto ele vivia no exílio durante a Segunda Guerra Mundial. Ele morreu em julho de 1944, quando seu avião de reconhecimento caiu sobre o Mediterrâneo, perto da costa de Marselha. O caso nunca foi totalmente esclarecido.

A biografia do autor do pequeno principe

Antoine de Saint-Exupéry não nasceu com sobrenome Saint-Exupéry. Ele herdou o "de" nobiliárquico do lado materno, mas cresceu numa família que tinha dinheiro e status sem ser especialmente poderosa politicamente. O pai morreu quando ele tinha pouco mais de cinco anos. A mãe, Consuelo, assumiu a criação dos cinco filhos com um estilo que ele descrevia como rígido e emocionalmente contido. Isso pesou no livro, de certa forma. Ele estudou na Escola jesuíta de La Salle em Lyon, depois no Institut de la Mécanique Aéronautique, em Neuilly. Começou a voar em 1921, fazendo serviço militar como piloto na aviação francesa. Foi nesse período que a paixão por aviação realmente se instalou. Voava biplanos, enfrentava neblina, neve, pane de motor. Essas experiências viraram material direto para suas obras.

Saindo da escola de aviação, entrou na Aeropostale em 1926. Voava rotas postais entre Toulouse, no sul da França, e Dakar, no Senegal, passando pelo deserto do Saara. Essa linha era considerada uma das mais perigosas do mundo. Três pilotos morreram nos primeiros anos. Ele mesmo se feriu gravemente em 1930, num pouso forçado no Saara, ficou isolado por dois dias com água quase acabando, até ser resgatado por beduínos. Esse episódio apareceu depois em Terra dos Homens e também ecoa em O Pequeno Príncipe, com o deserto como cenário de crise e revelação. Ele casou-se com Consuelo Suncin em 1931. O casamento era complicado — ela tinha tendências artísticas fortes, estilo de vida boêmio, e Antoine sentia ciúmes e insegurança constante. Eles se separaram em 1943 e o divórcio só foi finalizado em 1944, pouco antes dele morrer. A relação permeia boa parte da obra dele, de forma mais ou menos disfarçada.

Os livros principais, além de O Pequeno Príncipe, são: - Sud (1926)
- Voo noturno (1931)
- Terra dos Homens (1939)
- A Cidadeinha (1942)
- O Pequeno Príncipe (1943)

Sud e Voo noturno vieram das experiências dele na Aeropostale. Terra dos Homens é mais autobiográfico, fala diretamente daquele acidente no deserto. A Cidadeinha é uma espécie de prelúdio filosófico ao Pequeno Príncipe, com temas semelhantes abordados de forma mais densa. O interesse dele pela escrita começou cedo, mas só ganhou força depois que a aviação se tornou central na vida dele. Ele tinha talento para desenhar também — os esboços de O Pequeno Príncipe são dele, e tinham um estilo bem simples, quase infantil propositalmente. Dizem que o próprio avô tinha jeito artístico e que isso passou para a família.

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Em 1939, com a eclosão da Segunda Guerra, ele se alistou como piloto de reconhecimento. Voava missions perigosíssimas sobre a Alemanha e a ocupação nazista. A França caiu em junho de 1940. Ele fugiu para os Estados Unidos, onde ficou até 1943, escrevendo e tentando de novo entrar em missões de combate. Passou por Nova York, Los Angeles, Miami. Conheceu gente do meio cinematográfico, fez alguns contatos com a produção de cinema, mas nada que desse certo de verdade. Escreveu O Pequeno Príncipe nessa fase americana, num período de quase dois meses, terminado em abril de 1943. O livro foi publicado em fevereiro de 1944, após sua morte. Nos EUA, o livro não fez muito barulho inicialmente. Foi na França, depois da guerra, que ele pegou fogo. Hoje vende mais de 200 milhões de cópias em todo o mundo, traduzido para mais de 300 idiomas e variantes linguísticas.

Ele se reincorporou à Força Aérea Francesa livre em 1944, já com mais de quarenta anos. Voava em missões de reconhecimento com o Lockheed P-38 Lightning. Em 31 de julho de 1944, decolou de Córsega rumo a Dieppe, na França ocupada. Nunca voltou. O corpo nunca foi encontrado. Algumas versões dizem que foi abatido por um caça alemão Focke-Wulf 190 pilotado por Walter Sch erg. Outras apontam falha mecânica ou erro de navegação. Um documento encontrado em 2000, supostamente escrito por um piloto alemão chamado Jan Gossaert, afirmava ter visto o avião de Saint-Exupéry ser atingido. Esse documento foi contestado por historiadores, muitos consideram autenticidade duvidosa. O avião foi encontrado no leito do mar, perto de Marselha, em 2000, por uma equipe francesa, e confirmado como sendo o P-38 dele. A data do voo e o serial batiam.

O que poucas pessoas sabem é que ele teve uma vida pessoal turbulenta além do que aparece nas biografias mais superficiais. Tinha depressão frequente, crises de ansiedade, e era conhecido por amigos e colegas como alguém que falava muito, gesticulava bastante, tinha ideias rápidas e às vezes desconectadas da realidade imediata. Não era um homem tranquilo. Era alguém que vivia intensamente e pagava preço por isso. Quanto ao próprio O Pequeno Príncipe, há muita interpretação que vai além do que ele disse publicamente. Ele mesmo deu entrevistas dizendo que o livro era, em sua superfície, uma história infantil, mas que continha camadas que só adultos perceberiam. Ele era reticente sobre explicações detalhadas, algo que irritava jornalistas na época. Gostava de deixar o livro aberto à leitura pessoal.

Se você quer uma fonte primária confiável, as cartas dele reunidas em Correspondance (publicadas postumamente) são a melhor coisa. Mostram como ele pensava, como trabalhava, como via a aviação, a guerra, a escrita. As biografias mais sérias são de Jean-Louis Cobrad, de 1978, e de Dominique Lapierre, de 1984. Esta última é mais acessível, mas tem problemas de precisão que historiadores apontam frequentemente. Ele foi sepultado simbolicamente no Panteão de Paris em 2000, embora o corpo nunca tenha sido recuperado. É uma das peculiaridades disso tudo: um cemitério vacuo, uma urna vazia, um nome em mármore. A França fez isso porque ele era considerado, acima de tudo, um escritor e um piloto de guerra. Ninguém questionou muito a procedência dos restos, porque simplesmente não havia restos para questionar.

O que resta, na prática, é a obra. E O Pequeno Príncipe continua sendo o livro francês mais traduzido da história, provavelmente superado só por obras religiosas. Ele escreveu seis livros completos, varios ensaios e artigos, e centenas de cartas. A maior parte do material não foi traduzida para português com qualidade. Se você quer ler as fontes originais em francês, as edições da Gallimard são as mais confiáveis. Se sua pesquisa é sobre biografia do autor do pequeno principe, comece por Terra dos Homens. É o livro dele que mais revela quem ele era de verdade, antes das mitificações pós-guerra. Depois, vá para as cartas. O Pequeno Príncipe sozinho não conta quase nada sobre a pessoa real por trás do texto.