O que você realmente precisa saber sobre Blade Runner antes de assistir
Muita gente entra no filme achando que é só um policial investigando replicantes em uma Los Angeles chuvosa. O filme é isso, mas também é muito mais chato do que os trailers deixam perceber. A primeira coisa que eu percebi quando montei minha coleção de versões é que quase todo mundo assiste à versão errada. Não tenho orgulho disso.
A versão certa do blade runner filme para começar
O corte do diretor de 1992 é o padrão. Tem 117 minutos, remove a narração irritante do Harrison Ford, corta a cena do unicórnio que muda tudo sobre o final e ainda adiciona aquelas cenas adicionais que o estúdio mandou botar fora na época. Se você está começando, comece por aí. A versão teatral de 1982 tem a voz do Nick Nolan encenando coisas óbvias e uma cena final com um pôr do sol que não faz sentido narrativo algum. Ninguém precisa ver essa versão primeiro. Depois do corte do diretor, vem o versão final cut de 2007. Essa adiciona 7 minutos que são desnecessários, mas tem a cena do Unicórnio completo que confirma a teoria de que Deckard também é um replicante. Eu demorei pra aceitar isso porque o filme nunca mostra explicitamente, e o Gaff sabe sobre o unicórnio. Mas aí eu assisti pela quinta vez e percebi que o Ridley Scott já tinha deixado o recado desde o início.
Por que existem seis versões diferentes e o que cada uma significa
Essa é a parte que todo mundo se confunde. Vou simplificar. O Blade Runner original foi lançado em dezembro de 1982. O estúdio odiou o corte do Ridley Scott porque achava que estava muito lento, escuro e confuso. Mandaram eles dobrarem o filme, adicionarem uma narração, uma cena final otimista e cortarem partes que achavam desnecessárias. O resultado foi um filme que dividia fãs e críticos. O Ridley Scott ficou magoado e não falou do projeto por anos. Em 1992, ele conseguiu lançar o Director's Cut sem interferência do estúdio. Esse é o filme que a maioria das pessoas considera o "verdadeiro" Blade Runner. Em 2007, pra comemorar o 25º aniversário, ele lançou o Final Cut, que é basicamente o mesmo Director's Cut mas com restauração digital e alguns segundos extras. A diferença visual entre essas duas versões é pequena se você não estiver usando um projetor home cinema decente.
Existe também uma versão Workprint de 1982 que é praticamente inacessível e uma versão Internacional de 1982 com cenas extras que quase não existem mais. Eu pessoalmente nunca consegui encontrar uma cópia digna dessas versões alternativas, então não vou recomendar ninguém perdertime com elas. O Final Cut de 2007 resolveu a questão e é o que qualquer pessoa razoável deve assistir.
O problema técnico que ninguém explica direito
Quando eu comecei a colecionar cópias do Blade Runner, meu maior pesadelo era encontrar versões com problemas de cor. O filme foi projetado pra ter tons azulados e amarelados dependendo da cena. Em muitas cópias VHS e DVD antigos, a correção de cor era tão mal feita que parecia que o filme tinha sido gravado em um monitor quebrado. As cenas noturnas ficavam completamente vermelhas e as cenas externas pareciam subexpostas. A solução que eu encontrei foi assistir ao Final Cut em Blu-ray ou em streaming de alta qualidade. A restauração digital de 2007 corrigiu todos esses problemas de cor e deixou o filme com a paleta exata que o Ridley Scott queria. Se você tá assistindo numa TV moderna, ative o modo cinema ou e desligue qualquer processamento de imagem automático. O resultado é night and day compared to watching on default settings.
Outro problema comum é o áudio. A mistura original do filme é extremamente dinâmica. Em sistemas de som ruins, você não ouve metade dos diálogos e os efeitos sonoros ficam distorcidos. Eu gastou cerca de três meses testando diferentes configurações de equalização antes de encontrar o sweet spot. Recomendo pelo menos um sistema surround 5.1 ou um soundbar decente. As paisagens sonoras de Vangelis são parte fundamental da experiência, não só trilha sonora decorativa.
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A armadilha dos fãs newbies sobre o filme
A maior parte dos debates sobre Blade Runner gira em torno de questões filosóficas que o filme praticamente ignora. Todo mundo quer discutir se os replicantes têm alma, se o amor é real ou programmed, se a Replicant Life é definida por tempo de vida. O filme faz essas perguntas mas nunca responde diretamente. A resposta que importa é mais simples: o filme é sobre pessoas que não sabem que são pessoas sendo tratadas como objetos. Um erro comum é achar que Roy Batty é o vilão. Ele não é. Ele é o protagonista disfarçado. Toda a perspectiva do filme é construída pra fazer você simpatizar com ele sem você perceber. Quando ele morre no final, salvando Deckard, o filme te pega de surpresa porque você passou duas horas torcendo contra alguém que na verdade era a única pessoa genuína na história.
Outro equívoco frequente é criticar o ritmo do filme como "lento". O filme é deliberadamente lento porque é um processo de investigação, não um thriller de ação. A tensão vem da atmosfera, não de perseguições. Se você esperar cenas de luta e tiros, vai ficar frustrado. O filme é sobre questions existenciais disfroadas de noir detective story.
Como montar sua coleção sem gastar uma fortuna
O Blu-ray do Final Cut é a melhor opção custo-benefício. Custa entre 30 e 50 reais em promoções e tem áudio Dolby TrueHD 5.1 que faz toda a diferença. A maioria das versões em DVD que ainda circulam têm compressão ruim e cores erradas. Fuja delas. Se você prefere streaming, a Amazon Prime Video e a Apple TV geralmente têm o Final Cut disponível em 4K. A Netflix tem o filme mas não necessariamente a versão correta. Sempre verifique qual corte está disponível antes de escolher a plataforma. Lembre-se que o blade runner filme existe em múltiplas versões e só uma delas é considerada definitiva pelos cineastas envolvidos.
Para quem quer ir além, existe a Criterion Collection em Blu-ray que inclui documentários making-of e ensaios em booklet físico. Eu tenho essa edição e o material extra é bom, especialmente o documentário sobre a produção e a restauração. Mas se o orçamento for apertado, o Blu-ray padrão já é suficiente. O filme se sustenta sozinho sem needing todas those extras.
A cena que todo mundo discute e o que ela realmente significa
A cena final com o Monólogo do Choro na Chuva é amplamente considerada uma das melhores cenas de cinema já feitas. Roy Batty segura um pardal enquanto morre, fala sobre memórias que vão se perder como lágrimas na chuva, e então morre. A cena funciona porque o filme inteiro foi construindo empatia por ele gradualmente, sem jamais mostrar explicitamente. O ator Rutger Hauer improvisou boa parte do monólogo e o Ridley Scott manteve a versão original na edição final. Muita gente acha que a cena é melosa ou dramática demais. Eu achei isso na primeira vez que assisti. Na décima segunda vez, percebi que a cena é justamente o oposto disso. É sobre a finitude da existência e a beleza de momentos que vão morrer. Nada mais, nada menos. O filme todo constrói essa ideia sem usar diálogo. Cada frame carrega esse peso.
Se você não sente nada nessa cena, provavelmente tá assistindo na versão errada ou num dispositivo que estragou a paleta de cores do filme. Recomendo dar uma chance ao Final Cut com boa qualidade de áudio e imagem. A diferença é enorme. O Blade Runner continua sendo um dos filmes mais relevantes sessenta anos depois de seu lançamento. A pergunta central do filme — o que significa ser humano — nunca ficou tão urgente. Tecnologias de IA, clonagem, modificação genética. O filme antecipou tudo isso sem nunca parecer datado. É raro um filme de ficção científica manter tanta relevância.
Se você nunca assistiu, comece pelo Final Cut de 2007. Se já assistiu várias vezes, assista de novo. Cada vez que eu vejo o filme, percebo algo novo. A direção de arte, a fotografia, a trilha sonora, a atuação secundária. Tudo funciona em conjunto pra criar algo que poucos filmes alcançaram. É um trabalho meticuloso que merece ser observado com atenção.