Blocos De Partida Do Atletismo - Blocos de partida do atletismo na pista vermelha de corrida | Foto Premium
Blocos de partida do atletismo na pista vermelha de corrida | Foto Premium

Configurando blocos de partida na prática

O assunto é mais simples do que muita gente faz parecer, mas tem detalhes que só aparecem quando você está de joelhos na pista suando com um parafuso de 5 milímetros na mão. Blocos de partida do atletismo existem basicamente para duas coisas: garantir que o atleta saia da mesma posição todas as vezes e aproveitar a reação contra a plataforma frontal para gerar aceleração. Ponto. O resto é regulamento e ajuste fino.

Entendendo o que compõe os blocos de partida do atletismo

Cada bloco tem uma base, uma placa frontal (onde os pés apoiam) e uma placa traseira (para o pé de trás). O sistema de ajuste permite mover as placas na horizontal e na vertical. Tem ainda o travão, aquela peça em formato de "L" ou curvada que o calcanhar encosta antes da partida. Se você usar tênis de competições com o calcanhar baixo, o travão pode escorregar sem dar resistência suficiente. Já vi a perder meio segundo na primeira passada só por isso. A placa frontal costuma ter um ângulo fixo ou ajustável entre 35 e 55 graus. A maioria dos velocistas usa algo em torno de 45 graus no bloco da frente e 55 a 60 no de trás. Não existe um ângulo universal. Vai depender do comprimento do fêmur, da flexibilidade do tornozelo e do estilo de saída.

Passo a passo para montar e ajustar

Comece escolhendo a distância entre os blocos. Para 100 metros rasos, a medida padrão é cerca de dois tamanhos de pé do atleta, mas o ajuste ideal varia. Coloque os blocos aproximadamente 1,5 a 2 palmos atrás da linha de partida. Não encoste na linha. O regulamento permite que qualquer parte do corpo toque a linha ou o chão atrás dela no momento da saída, desde que não haja avanço ilegal. Abra as placas até o meio do curso. O atleta se posiciona na postura de "pronto". Os pés devem tocar as placas com firmeza. Aqui entra o primeiro ajuste crítico: a distância entre os joelhos. A regra é simples. O joelho do pé de trás não pode ultrapassar a linha imaginary traçada pelo dedo da frente do pé da frente. Se passar, é falta. Na prática, isso significa que a placa traseira precisa estar posicionada de forma que o atleta consiga colocar o peso do corpo no pé da frente sem deslizar excessivamente para trás. O ângulo das placas se ajusta movendo a peça verticalmente. Placa mais alta = pé mais flexionado = mais carga na coxa e glúteo. Placa mais baixa = pé mais estendido = mais dependência do tornozelo. Se o atleta tem mobilidade limitad no tornozelo, subir a placa traseira evita que o calcanhar bata no chão antes da impulsão e quebre o ritmo da saída. Isso é comum em corredores que fazem muita musculação e pouco trabalho de flexibilidade. Afirme cada parafuso com a chave apropriada. Blocos portáteis de competição usam mecanismos de trava rápida, mas ainda assim precisam ser verificads. Já vi um atleta iniciar a prova com o bloco traseiro solto porque o pino de trava não engatou direito. Resultado: o pé desliza, a força se perde, e o tempo cai absurdamente. Antes de cada corrida, sempre segure o bloco com a mão e tente girar. Se houver movimento, aperte.

Erros comuns que ninguém menciona

O primeiro erro é confiar cegamente nas marcas gravadas na base. As marcas indicam distâncias médias para biotipos médios, mas seu atleta pode ter proporções diferentes. Um indivíduo com fêmur longo e panturrilha curta vai precisar de uma configuração distinta de outro com pernas mais uniformes. Teste, ajuste e repita. Anote a configuração que funcionou. O segundo erro é ignorar a superfície. Blocos em pista sintética nova prendem melhor do que em pista gast ou molhada. Se chover, o atrito cai e a placa frontal pode escorregar para trás durante a impulsão. Nesse caso, descer levemente a placa frontal reduz o ângulo de ataque e diminui o risco de deslizamento. Não adianta subir as placas se o chão vai ceder. Outro ponto negligenciado é a largura dos pés. A distância entre os pés deve ser confortável, não forçada. Muitos atletas aproximam demais as placas tentando "parecer" mais simétricos. Isso provoca rotação excessiva do quadril e desequilíbrio lateral na primeira passada. Deixe os pés na largura natural do corredor.

Questões regulatórias importantes

A World Athletics determina que os blocos não podem ter mais de 12 centímetros de altura total acima da pista e que a placa frontal não pode exceder 70 graus de inclinação. Dispositivos que permitem ajuste contínuo dentro desses limites são permitidos. Blocos sem travação, que se movem livremente durante a partida, são proibidos. Também não é permitido usar acessórios que modifiquem a superfície de contato dos pés, como almofadas aderentes coladas nas solas, embora meias finas de competição sejam aceitáveis se não alterarem a aderência de forma significativa. Na prática, árbitros costumam ser flexíveis com marcas de desgaste natural e pequenos ajustes de posição. O que realmente gera eliminação é a falta de travamento visível ou o uso de blocos improvisados. Em competições locais, leia o edital antes de levar o equipamento. Algumas federações estaduais exigem certificação de uso recente.

Cuidados de manutenção

Blocos de partida do atletismo precisam de inspeção periódica. Verifique parafusos, molas e superfícies de apoio. Limpe com pano úmido após uso em pista suja ou molhada. Ressecadores e aderentes químicos usados em alguns gramados podem corroer o alumínio se não forem removidos. Armazene em local seco. Bloqueios enferrujados ficam rígidos e difícils de ajustar no meio de uma competição. Se o mecanismo de trava começar a folgar, substitua a peça. Não tente consertar com adesivo ou fita. Isso não resolve e ainda pode comprometer a segurança do atleta durante a impulsão. Blocos novos de boa qualidade duram anos se bem tratados. Os baratos, aqueles de alumínio sem tratamento, empenam e perdem ajuste em poucos meses. Vale o investimento se o atleta competir regularmente.