Guia prático para escolher e cuidar da bola de futebol society
A bola de futebol society é diferente das bolas de campo convencional e de futsal. Ela tem um número menor de painéis, costuras mais lisas e um revestimento projetado para grama sintética. Se você comprar qualquer bola achando que vai funcionar bem em quadra ou campo sintético, vai acabar frustrado em duas ou três partidas. O problema não é a marca, é o tipo de bola.
bola de futebol society
Existem basicamente dois tipos de bola usados nesse esporte no Brasil. A bola de society propriamente dita, feita para grama sintética com ou sem preenchimento de borracha, e a bola de futsal, feita para piso duro. Alguns jogadores misturam as duas coisas por hábito ou por preço, mas isso muda completamente a dinâmica do jogo. A bola de society quica mais, desliza de outro jeito e o toque no pé é diferente. Se você treina com bola de futsal e joga society, leva uma semana para se acostumar e ainda assim erra passes curtos com frequência. O tamanho padrão é o 5. Para categorias de base, às vezes se usa o 4. O que muita gente não sabe é que o peso também varia. Uma bola de society boa fica entre 410 e 450 gramas. Bolas muito leves, abaixo de 400 gramas, ficam voando com o vento e perdem precisão nos cruzamentos. Bolas muito pesadas, acima de 460 gramas, cansam o pé e alteram a trajetória dos lançamentos longos. Eu já comprei uma bola genérica por R$ 60 que vinha com 480 gramas. Parecia sólida, mas no segundo tempo já estava deixando meus jogadores mais lentos nos contra-ataques. Troquei por uma bola de 430 gramas e o ritmo do time melhorou na mesma semana.
A pressão de encher também não é uma questão de achismo. A maioria das bolas de society pede entre 0,6 e 0,8 atm. O ideal é usar um manômetro. Eu sempre carrego um naqueles modelos de caneta, custa uns R$ 25 e dura anos. Sem manômetro, você enche até sentir firmeza e aí já é tarde. Bola dura demais rebate mal e os jogadores sentem dor nos pés e nos joelhos. Bola mole demais perde forma rápido e o guarda-redes reclama que não dá para prever a trajetória. O revestimento é outro ponto que as pessoas ignoram. Bolas com cobertura de poliuretano ou TPUs são mais duráveis em grama sintética porque o atrito das fibras não desgasta tão rápido. Bolas mais baratas com PVC começam a descascar em três semanas de uso regular. Se você joga duas vezes por semana, isso significa que gasta uma bola por mês na peor das hipóteses. Conta rápida: bola boa por R$ 150 dura uns quatro meses. Bola ruim por R$ 70 dura seis semanas. No final do ano, a bola mais cara sai mais em conta.
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Tem um detalhe que ninguém conta nas lojas. Bolas novas precisam de um período de adaptação. A superfície é mais encerada e escorregadia nas primeiras rodadas. Eu resolvo isso deixando a bola inflada e passando uma camada fina de água morna com um pano, esperando secar naturalmente. Isso remove o resíduo de fábrica e melhora a aderência nas chuteiras. Funciona em cerca de 80% das bolas novas. Nas outras 20%, o revestimento é simplesmente de baixa qualidade e nada vai mudar isso. Outro erro comum é guardar a bola exposta ao sol ou em locais com variação grande de temperatura. Em São Paulo, por exemplo, um salão fechado pode passar de 18 graus à noite para 32 graus durante o dia se a ventilação for ruim. A pressão interna sobe e desce, e isso deteriora a câmara de ar interna mais depressa. Eu tenho um saco térmico simples para transportar as bolas. Custa uns R$ 30 e evita esse problema. Se você não quiser gastar isso, um pano seco dentro de uma mochola já ajuda bastante.
Para quem organiza partidas frequentes, vale a pena ter duas bolas. Uma para treino e outra para jogo. Assim cada uma tem tempo de descansar entre usos e a vida útil dobra. Eu uso esse método há cinco anos e nunca mais tive a dor de cabeça de ficar sem bola no meio da competição. Se o seu grupo joga em grama sintética muito abrasiva, com sílica de má qualidade, nenhuma bola vai durar muito. Nesse caso, a solução real é melhorar o campo ou usar bolas específicas para alto desgaste, que custam entre R$ 200 e R$ 350. Existe também a opção de bolas com painel termosselado, que são praticamente sem costura. Elas mantêm a forma melhor e são mais estáveis no voo, mas o toque fica menos orgânico. Alguns jogadores não gostam. Depende do nível de jogo e da preferência do grupo.
O que eu recomendo no final das contas é simples: invista em uma bola de 430 gramas, com revestimento TPU, inflada a 0,7 atm com manômetro, e tenha duas unidades. O resto é ajuste fino conforme o tipo de grama e o estilo de jogo do seu grupo. Nada disso é complicado, só exige atenção ao que realmente importa.