Bolivia O Que Fazer - O que fazer na Bolívia: pontos turísticos imperdíveis e baratos
O que fazer na Bolívia: pontos turísticos imperdíveis e baratos

O que fazer na Bolívia

Bolívia o que fazer

Pegar um ônibus noturno de La Paz para Uyuni sem ter feito acclimatização foi o maior erro que cometi na minha primeira viagem para a Bolívia. Passei mal por horas, não dormi, e ainda por cima cheguei com azia para o passeio de meio dia no salar. A altitude em La Paz é real — é a capital mais alta do mundo, com cerca de 3.650 metros. E se você vem do nível do mar e corre direto para o ônibus, paga o preço. A regra prática que aprendi foi ficar dois dias lá, beber chá de coca, hidratar bastante e só então subir para o altiplano. A Bolívia é um dos destinos mais baratos da América do Sul, mas isso não significa que seja fácil. A infraestrutura rodoviária ainda tem partes precárias, e os horários são sugestões, não compromissos. Ainda assim, os prêmios valem o esforço.

O Salar de Uyuni

O Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do planeta e a principal atração do país. A experiência básica é um tour de três dias saindo de Uyuni ou Cochabamba, com parada em ilhas de cactos, campos de pedra e lagos coloridos. O momento mais conhecido é a foto perspectiva criada pela planície infinita de sal durante a estação seca. Na época das chuvas, entre dezembro e março, uma fina camada de água transforma o sal em um espelho perfeito, e isso muda completamente a dinâmica visual do lugar. O preço médio de um tour privado de três dias varia entre 150 e 300 dólares. Os tours compartilhados saem por volta de 80 a 120 dólares. O problema é que companhias baratas muitas vezes omitam equipamentos de segurança básicos e motoristas que não conhecem bem a rota. Já vi caminhonetes com pneu careca rodando por dentro do sal. Leve protetor solar FPS 50, óculos de sol e roupas térmicas mesmo no verão, porque a temperatura cai muito depois do pôr do sol.

Lago Titicaca e Copacabana

A parte boliviana do Lago Titicaca fica em Copacabana e oferece acesso às ilhas dos Uros, Taquile e Amantani. Os Uros são feitas de taquia, um tipo de junco que cresce no lago, e são habitadas por famílias que mantêm tradições antigas. Taquile é conhecida por seu artesanato têxtil reconhecido pela UNESCO. Amantani é mais remota e oferece uma experiência mais autêntica, com hospedagem em casas de família. Uma barcaça até as ilhas custa cerca de 20 a 30 bolívares por trecho. Se quiser economizar, pegue o ferry público em vez dos barcos turísticos. A diferença de preço é grande e a viagem leva cerca de 40 minutos a mais, mas você acaba vendo como os locais realmente se locomovem. O guia local nas ilhas é obrigatório e custa entre 20 e 40 dólares por grupo. Negocie antes de começar o passeio.

La Paz

La Paz é uma cidade caótica, vertical e fascinante. O transporte urbano inclui o Mi Teleférico, um sistema de teleféricos que corta a cidade e funciona como meio de transporte, não apenas atração turística. Uma passagem simples custa 3 bolívares. A vista do teleférico sobre a cidade e os Andes é impressionante, especialmente no final da tarde. O mercado das bruxas em La Paz vende ervas, amuletos e até animais empalhados. É uma experiência cultural importante, mas os preços para turistas são inflacionados. Compre apenas se tiver interesse genuíno e negocie sempre. O miradouro Killi Killi oferece uma das melhores vistas panorâmicas da cidade, especialmente ao entardecer. Chegue 30 minutos antes do pôr do sol para garantir bom lugar.

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Oruro e o Carnaval de Oruro

O Carnaval de Oruro é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO e é o maior festival folclórico da Bolívia. Acontece durante os quatro dias que antecedem a Quaresma, com desfiles que envolvem mais de 40.000 dançarinos e músicos. As figuras centrais são a Diablada e a Morenada. Se você planeja ir, reserve hospedagem com semanas de antecedência, porque os hotéis lotam rápido e os preços disparam. Passagens de ônibus para Oruro saem de La Paz e custam entre 30 e 50 bolívares. O trajeto leva cerca de três horas. A cidade tem altitude semelhante a La Paz, então considere isso se estiver sensitivo a mudanças de altitude.

Deserto de Atacama e o altiplano norte

O altiplano norte boliviano abriga lagos coloridos como Lauca, Colorado e Verde, além de gêiseres e flamingos. A região é remota e o acesso geralmente exige tour organizado saindo de San Pedro de Atacama, no Chile, ou de Uyuni. Se você cruzar a fronteira por Uyuni, leve passaporte válido e verifique os requisitos de visto com antecedência, porque a documentação pode ser um problema. A altitude nessa região supera 4.000 metros. A desidratação é um risco real e muitos viajantes subestimam os sintomas. Beba água constantemente e evite álcool nos primeiros dias. Se sentir dor de cabeça persistente, náusea ou falta de ar, desça de altitude imediatamente. Edema pulmonar por altitude é uma possibilidade real e pode ser fatal se ignorado.

Dinheiro e pagamentos

A moeda local é o bolívar. Cédulas de 10, 20, 50, 100 e 200 bolívares estão em circulação. Caixas eletrônicos funcionam nas cidades maiores, mas falham com frequência em áreas rurais. Leve dólares ou euros em dinheiro vivo para trocar. Taxas de câmbio informais no mercado podem ser melhores que as dos bancos, mas exige cuidado com notas rasgadas ou marcadas, porque casas de câmbio recusam moeda danificada. Cartões de crédito são aceitos apenas em hotéis e restaurantes de classe média para cima. Em mercados, ônibus e lodges pequenos, o pagamento é quase sempre em dinheiro. Tenha sempre bolívares em mãos para pequenas despesas.

Segurança e saúde

A Bolívia não é perigosa no sentido de violência urbana extrema, mas crimes como assalto e roubo de mochilas acontecem, especialmente em La Paz e em ônibus lotados. Mantenha documentos e dinheiro em local seguro, use cinto de dinheiro e evite ostentar eletrônicos. A vacinação contra febre amarela é recomendada se você for viajar para regiões tropicais como os Yungas. A malária não é um risco nas cidades dos Andes, mas existe em regiões subtropicais. Consultas médicas em La Paz são acessíveis para quem fala espanhol, mas hospitais privados em Cochabamba oferecem melhor infraestrutura. Leve um kit básico com medicamentos para diarreia, dor e alergias, porque farmácias em cidades menores podem não ter o que você precisa.

Dicas práticas

Passagens de ônibus intercity são compradas em estações como Plan3000 em La Paz. Chegue duas horas antes do embarque para garantir assento. Ônibus leito oferecem mais conforto para viagens longas, mas custam cerca de 50 por cento a mais. A água da torneira não é potável. Beba apenas água filtrada ou engarrafada. Comida de rua é segura em geral, mas escolha lugares com movimento alto, porque isso indica frescor. Café da manhã em hostels e pensões custa entre 15 e 30 bolívares e é uma opção válida para quem quer economizar. Estação seca vai de maio a outubro e é o melhor período para visitar o altiplano e o Salar. Chuvas de novembro a março tornam algumas estradas intransitáveis, mas o salar reflete o céu de forma única. A escolha depende do que você prioriza.