Clube De Leitura Quindim - Especial Clubes de Leitura #6: Clube Quindim - Lendo Junto
Especial Clubes de Leitura #6: Clube Quindim - Lendo Junto

O que é e como funciona o clube de leitura quindim na prática

Muita gente confunde com um programa oficial da marca Quindim. Não é. O clube de leitura quindim é uma iniciativa independente que surgiu nas redes sociais brasileiras por volta de 2022, organizada por leitores e influenciadoras digitais que queriam um espaço focado em literatura contemporânea nacional, com ênfase em autoras brasileiras e temas de gênero. A adesão é gratuita e a dinâmica básica é simples: um livro é escolhido por votação mensal, e as discussões acontecem em grupos fechados no Telegram e Instagram.

Como entrar no clube de leitura quindim

O processo de inscrição funciona assim. Você encontra o perfil oficial do projeto no Instagram — normalmente @clubequindim ou variações que aparecem em links de bio de lectoras brasileiras com milhares de seguidores. Lá tem um link para um formulário Google, onde você coloca seu nome, e-mail e gênero literário preferido. Depois de enviar, você recebe um convite para o servidor do Telegram em até 48 horas. Se não receber nesse prazo, verifique a pasta de spam ou reenvie o formulário com outro endereço. Já vi gente reclamando que não entrou por causa disso, e era só isso mesmo. No Telegram, há canais separados para cada gênero: ficção, ensaio, poesia, thriller. Cada mês tem um livro fixado no top do grupo com data de lançamento da discussão e resenha coletiva. As sessões ao vivo acontecem todo último sábado do mês via Instagram Live, duram cerca de 45 minutos e são gravadas para quem perdeu.

O que poucas pessoas entendem de cara é que o clube não fornece os livros. Você precisa comprar ou buscar em bibliotecas por conta própria. Isso pode ser uma barreira para quem está começando, porque o custo mensal varia entre 40 e 80 reais dependendo do título escolhido. Eu já vi membros saírem porque não conseguiram arcar com isso no longo prazo.

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A dinâmica de leitura e discussão

A estrutura de leitura segue um ritmo de três semanas. Na primeira semana, todo mundo lê sozinha e vai anotando trechos e questões. Na segunda, abrem-se threads no Telegram com debates temáticos por capítulo. Na terceira, vem a sessão coletiva ao vivo e, em seguida, as resenhas individuais são compiladas num documento compartilhado. Não há moderação rígida — os administradores apenas fixam regras básicas de respeito e impedem spoilers fora dos canais Designados. Isso funciona bem na maioria das vezes, mas já vi discussões esquadrinharem quando dois membros têm visões radicalmente opostas sobre um final aberto. Um detalhe que os iniciantes ignoram e que fez diferença no meu desempenho como leitora: o clube valoriza muito a intertextualidade. Os livros escolhidos quase sempre dialogam com obras anteriores da mesma autora ou de autoras da mesma geração. Li "Menina de 24 Anos", da Ana Miranda, no mês passado e passei mal porque não tinha lido nada dela antes. A discussão assumiu que todo mundo conhecia a obra anterior, então me senti completamente perdida durante as primeiras duas semanas. Minha solução foi voltar e ler os livros indicados no canal "Leituras Fundamentais" que eles mantêm arquivado. Levei mais um mês, mas recuperei o atraso.

Limitações que ninguém fala

O clube tem problemas reais. O primeiro é a falta de diversidade de gêneros. Apesar de terem canais separados, mais de 70% dos livros escolhidos em 2024 foram romance contemporâneo e ensaio feminista. Se você gosta de fantasia, ficção científica ou clássicos, vai se sentir sub-representado. O segundo é a dependência de plataformas privadas. Tudo acontece no Telegram e Instagram, que podem mudar políticas, derrubar contas ou sofrer indisponibilidades. Já aconteceu duas vezes em 2024 que o grupo ficou offline por uma semana inteira sem aviso prévio. Uma terceira limitação é que o processo de seleção dos livros é liderado por uma pequena equipe de curadoras, não por democracia real. A votação existe, mas o leque de opções é estreito — normalmente três títulos, e uma delas é sempre a favorita da curadoria. Se você não gostar de nenhuma, não tem como sugerir um quarto título oficial. Eu tentei propor "A Hora da Estrela", da Clarice Lispector, num mês em que todas as opções eram livros muito comerciais, e minha sugestão foi simplesmente ignorada. Sem resposta, sem explicação.

Alternativas quando o clube não funciona para você

Se o formato não funcionar, existem opções similares mais flexíveis. O "Clube do Livro da Livraria da Vila" tem discussões presenciais em várias capitais e um calendário mais transparente. A "Biblioteca de Assinatura de Livros" da Amazon, embora seja um serviço pago, oferece recomendações mais diversificadas. E o projeto "Ler é Preciso", no Twitter/X, organiza clubes de leitura abertos e com registros públicos, o que facilita encontrar alguém que esteja lendo o mesmo livro que você sem precisar passar por um processo de entrada. O clube de leitura quindim vale a pena se você está começando a construir um hábito de leitura e quer companhia. Não vale tanto a pena se você busca profundidade crítica ou diversidade editorial significativa. A melhor coisa que ele oferece é o compromisso social — saber que outras pessoas estão lendo o mesmo livro no mesmo mês te obriga a dar sequência, e isso por si só já justifica a participação para muitos.