O que realmente acontece quando você tenta isso
A maioria das pessoas acha que pode simplesmente enviar um link via SMS e o outro celular vai conectar. Não funciona assim. SMS é um canal de texto puro, sem capacidade de transmitir configurações de rede complexas. O que existe na prática são três abordagens distintas, cada uma com problemas específicos que operadores e usuários descobrem do jeito mais difícil.
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A técnica que mais se aproxima disso envolve enviar as credenciais de acesso da sua linha para o outro aparelho, mas isso só é viável em dois cenários: quando a operadora oferece um recurso nativo de compartilhamento via mensagem de configuração, ou quando você consegue exportar a configuração APN (Access Point Name) do seu telefone e enviar os dados manualmente. No Android, o caminho mais comum é ir em Configurações > Rede e Internet > Hotspot e ponto de acesso > Configurações APN. Ali você vê qual é o APN ativo. Na maioria dos casos, o campo mais importante é o nome do APN em si — algo como "jvivre", "tim.com.br", "claro.com.br" — mais o nome de usuário e senha, se estiverem preenchidos. Copia esses três campos, manda por SMS para o outro número, e lá você cria manualmente um novo APN colando os mesmos dados. O celular receptor passa a rotear o tráfego através dessa configuração.
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No iPhone, a coisa complica porque a Apple não expõe os dados do APN na interface. A única saída real é usar o App de Configuração do iOS para criar um perfil de rede personalizado, mas isso exige um Mac e um cabo, ou um computador com iTunes instalado. Se você está tentando fazer tudo pelo SMS, essa rota simplesmente não existe. Eu já tentei esse processo em uma emergência com uma operadora de pequeno porte do interior de Minas. O APN vinha sem usuário e senha, mas com um campo extra chamado "bearer" que precisava estar exatamente como no original. De primeira, o telefone do meu amigo conectava e ia para o limbo — sem internet, mas com sinal de WiFi ativo. Descobri que o problema era o campo "mmsc", que estava ligeiramente diferente porque o Samsung do meu amigo normalizou a URL automaticamente. Colei o valor exato do meu aparelho e funcionou. O detalhe é que isso funciona apenas enquanto a linha ativa estiver com dados disponíveis. Se o plano for limitado, você está basicamente dividindo o mesmo pacote com alguém, e a operadora não vai avisar sobre o uso compartilhado.
Há outra camada que poucas pessoas levam em conta: a maioria das operadoras brasileiras bloqueia a criação de APNs personalizados que usem credenciais de terceiros. Se você tentar cadastrar um APN com um nome de usuário que não seja o da sua própria linha, o servidor de registro do operador rejeita. Isso significa que o método manual de copiar e colar dados funciona principalmente quando você está usando os próprios credenciais da linha, o que é redundante porque nesse caso você deveria simplesmente ativar o hotspot nativo do aparelho. O que funciona de verdade, sem gambiarra, é usar o recurso que já vem nas operadoras. A Claro tem o "Compartilha Fácil", a TIM oferece o "Compartilha Tim", e a Vivo tem o "Compartilha Vivo". Todos funcionam por SMS: você digita um código, envia para um número da operadora, e ela retorna uma mensagem com um link ou configurações automáticas. O celular receptor recebe uma notificação de configuração de rede e instala com um toque. Esse processo leva cerca de 30 segundos, contra uns 5 minutos para configurar manualmente, e o grande vantagem é que a operadora mantém o controle de uso separadamente, sem prejudicar seu plano principal.
O problema prático é que esses programas cobram uma taxa de uso, geralmente entre R$ 5 e R$ 10 por mês, e exigem que ambas as linhas sejam da mesma operadora. Se seu amigo usaoi e você usa Claro, a coisa não funciona. Nesse caso, a melhor alternativa continua sendo o hotspot por WiFi ou Bluetooth, que não tem custo adicional e funciona entre qualquer par de aparelhos, independente de operadora.