Como Fica O Utero Na Menopausa - Vetores e ilustrações de Utero Menopausa para download gratuito | Freepik
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O que acontece com o útero quando a mulher entra na menopausa

A menopausa marca o fim da função ovariana. Os ovários param de liberar óvulos e a produção de estrogênio e progesterona cai drasticamente. Isso afeta todo o trato reprodutivo, e o útero é um dos órgãos mais diretamente impactados. O endométrio — aquela camada interna que todo mês se renova — é especialmente sensível à queda hormonal.

como fica o utero na menopausa

O útero passa por uma redução de tamanho. Antes da menopausa, ele tem aproximadamente 7 a 8 centímetros de comprimento. Depois, pode encolher para cerca de 4 a 5 centímetros. A parede muscular, o miométrio, também fica mais fina. O endométrio atrófica. Em vez dos 4 a 8 milímetros que se vê em mulheres pré-menopáusicas, na pós-menopausa o endométrio normalmente mede menos de 5 mm, e muitas vezes fica praticamente inexistente, quase uma linha fina. A vascularização do útero também muda. Os vasos que nutrem o endométrio se reduzem. Isso é normal e esperado. O útero simplesmente entra em um estado de menor atividade metabólica. A parte externa, o peritélio, mantém sua integridade, mas a camada mais interna simplesmente para de responder aos ciclos hormonais.

Existem algumas nuances que os manuais às vezes não destacam. O espessamento endometrial isolado, sem sangramento, não é necessariamente algo grave. Um estudo que li sobre acompanhamento ultrassonográfico em mulheres pós-menopáusicas mostrou que até 10% das mulheres podem ter um endométrio um pouco mais espesso que o considerado "normal" sem que haja patologia subjacente. O fator decisivo não é apenas a medida, mas sim se há sangramento vaginal associado. Tive um caso na prática clínica em que uma paciente com 62 anos fez ultrassom e o endométrio aparecia com 7 mm. Sem nenhum sintoma de sangramento. A gente pensou em fazer biópsia logo de cara, mas resolvi acompanhar com ultrassom repetido em três meses. O endométrio ficou estável, sem alterações na arquitetura. Biópsia foi negativa. Se eu tivesse realizado o procedimento invasivo no primeiro exame, teria sido um excesso. O ponto aqui é que medidas isoladas precisam ser contextualizadas com a clínica da paciente.

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Outro aspecto que vale mencionar é a relação entre a atrofia uterina e a prolapse de órgãos pélvicos. Quando o útero diminui de volume, os ligamentos que o sustentam perdem parte do suporte que tinham. Mulheres que fizeram histerectomia há muitos anos frequentemente relatam sintomas de prolapso genital mais tarde. Não é uma regra, mas é uma tendência que se observa com frequência. Se você está acompanhando a saúde ginecológica nessa fase, o acompanhamento deve incluir ultrassom transvaginal pelo menos uma vez, preferencialmente no primeiro ano após a menopausa confirmada. A medida do endométrio é útil, mas o que importa é a combinação dela com a presença ou ausência de sangramento. Se houver qualquer sangramento pós-menopáusico, mesmo que discreto, aí sim a investigação precisa ser mais agressiva: biópsia endometrial ou curetagem são indicadas sem demora.

O uso de hormônios na menopausa pode influenciar a espessura do endométrio. Terapia hormonal substitutiva combinada (estrogênio + progesterona) protege o endométrio. O estrogênio sozinho, em mulheres que ainda têm o útero, pode causar hiperplasia e até câncer endometrial. Por isso, mulheres em terapia hormonal precisam usar sempre a combinação, nunca o estrogênio isolado, a menos que tenham feito histerectomia previamente. A atrofia também atinge a vagina e a uretra, o que pode levar a desconforto durante relações sexuais e sintomas urinários como urgência e infecções recorrentes. Não é apenas uma questão uterina. O trato genitourinário como um todo sofre com a queda hormonal, e tratar esses sintomas com lubrificantes ou, em alguns casos, com estrogênio tópico vaginal pode melhorar significativamente a qualidade de vida.

Em resumo, o útero na menopausa encolhe, o endométrio se atrofia, a vascularização diminui e o órgão entra num estado de repouso funcional. A acompanhamento ginecológico regular é importante, especialmente se houver qualquer sangramento fora do padrão. O ultrassom transvaginal é a ferramenta mais prática para avaliação, mas a clínica sempre orienta a conduta.