A regra básica que todo mundo já sabe (e ignora na prática)
Concordância nominal e verbal é sobre combinar os termos da oração de forma que eles coincidam em gênero e número. Parece simples até você chegar num período com sujeito composto posposto, adjunto adnominal no plural e um predicativo que ninguém sabe se concorda com o sujeito ou com o objeto.
Concordância nominal e verbal: o essencial sem enrolação
A concordância verbal segue uma lógica mais rígida do que a nominal. O verbo se flexiona conforme o sujeito em número e pessoa. O nominal é onde as coisas ficam mais flexíveis, com casos em que a norma permite mais de uma construção. Na prática, a maior parte dos erros acontece porque as pessoas tentam aplicar regras gerais a situações que têm exceções específicas. Eu já perdi tempo revisando textos inteiros só pra detectar esses deslizes.
Vou começar pelo que mais causa problema: a concordância do verbo quando o sujeito vem separado dele por expressões como "entre", "como", "tal qual". Aqui está um exemplo concreto. Se você tem "entre os participantes, havia vários candidatos", o verbo fica no singular porque o sujeito é "havia" (impessoal). Mas se você inverte e coloca o sujeito depois — "vários candidatos havia entre os participantes" — o verbo pode ficar no singular ou plural dependendo da construção. A norma culta prefere o singular nessa inversão, mas o plural também é aceito em muitos contextos. Já a concordância nominal exige atenção redobrada com adjetivos. Quando dois ou mais substantivos no plural são modificados por um adjetivo, a regra padrão diz que ele deve ir para o plural: "as casas e os prédios antigos". Mas se o adjetivo vier antes dos substantivos, ele pode ficar no singular se estiver se referindo a ambos: "antigas as casas e os prédios" soa estranho, mas "velhos e novos eram os prédios e as casas" é outra construção completamente diferente.
O case que me deu mais trabalho ultimamente envolveu a expressão "é necessário". Quando o sujeito é plural, algumas pessoas deixam "necessário" no masculino singular, achando que é uma locução adjetiva imutável. Não é. Se o sujeito é plural, o adjetivo varia: "As medidas são necessárias". Simples assim, mas eu vi isso ser errado repetidamente em documentos formais.
Regras práticas que funcionam
Para concordância verbal, a primeira coisa a fazer é isolar o sujeito do resto da oração. Corte tudo que vier entre ele e o verbo — orações intercaladas, adjuntos adverbiais, aposições — e verifique a pessoa e o número. Isso elimina a maioria dos erros mais comuns. Um detalhe importante que poucos mencionam: verbos como "haver" no sentido de existir são sempre impessoais. Nunca concorde com o sujeito porque não há sujeito. "Houve muitos casos" está correto. "Houveram muitos casos" está errado, e eu vejo essa forma errada em relatórios financeiros com frequência suficiente para achar que todo mundo que escreve isso nunca ouviu falar dessa regra.
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Sobre "ir a" e "ir até": quando o sujeito é pronome relativo, o verbo pode concordar com o antecedente ou ficar na terceira pessoa. "Fui eu que disse" versus "Fui eu que disse" — ambas estão corretas, mas a segunda é mais formal e preferida em contextos acadêmicos. A primeira é mais comum na fala e também é aceitável. No caso da concordância nominal, preste atenção aos adjetivos coordenados. Quando dois adjetivos se referem a substantivos de gêneros diferentes, o adjetivo vai para o masculino plural: "alunos e alunas matriculados". O masculino funciona como gênero neutro nesse contexto. Mas se os substantivos forem do mesmo gênero, repita o adjetivo no plural correspondente: "as alunas e as professoras formadas".
Um ponto que a maioria dos manuais não destaca é o uso de "mesmo" e "próprio". Quando funcionam como pronomes, são invariáveis: "elas mesmas fizeram". Quando são adjetivos, concordam: "as decisões mesmas foram contestadas". A diferença é sutil, mas faz diferença na escrita formal.
Exceções e casos que dão trabalho
A concordância com coletivos é um tópico que gera dúvidas constantes. "A multidão se dispersou" — aqui o verbo pode ficar no singular (referindo-se ao coletivo) ou no plural (referindo-se aos indivíduos). Ambas as formas são aceitas. A norma culta tende a preferir o singular quando o coletivo é o sujeito gramatical, mas o plural também é válido, especialmente em textos jornalísticos. Outro caso problemático é a concordância com "um e outro" e "nem um nem outro". Com "um e outro", o verbo fica no singular: "um e outro candidato passou". Com "ambos", o verbo vai para o plural: "ambos os candidatos passaram". A diferença é mínima, mas a escolha errada soa deslocada.
Quanto ao verbo "bastar" e "baste": quando usados no sentido de "ser suficiente", são impessoais. "Basta uma prova". "Baste uma prova" também existe mas é mais formal e arcaizante. Evite concordar com o sujeito: "Bastam uma prova" está errado. A forma correta é sempre singular. Um erro recorrente que eu observei em revisões recentes envolve a expressão "custar a". Quando significa "ter dificuldade", o verbo é pessoal e concorda com o sujeito: "Eu custei a entender". Quando significa "ser caro", também é pessoal: "O serviço custou caro". Mas quando aparece com "a + infinitivo", o verbo não varia: "Custa-me acreditar que isso seja verdade". A construção com pronome oblíquo tônico exige o singular.
Não existe atalho mágico para dominar concordância nominal e verbal. O que funciona é exposição contínua a textos bem escritos e prática constante de análise sintática. Eu reviso textos de clientes há anos e continuo encontrando erros novos, o que mostra que isso é uma habilidade que precisa de manutenção permanente, não algo que você domina uma vez e esquece.