Contas De Multiplicação 4 Ano Com 2 Números - Contas De Multiplicação 4 Ano Com 2 Números - FDPLEARN
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Multiplicação com números de dois algarismos no 4º ano

Quando chega o final do segundo trimestre, a maior parte das crianças já domina a tabuada até 9. O problema é que multiplicar 45 por 23 não tem nada a ver com decorar que 7 vezes 8 é 56. A criança precisa entender o algoritmo tradicional, e esse entendimento não vem sozinho só de repetir exercícios.

contas de multiplicação 4 ano com 2 números

O algoritmo que funciona é o mesmo que se usa na prática, aquele que todo mundo chama de "conta em pé". Você escreve o número maior em cima, o menor embaixo, e faz as multiplicações parciais separadamente. Primeiro multiplica-se pelo algarismo das unidades, depois pelo algarismo das dezenas, e por fim soma-se os resultados. Olha o exemplo de verdade, não o que os livros costumam pôr nos primeiros exercícios. 47 por 23.

Vamos multiplicar 47 por 3 primeiro. 3 vezes 7 dá 21. Anota-se o 1 na casa das unidades e sobra 2 para a casa das dezenas. 3 vezes 4 dá 12, mais 2 que trouxe é 14. Resultado da primeira parcial é 141. Agora vai a parte que muitos alunos travam. Multiplicar 47 por 20. O 2 está na casa das dezenas, então na verdade estamos multiplicando por vinte, mas o jeito prático é fazer 47 por 2 e depois colocar um zero na frente do resultado. 2 vezes 7 é 14, anota-se 4 e leva 1. 2 vezes 4 é 8, mais 1 é 9. Resultado 94. Com o zero fica 940. Somando 141 mais 940 dá 1081. Eu já vi muita criança errar porque coloca o segundo resultado parcial deslocado de jeito errado, ou esquece de somar o valor que levou de uma coluna para outra. O erro mais comum que eu observei na sala não foi na conta em si, foi na hora de juntar os dois resultados parciais. Uma aluna minha ficou travada porque o resultado final tinha três dígitos e ela achava que estava feito quando chegou em 94. Ela havia multiplicado só pelo 2 e esquecido completamente do zero que mudava tudo. A partir daí passei a pedir que eles sempre marcassem explicitamente o zero no segundo parcial, mesmo que isso parecesse óbvio para quem já sabe. Faz diferença.

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Tem um detalhe que poucos materiais didáticos mencionam e que ajuda bastante. Quando um dos números tem zero no meio, como 405 por 23, a criança costuma se perder. O truque é lembrar que multiplicar por zero simplesmente não gera nenhum número para somar naquele lugar, mas você não pode pular a linha inteira. Multiplica-se 405 por 3 normal, depois 405 por 20 normal também. O zero do meio só significa que naquela casa você vai multiplicar zero e nada vai aparecer ali. Para treinar, o ideal é começar com números pequenos onde o produto não ultrapasse 99 no primeiro parcial. Algo como 23 por 12 funciona bem porque a criança vê o mecanismo sem se atrapalhar com many carries. Depois sobe para números como 34 por 21, e só então vai para casos como 58 por 47 que exigem mais atenção. Não adianta pular etapas porque a conta continua sendo a mesma coisa, só que com mais coisa para controlar ao mesmo tempo.

Um ponto que gera confusão constante é a diferença entre multiplicar por uma dezena e multiplicar por um número qualquer. Muita gente acha que multiplicar por 20 é outra operação. Não é. É só multiplicar por 2 e deslocar uma casa. Esse deslocamento é o que o zero representa, então falar que é "só colocar um zero" não está errado, desde que a criança entenda que está deslocando o valor, não colando um adereço. Se o objetivo é apenas praticar, existem sites que geram exercícios aleatórios de multiplicação de dois algarismos por dois algarismos. A maioria permite escolher se quer incluir carries ou não, o que ajuda a criar progressões mais suaves. O mais útil é aquele que mostra o passo a passo depois que a criança termina, porque aí dá para ver exatamente onde errou.

O limite dessa abordagem é que ela exige que a criança já tenha domínio razoável da tabuada e do sistema de numeração decimal. Se o aluno ainda tem dificuldade para lembrar que 6 vezes 8 é 48, o algoritmo vai travar aqui independentemente de quantas explicações você dê. Nesse caso, o caminho é voltar para a tabuada antes de insistir nas contas maiores. forçar o avanço sem essa base costuma gerar más hábitos que são mais difíceis de corrigir depois do que ensinar devagar desde o começo.