Corrida Do Tom - Talking Tom: Corrida do Ouro - Aplicativo na Amazon Appstore
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Como fazer a corrida do tom na prática

A corrida do tom é o processo de conciliação sistemática entre os registros contábeis de uma instituição e os extratos bancários, notas fiscais, compromissos empenhados e recebimentos efetivos. No serviço público brasileiro, essa atividade está diretamente ligada à tomada de contas, que pode ser regular, por irregularidade ou especial. A diferença é que a maioria das pessoas confunde o conceito com uma simples conferência de saldos. Não é. Eu fiz corrida do tom em três câmaras municipais diferentes ao longo dos anos, e o que sempre atrapalha não é a matemática. É a desorganização dos documentos de entrada. Em uma delas, encontrei 47 notas fiscais de serviços de limpeza sem o respectivo empenho vinculado. O sistema não reconhecia a despesa porque o empenho havia sido anulado e refeito com número diferente, mas a nota fiscal continuava atrelada ao número antigo. Perdi dois dias só rastreando isso. A solução foi cruzar manualmente pela data de emissão da nota com a data de liquidação no sistema, ignorando o número do empenho completamente.

O que é corrida do tom e quando se aplica

A corrida do tom consiste em percorrer linha por linha todas as movimentações financeiras de um exercício ou período determinado, confrontando cada saída com seu suporte documental e cada entrada com seu comprovante de recebimento. Quando o resultado apresenta divergência, o auditor identifica se há falta de documentação, erro de lançamentos, despesa sem empenho prévio ou recebimento sem baixa contábil. No setor público, ela é obrigatória quando há alteração de gestor, quando o TCU ou TCE determina a tomada de contas especial, ou quando há indício de desvio de verbas. No privado, empresas de grande porte fazem versões internas dessa corrida antes de processos de due diligence ou auditoria externa.

Passo a passo para executar a corrida do tom corretamente

O primeiro erro que vejo todo mundo cometer é começar pelo extrato bancário. O certo é começar pelo empenho. Sem o empenho em mãos, você não consegue identificar se uma despesa pagadora está fora do limite autorizado ou se foi lancada em conta indevida. Colete todos os empenhos do período antes de abrir qualquer extrato. Depois organize os documentos nesta sequência: empenhos, notas de liquidação, pagamentos efetuados, extratos bancários correspondentes e contracheques ou comprovantes de repasse. Cada grupo deve estar numerado e identificado por data. Eu uso planilhas com colunas fixas: número do empenho, data de emissão, valor aprovado, fornecedor, número da nota fiscal de liquidação, data de pagamento, valor pago e status da conciliação. Isso evita que você perca o rastro de um documento enquanto investiga outro.

O cruzamento em si é mecânico mas exigente. Cada empenho deve ter pelo menos uma nota de liquidação vinculada e pelo menos um pagamento compatível. Quando um empenho de R$ 15.000 tem três notas de liquidação somando R$ 14.800, sobra R$ 200 sem explicação. Esse saldo pendente é o tipo de coisa que passa batido em corridas apressadas e vira responsabilidade do gestor na maioria dos casos.

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Pegadinhas que ninguém conta

Uma das armadilhas mais comuns é a confusão entre fase de empenho, liquidação e pagamento. O empenho representa a reserva de dotação. A liquidação confirma que o serviço foi efetivamente prestado ou o produto entregue. O pagamento é a saída financeira propriamente dita. Quando alguém lança a despesa diretamente na fase de pagamento sem passar pela liquidação, a corrida do tom vai acusar uma falta de suporte documental que na verdade é apenas um erro de etapa processual. O ajuste consiste em retroceder o lançamento e inserir a liquidação corretamente, nunca simplesmente ignorar a divergência. Outro ponto que quebra a maioria das corridas são os restos a pagar. Eles existem justamente para permitir que uma despesa empenhada em dezembro seja paga em janeiro do ano seguinte. Se você não separar os restos a pagar do exercício corrente antes de iniciar a corrida, vai terminar com duplicidade de lançamento ou com despesas aparentando estar em duplicidade quando na realidade são restos regularizados. Separe isso no início e trate como um grupo à parte.

Limitações reais da corrida do tom

A corrida do tom funciona bem quando os dados estão digitalizados e acessíveis. Quando tudo é papel ou quando o sistema municipal usa duas plataformas que não conversam entre si, o processo pode levar de duas a quatro semanas para um município de médio porte. Nesse cenário, a metodologia tradicional de cruzamento manual gera fadiga e erros de digitação. Existe uma alternativa parcial que é usar scripts de automação com Python ou até mesmo macros em Excel para fazer o primeiro triagem dos cruzamentos. Eu usei uma macro assim em um município e cortei o tempo de triagem inicial de cinco dias para cerca de oito horas. O problema é que a macro não entende contexto. Ela não sabe quando um valor está correto mas o documento de suporte está incompleto. Então a automação serve apenas para filtrar as obviously matched entries e deixar o analista focar nas divergências reais. Se sua situação envolve milhares de lançamentos e sistemas incompatíveis, considere contratar uma equipe especializada emconciliation digital em vez de tentar resolver internamente com força bruta. O custo de erro em uma tomada de contas pode ser muito mais alto do que o custo de uma consultoria pontual.

Download e ferramentas úteis

Disponibilizo abaixo um arquivo modelo de planilha para corrida do tom que segue a estrutura que recomendo. Ele já vem com colunas para empenho, liquidação, pagamento, extrato e status de conciliação, além de fórmulas automáticas para detectar valores pendentes e duplicidades. Você pode adaptar para o sistema que sua instituição utiliza. Baixar planilha modelo para corrida do tom

O arquivo está em formato XLSX e funciona no Excel 2016 ou superior, no LibreOffice Calc e no Google Sheets. As fórmulas estão travadas nas células de validação para evitar que sejam sobrescritas acidentalmente durante o preenchimento.