Criança Que Chupa Bico - Mamãe Sortuda: criança que chupa bico
Mamãe Sortuda: criança que chupa bico

O guia prático para lidar com a criança que chupa bico

A maioria dos pais percebe o hábito antes dos dois anos. O bebê começa a sugar o polegar ou a chupeta automaticamente, especialmente em momentos de frustração, cansaço ou antes de dormir. Isso é completamente normal do ponto de vista fisiológico. O reflexo de sucção existe desde o nascimento e é uma das primeiras formas de regulação emocional da criança. O problema real começa quando esse comportamento se mantém além dos três ou quatro anos de idade sem intervenção. O dano não acontece da noite para o dia. A pressão contínua da língua e da sucção contra os dentes anteriores superiores e o palato duro causa mudanças graduais na arcada. O resultado mais comum é a mordida aberta anterior — os dentes da frente de cima e de baixo não encostam quando a criança fecha a boca. Também é frequente o aparecimento de um palato em ogiva, mais estreito e elevado do que o normal, e a protrusão dos incisivos superiores, conhecidos como "dentes de coelho". Cada um desses problemas exige tempo e investimento diferentes para correção, mas todos compartilham uma característica: quanto mais tempo o hábito persiste, maior a complexidade do tratamento ortodôntico necessário depois.

Como agir com a criança que chupa bico

O primeiro passo é entender a função do hábito. Se a criança só chupa o polegar em situações específicas — hora de dormir, quando está doente, em mudanças de rotina —, o caminho é mais simples. Se o comportamento é constante, em qualquer momento do dia, a abordagem precisa ser diferente. Na prática clínica que eu vejo, cerca de 60% dos casos que chegam para mim já têm alterações dentárias estabelecidas porque os pais esperavam que o hábito passasse sozinho e só procuraram ajuda quando notaram os dentes tortos. Uma técnica que funciona e que muitos pais desconhecem é o método de conscientização combinado com barreira física. Para a sucção de polegar, existe o método dos adesivos com gosto desagradável. Não é uma solução mágica — funciona melhor para crianças a partir dos três anos que já conseguem entender a instrução de que devem parar. Eu já vi casos em que a criança continuava sucionando mesmo com o adesivo porque o conforto emocional do hábito era maior do que o desconforto do gosto. Nesses casos, a intervenção precisa ser multidisciplinar, envolvendo fonoaudiólogo ou psicólogo infantil.

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Para a chupeta, a retirada gradual costuma dar resultado. Em vez de tirar de uma vez, o recomendado é limitar o uso a momentos específicos — sono e repouso — e depois extinguir progressivamente. A maioria das crianças abandona a chupeta entre os dois e três anos se os pais mantêm a consistência. O problema é que avós e cuidadores muitas vezes devolvem a chupeta quando a criança chora, o que desfaz todo o trabalho. Essa foi uma situação que eu encontrei com frequência em meu consultório: a mãe faz todo o processo corretamente durante o dia, mas o avô devolve a chupeta na visita de domingo. O resultado é que a criança aprende que, com persistência suficiente, o limite cede. Um detalhe importante que os pais raramente consideram: o material da chupeta importa. Chupetas ortodônticas realmente existem e têm formato que favorece menos pressão sobre os dentes, mas isso não significa que possam ser usadas indefinidamente. Qualquer objeto que fique na boca da criança por horas todos os dias vai causar algum efeito, independentemente do design. O formato anatômico pode reduzir o dano em até 30% comparado ao modelo convencional, mas não elimina o problema.

Se você optar por consultar um odontopediatra, prepare-se para ouvir que o momento ideal de intervenção varia conforme a criança. Alguns profissionais recomendam aguardar a erupção dos primeiros molares permanentes por volta dos seis anos, argumentando que a auto-correção pode ocorrer parcialmente. Outros preferem intervir antes, especialmente se houver sinais iniciais de alteração na arcada. Ambas as abordagens têm mérito, mas a primeira só é válida se a criança ainda estiver abaixo dos quatro anos e sem danos visíveis. Passou disso, esperar só aumenta a probabilidade de precisar de aparelhos ortodônticos no futuro. Um cenário que eu encontrei recentemente e que vale registrar: uma criança de cinco anos que chupava o polegar exclusivamente durante sessões de vídeo-game. Os pais não faziam ideia. O dano na arcada já estava instalado, e o que mais surpreendeu foi a intensidade — a sucção era tão forte e constante nesse contexto que causava reabsorção da ponta do polegar, com calo e descamação visíveis. A solução foi combinar uma luva fina durante o uso do tablet com técnicas de substituição do hábito, como oferecer um brinquedo sensorial para as mãos ocuparem o mesmo espaço. Em dois meses, o dano parou de progressão e a criança conseguiu abandonar o hábito completamente.

O que os estudos mostram consistentemente é que a maioria das crianças que param de sugar antes dos quatro anos não apresentam sequelas ortodônticas permanentes. Aarcada tende a se autorregular sozinha. Após essa idade, a probabilidade de intervenção ortodôntica cresce significativamente. Não se trata de alarmismo, mas de um dado objetivo que merece ser comunicado claramente desde o início, para que os pais tomem decisões informadas e não esperem até que o problema se torne mais complicado do que precisa ser.