O guia que eu queria ter tido quando cheguei em Cunha
Cunha é uma cidade pequena do alto da Serra da Mantiqueira, conhecida principalmente pelo clima frio e pelo queijo artesanal. A vida noturna e gastronômica gira quase inteiramente em torno de duas coisas: restaurantes que servem comida mineira e Caseira, e os famegos queijo e doce de leite. Se você chega aí sem saber onde comer, acaba indo para o mesmo lugar que todo mundo, que geralmente fica lotado e com fila. Eu passei dois anos frequentando os estabelecimentos locais e posso te dizer exatamente como funciona.
cunha sp restaurantes: o que esperar e onde realmente vale a pena
A primeira coisa que você precisa entender é que Cunha não tem um "centro gastronômico". Os restaurantes estão espalhados. A maior concentração fica na Rua Coronel José Maria, que é praticamente a rua principal, mas os melhores lugares ficam em quarteirões de distância, perto da Praça da Matriz ou descendo em direção ao rio. Eu levei umas três visitas para parar de entrar nos lugares que tinham fachada bonita e acabar pagando caro por algo morno e sem graça. O problema mais comum é horário. A maioria dos restaurantes em Cunha funciona das 18h às 22h, e muitos fecham às segundas e terças. Tem gente que vai de domingo à noite, chega às 19h30, e já vê a cozinha fechando. Eu já fui duas vezes nesse situação e acabei comendo pão com queijo na padaria do João, que abre até meia-noite. A padaria é, ironicamente, um dos melhores lugares para comer bem em Cunha de madrugada.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Se você quer comer carne de sol, pé de motoqueiro, ou aquele arroz de fogão a lenha que todo mundo elogia, os lugares que realmente fazem direito são: Restaurante Serrano, na rua principal (chega cedo, antes das 19h), e o Queijaria & Cia, que é mais uma fondue than restaurant, mas o fondue de queijo deles é consistente e temporada. Evite os lugares com cardápio em inglês e foto colorida na porta — isso quase sempre indica que o prato é congelado e só esquentam na hora. Uma coisa que ninguém conta sobre comer em Cunha: a temperatura afeta tudo. Quando chega o frio forte de julho e agosto, muitos restaurantes diminuem o cardápio porque os fornecedores da serra atrasam ou cancelam entregas. No inverno, eu já vi três lugares que anunciavam peixe fresco e não tinham nada. A solução é ligar antes de ir, algo que eu demorei para fazer porque achava prepotente. Melhor ligar e ser atendido do que perder um jantar inteiro por orgulho.
Para quem está planejando visitar especificamente para comer, o ideal é alugar um carro e ir para as propriedades rurais ao redor da cidade. Tem produtores de queijo artesanal que vendem direto no portão, e muitos aceitam pagamento no PIX. O custo sai até mais baixo do que no restaurante, e a qualidade é muito superior. Eu descobri a Fazenda Boa Vista assim, por acaso, seguindo um placaamalhada de "Queijo Artesanal" na BR-459. Saiu uns R$ 18,00 o quilo de queijo curado, fresco e com cara de feito por alguém que leva isso a sério. Resumindo: chegue cedo, ligue antes, fuja do óbvio, e aproveite que Cunha ainda não virou hotspot gastronômico de turismo massificado. Isso tem tempo de durar.