Danças Tipicas Da Argentina - Conheça 18 Danças Típicas da Argentina: Vídeos, Detalhes e Origens!
Conheça 18 Danças Típicas da Argentina: Vídeos, Detalhes e Origens!

Quando você pensa em danças argentinas, provavelmente vai direto pro tango, mas isso é só a ponta do iceberg

Eu já passei um tempão acompanhando danças tradicionais da Argentina tanto nos bastidores quanto tentando aprender por conta própria. O que as pessoas não entendem é que o repertório é bem mais vasto do que os clubes de bairro que todo turista frequenta. Se você quer levar isso a sério, precisa conhecer as coisas fora do circuito comercial.

danças típicas da argentina: o que existe de fato

O tango é a mais conhecida, sem dúvida. Mas ele próprio se divide em correntes distintas. Existe o tango-canção, que é mais vocal e lírico, aquele estilo que orquestras como a de José Bassignano trabalhavam nos anos 1940. Tem o tango-salão, pensado para dançar em milongas com seu espaço definido. E tem o tango novo, aquela explosão dos anos 1980 com Piazzolla e companhias como o Buenos Aires Tango Quartet, que trouxe uma linguagem mais contemporânea e cênica. Começar por qualquer uma dessas vertentes sem entender as diferenças vai te criar vícios difíceis de corrigir depois. Fora o tango, a zona norte tem a zamba, que é uma dança de casal em que o lenço é parte essencial da coreografia. Ela nasce das tradições gauchescas e tem um andamento que pede bastante controle de espaço. A chacarera vem de lá também, mas com um ritmo mais marcado e saltitante. Se você tentar dançar chacarera como se fosse zamba, vai errar completamente o timing. O gato também é da região, com compasso ternário e muita leveza nos pés. A vidala, por sua vez, é mais lenta e solene, com origem nas vaqueiras. Cada uma tem suas regras próprias de acompanhamento musical e postura corporal.

Tem ainda aacuña, que é mais regional e menos difundida, e a panturga, que na verdade é mais uma expressão cultural mistura de música e dança ligada ao folklore noroeste. Nada disso aparece nos guias turísticos. Eu demorei pra encontrar material decente sobreacuña porque praticamente não existia conteúdo organizado em português sobre isso. O que acontece na prática quando alguém começa a estudar essas danças é que a gente acaba focando apenas no que tem fama internacional. A zamba, por exemplo, é extremamente rica mas muito pouco ensinada fora das províncias do noroeste argentino. Eu fui numa sala de baile em Tucumán e a diferença entre o jeito local e o que se ensina em Buenos Aires é gritante. O professor aqui dizia que quase ninguém fora da região sabe a variação de San Miguel de Tucumán da zamba, e ele tinha razão.

A dificuldade real que eu encontrei foi com o companheiro da zamba. Na hora de usar o lenço, tem uma dinâmica de aproximação e afastamento que não se aprende apenas copiando vídeo. Eu tentei seguir uma aula online e a pessoa simplesmente ia me esbarrando porque não alinhava o tempo com a música. A solução foi parar de olhar pros passos e prestar atenção no parceiro, no olhar, no lenço como extensão do braço e não como adereço. Dá trabalho mas funciona.

O problema com o ensino do tango hoje em dia

Muita gente sai de cursos básicos achando que domina o tango quando na verdade só aprendeu sequências fechadas. O que pouca gente fala é que o tango de milonga é radicalmente diferente do tango de escenario. Na milonga você dança com estranhos, num espaço apertado, sem ensaio prévio. Isso exige leitura constante do parceiro ou da parceira e adaptação em tempo real. O tango cênico, por outro lado, permite coreografias elaboradas, saltos, giros que na pista seriam impraticáveis e perigosos. Eu já vi alunos que haviam feito três níveis de curso básico não conseguirem dançar uma música simples porque só sabiam decorar combinações. A saída foi simplesmente mandá-los dançar milonga por dois meses sem ensinar nada novo, só deixar eles se virarem. A maioria travou no início, mas depois de um mês o ouvido e o corpo começaram a conversar de verdade.

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Outra coisa que ninguém enfatiza é a questão da postura. No tango, o abracinho não é só um braço em volta do ombro. É uma estrutura que comunica intenção. Se o abrço está frouxo, o parceiro não sente as indicações. Se está muito firme, bloqueia a circulação e a sensação. Um abraço médio, com o polegar descansando na escápula do parceiro e o braço esquerdo sustentando as costas sem apertar, é o padrão que funciona na maioria das situações. Eu gastei semanas só ajustando isso. O que você nota em quem dança tango há anos é que a técnica realmente boa parece invisível. Os passos grandes e vistosos são para quem tá construindo repertório. Dançar bem é saber quando não fazer nada, esperar o fechamento da frase musical e deixar o espaço existir.

Como estudar essas danças de verdade

O primeiro passo é entender que cada dança tem sua música e o ritmo dita tudo. Você não pode pular essa etapa. Se for dançar chacarera, precisa ouvir bastante chacarera até o compasso 6/8 entrar no corpo. A mesma coisa com a zamba em 6/8 e o tango em 4/4. Ouvir passa a ser parte do treinamento. Tem canais no YouTube de professores argentinos que valem a pena, mas a qualidade é variável. O que funciona de verdade é assistir a gravações de milongas reais, não shows. Nas milongas você vê como as pessoas realmente dançam, com erros e adaptações. Shows são encenações polidas que não refletem a prática cotidiana.

Se você mora fora da Argentina, o caminho mais prático é procurar grupos de tango ou folclore locais que tenham vínculo com professores argentinos. A diferença entre uma aula regulinha e um curso com instrutor certificado argentino costuma ser abismal, especialmente pra zamba e chacarera, onde o repertório de passos varia muito de região pra região. Um ponto que gera confusão é a terminologia. O que os argentinos chamam de "tanda" é um grupo de três ou quatro músicas do mesmo estilo ou compositor, separadas por um corte. "Cuarteta" é outra coisa, refere-se a quatro dançarinos formando um quadrilátero. Confundir esses termos na hora de pedir orientação em aulas ou salas de baile pode te mandar pelo caminho errado.

O lado ruim que ninguém conta

Essas danças exigem presença de parceiro na maioria dos casos. Tentar aprender zamba ou chacarera sozinho não funciona porque o jogo é essencialmente dialógico. Você precisa de alguém trocando peso e direção. Isso limita quem mora em cidades pequenas sem cena de folclore organizada. O tango tem uma comunidade mais espalhada, então é mais viável de praticar isoladamente, mas mesmo assim o progresso é muito mais lento sem parceiro regular. Além disso, o acesso a material de qualidade em português sobre as danças do noroeste argentino é muito limitado. A maior parte do conteúdo relevante está em espanhol argentino, com gírias e expressões que confundem iniciantes.

Se o objetivo é só se divertir em viagens, assistir a um show e tentar o básico numa milonga já basta. Mas se a intenção é levantar o nível de verdade, saiba que isso leva tempo, parceiro disponível e exposição constante à música correta. Não existe atalho.