Day Of The Tree - lucius alberts on LinkedIn: Day of The Tree ! 25 April is the Day of ...
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O que é e como funciona o Dia da Árvore no Brasil

O Dia da Árvore no Brasil é celebrado em 21 de setembro, data escolhida por marcar o início da primavera no hemisfério sul. A legislação federal (Lei nº 6.681/1978) instituiu oficialmente a data, mas a prática de plantar árvores nessa época vai muito além de um decreto qualquer. Quem trabalha com reflorestamento urbano, viveiros ou manejo florestal sabe que a coisa é bem mais técnica do que simplesmente cavar um buraco e enterrar uma mudinha. Teoricamente, a data serve para conscientização ambiental. Na prática, é quando prefeituras, escolas e órgãos públicos fazem seus mutirões de plantio. O problema é que muita gente faz isso errado e a taxa de mortalidade das mudas plantadas em mutirão costuma ficar entre 40% e 60%. Eu vi isso na minha cara quando orientei um projeto de arborização em uma cidade do interior de São Paulo. Plantaram mais de 300 mudas num domingo, todo mundo posou pra foto e pronto. Três meses depois, menos da metade havia sobrevivido. O vilão principal foi o preparo inadequado do solo e a falta de tutoramento nas espécies arbóreas de porte médio.

Como plantar certo no dia da árvore

O primeiro passo é esquecer a lógica do mutirão massivo. Espécies nativas funcionam melhor, mas elas exigem cuidados específicos que mutirões mal estruturados não oferecem. Minha recomendação realista é: plante poucas mudas, mas plante bem. O buraco deve ter o dobro do volume do torrão. Não é exagero. A maioria dos voluntários cava um buraco rasinho e comprido, do tamanho da panela de mudas. Isso cria um efeito de vaso sanitário onde a água estagna e as raízes apodrecem. O correto é abrir uma cova generosa, afrouxar as paredes com uma_enxada_e Misturar a terra escavada com composto orgânico na proporção de 1 parte de composto para 3 partes de terra.

A profundidade de plantio é outro ponto crítico. Muitas pessoas enterrem o colo da planta, aquela parte onde o tronco encontra as raízes, e matam a muda por asfixia radicular. O colo deve ficar no nível do solo, nunca enterrado. Se a muda vier em saco plástico, faça cortes verticais nas laterais antes de colocar no buraco e retire o plástico com cuidado. Nunca corte o torrão para "facilitar" o plantio, a menos que ele esteja claramente compactado e seco demais. Tutoramento é obrigatório para a maioria das espécies arbóreas. Um simples bastão de bambu ou madeira tratada cravado ao lado do tronco, com amarração frouxa usando fita de borracha ou tecido, evita que o vento derrube a muda enquanto as raízes não se estabelecem. Sem tutor, a muda balança no buraco e as raízes finas se rompem. Isso acontece nos primeiros 60 dias, que é o período crítico de adaptação.

O irrigação pós-plantio é o que mais diferencia um plantio que vira e uma que morre nos primeiros dois meses. Nas primeiras duas semanas, regue abundantemente a cada dois dias, se não chover. Depois, reduza para duas vezes por semana. O solo deve permanecer úmido, encharcado. Mudas não gostam de alagamento, especialmente as nativas de floresta ombrófila.

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Quais espécies escolher e onde encontrar

A escolha da espécie define tudo. Espécies exóticas invasoras como _alecrim-de-campo_ ou _leucena_ são fáceis de encontrar e baratas, mas causam mais dano do que benefício em áreas urbanas. Elas displacam vegetação nativa, consomem muita água e suas raízes podem danificar calçadas e fundações. Prefira nativas da mata atlântica se você está no sudeste, ou espécies da caatinga se estiver no nordeste. A regra básica é: planta nativa no bioma certo sobrevive muito mais fácil porque já está adaptada ao solo e ao clima local. Para quem quer começar devagar, algumas espécies são praticamente impossíveis de matar se seguirem os passos básicos de plantio. O _ipê-amarelo_ (_Handroanthus albus_), a _carrapateira_ (_Enterolobium contortisiliquum_), a _pitanga_ (_Eugenia uniflora_) e o _jambi_ (_Campomanesia phaea_) são boas opções para iniciantes. Para áreas menores ou vasos, o _brinco-de-princesa_ (_Passiflora alata_) e a _grumixama_ (_Swinglea glutinosa_) funcionam bem em espacios reduzidos.

Viveiros confiáveis são difíceis de encontrar. A maioria dos comerciantes ambulantes vende mudas mal desenvolvidas, muitas vezes arrancadas de áreas de preservação. Procure viveiros certificados pelo IBAMA ou por secretarias de meio ambiente estaduais. Mudas de bom vigor têm diâmetro de colo acima de 8mm para espécies arbóreas médias, folhas verde-escuras e brilho natural, e sistema radicular que preenche o torrão sem circular excessivamente pelas laterais.

O que não funciona e por que desistir às vezes é a melhor opção

Honestamente, plantar árvore em canteiro de obra, calçada com pouco espaço de solo ou em área de alagamento periódico é perda de tempo e dinheiro. As mudas vão morrer de qualquer jeito, não importa o quanto você se esforce. Se o espaço disponível não tiver pelo menos 3 metros quadrados de solo livre e 3 metros de altura livre acima, escolha uma espécie arbustiva ou deixe para outra hora. Outra armadilha comum é a crença de que adubar imediatamente após o plantio ajuda. Na verdade, adubação pesada logo no plantio pode queimar as raízes tenras. O ideal é esperar 45 dias após o estabelecimento para começar com uma adubação leve, de preferência orgânica. Fertilizantes químicos nitrogenados nos primeiros 30 dias são quase sempre contraproducentes.

Se seu objetivo é realmente fazer a diferença, considere apoiar ou voluntariar em projetos de restauração ecológica de áreas degradadas. Ali a coisa é séria, tem acompanhamento técnico, monitoramento de sobrevivência e plano de manejo. Plantar uma muda no dia da árvore no quintal de casa também é válido, desde que você se comprometa a regá-la e cuidar dela por pelo menos um ano. A maioria das pessoas desiste em três meses e a árvore morre. Se não consegue se comprometer com esse período mínimo, melhor não plantar nada e doar para uma organização que faça o trabalho direito.