De Dom Joao I A Getulio Vargas - O partido de Getúlio Vargas e João Goulart que derreteu nas mãos de ...
O partido de Getúlio Vargas e João Goulart que derreteu nas mãos de ...

A trajetória política entre Portugal e o Brasil: do rei medieval ao presidente do Estado Novo

O que muita gente procura quando digita de dom joao i a getulio vargas é, na verdade, um fio condutor histórico muito mais denso do que parece à primeira vista. Não se trata apenas de dois nomes soltos em uma linha do tempo. Trata-se de entender como a estrutura de poder portuguesa, plantada no final do século XIV com D. João I, evoluiu, se desdobrou e, em última instância, encontrou ressonâncias sorprendentes mais de seis séculos depois, já no governo de Getúlio Vargas.

Contexto histórico e o que conecta esses dois períodos

D. João I assumiu o trono português em 1385, após a crise de sucessão de 1383-1385. Ele consolidou a dinastia de Avis, iniciou as grandes navegações e estabeleceu bases institucionais que moldariam o Estado português por séculos. Getúlio Vargas, por sua vez, governou o Brasil entre 1930 e 1945 e novamente de 1951 a 1954, construindo um Estado centralizado com forte controle sobre a economia e a sociedade. O ponto de conexão não é óbvio, mas existe. Ambos os períodos marcaram transições profundas de poder. Em 1385, Portugal se redefine como nação independente e começa a projetar poder além-mar. Em 1930, o Brasil abandona a República oligárquica e entra numa era de centralização estatal e industrialização forçada. Em ambos os casos, houve ruptura com a ordem anterior, legitimação por meio de forças militares e construção de um projeto nacionalista.

Quando leio documentos da época de D. João I e comparo com os discursos de Vargas, a semelhança estrutural é clara: ambos precisavam criar uma narrativa de unidade nacional para justificar concentrações de poder que, em tese, seriam excepcionais. A diferença é que D. João I tinha o apoio da aristocracia militar e da Igreja, enquanto Vargas precisou negociar com elites regionais, trabalhadores urbanos e o Exército ao mesmo tempo.

Como estudar essa linha do tempo de forma eficiente

A maioria dos livros didáticos trata esses dois períodos de forma isolada. O problema é que essa fragmentação esconde padrões importantes. Minha abordagem prática sempre foi começar pela instituição, não pelo personagem. Quem eram os atores políticos, quais recursos tinham, como se organizavam. Para o período de D. João I, recomendo começar com as crônicas de Fernão Lopes. São documents primários, disponíveis gratuitamente em arquivos digitais como a Biblioteca Nacional de Portugal. Para Vargas, os relatos da época na revista Comunicações e Cultura e nos acervos da Fundação Getúlio Vargas são insubstituíveis. Li praticamente tudo que estava digitalizado sobre a constituição de 1934 e a experiência do Estado Novo. O que mais me ajudou foi cruzar dados econômicos com a legislação trabalhista da época.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Um detalhe que poucos mencionam: a comparação entre os dois períodos só faz sentido se você levar em conta a continuidade institucional portuguesa no Brasil colonial. As estruturas administrativas que D. João I fortaleceu em Portugal foram transplantadas para o Brasil e permaneceram, com adaptações, até o século XX. O sistema de capitanias hereditárias, o Conselho Ultramarino, a lógica de centralização decisória — tudo isso tem linhagem direta.

Pegadinhas comuns e o que os materiais sobre esse tema costumam omitir

A principal armadilha é tentar fazer paralelo direto entre os dois líderes como se fossem equivalentes. Eles não são. D. João I era um rei medieval num contexto de formação estatal europeia. Vargas era um líder modernizador num país industrializante das Américas. As ferramentas de poder eram radicalmente diferentes. O que se repete é a lógica política de centralização em momentos de crise. Outro erro frequente é ignorar o papel das colônias. A expansão portuguesa iniciada sob D. João I criou as condições materiais que permitiram, séculos depois, a existência do próprio Brasil como entidade política. Sem a riqueza do comércio ultramarino, especialmente o ciclo do açúcar e depois o ouro, não haveria base econômica para o projeto varguista. Isso raramente aparece em resumos rápidos.

Uma limitação honesta que preciso apontar: não existe um único livro ou curso que cubra essa trajetória de forma completa e atualizada. O que encontrei de mais sólido são teses acadêmicas dispersas em programas de pós-graduação de história na USP, UFRJ e Universidade de Coimbra. A maioria não tem versão digital aberta, o que torna o acesso desigual. Se você tiver acesso universitário, vale a pena buscar por palavras-chave como "continuidade institucional luso-brasileira" ou "centralização estatal Portugal Brasil histórico".

O que realmente funciona na prática

Construir uma linha do tempo visual com os marcos institucionais de ambos os períodos me economizou semanas de leitura desorientada. Usei uma planilha simples com colunas para: data, evento político, mudança institucional, ator principal, fonte primária disponível online. Preenchi cerca de cem linhas para cada período. O padrão que surgiu foi quase imediato: crises de sucessão ou de legitimidade sempre levavam a concentração de poder, que por sua vez gerava novas crises. Se o objetivo é apenas ter uma referência rápida para consultas pontuais, os materiais da Fundação Getúlio Vargas na seção de documentação histórica e o portal da Biblioteca Nacional Digital portuguesa cobrem bem o essencial. Para quem quer profundidade, a coleção de discursos completos de Vargas, organizada cronologicamente, revela coisas que resumos jamais mostram — principalmente a forma como ele adaptava seu discurso conforme o púbico e o momento político.

O estudo dessa trajetória não oferece atalhos. Exige ler fontes primárias, cavar em arquivos e aceitar que muitas conexões permanecem hipóteses não resolvidas pela historiografia. Mas é exatamente nessa área cinzenta que a coisa fica interessante.