Como fazer decomposição de números em dezenas e unidades na prática
A decomposição de números em dezenas e unidades é um dos primeiros conceitos que aparecem no currículo de matemática do fundamental, mas muita gente trava exatamente porque aprendeu o mecanismo sem entender o que acontece por trás dele. O processo em si é simples: pegar um número de dois algarismos, separar o que vale como dezena (grupos de dez) do que vale como unidade (os que sobram). O problema é que a maioria dos exercícios que veem pela internet ou cadernos escolares não explicam por que 47 vira 40 + 7 e não apenas "4 e 7". Sem essa compreensão, quando o aluno encontra um número com zero numa das casas, tipo 60 ou 103, ele entra em pânico e não sabe mais o que fazer.
decomponha os números em dezenas e unidades
O método básico funciona assim. Você pega o número e identifica cada posição. A casa da direita é a das unidades, a da esquerda é a das dezenas. Para o número 58, por exemplo, o 5 significa 50 porque está na posição das dezenas, e o 8 significa 8 unidades. A decomposição fica 58 = 50 + 8. Para 73, seria 70 + 3. O mesmo raciocínio se aplica para qualquer número de dois algarismos entre 10 e 99. O que as pessoas costumam esquecer é que a decomposição não é apenas uma questão de separar os dígitos. Ela tem a ver com valor posicional, e isso faz toda a diferença quando você precisa lidar com números maiores depois. Se o aluno só decorou "separa o primeiro e o segundo", ele vai tentar decompor 105 como 10 + 5 e errar feio. O correto seria 100 + 0 + 5, reconhecendo que o zero na casa das dezenas significa zero grupos de dez, e não que a casa desaparece.
Eu já vi bastante gente travando com isso. Teve um caso bem específico que me ocorreu trabalhando com turmas de reforço: um aluno_decomposição_struggler que não conseguia decompor 200 corretamente. Ele colocava 20 + 0, como se o zero à direita simplesmente sumisse ou virasse algo irrelevante. A solução que funcionou foi voltar para o concreto. Pegamos 200 fichas, agrupamos de dez em dez, e deixamos ele ver que sobraram dez grupos completos de dez e nenhuma unidade avulsa. Aí a ideia de que "zero significa que não tem nada naquela casa, mas a casa continua existindo" fez clique. Sem o material concreto, a explicação puramente verbal simplesmente não adesere.
Passo a passo para decompor qualquer número de dois algarismos
Vamos ao prático. Pegue um número como 84. O algarismo 8 está na casa das dezenas, então ele representa 8 × 10 = 80. O algarismo 4 está na casa das unidades, então ele representa 4 × 1 = 4. A decomposição é 84 = 80 + 4. Agora pegue 31. O 3 vale 30, o 1 vale 1. Resultado: 31 = 30 + 1. Note que quando a unidade é zero, como em 70, a decomposição é simplesmente 70 = 70 + 0. O zero não some, ele só não adiciona nada ao resultado final. Uma coisa que pouca gente ensina é que você pode usar a decomposição a seu favor em operações do dia a dia. Quer somar 47 + 38 de cabeça? Decompõe cada um: 47 = 40 + 7, 38 = 30 + 8. Some as dezenas (40 + 30 = 70) e as unidades (7 + 8 = 15). Depois junta tudo: 70 + 15 = 85. Funciona porque a decomposição preserva o valor real dos números, só organiza de forma mais fácil de manipular mentalmente.
O mesmo vale para subtrações. 62 - 28. Decompõe: 62 = 60 + 2, 28 = 20 + 8. Agora o problema é que 2 não dá para subtrair 8. É aí que a decomposição mostra seu verdadeiro valor: você pode decompor o 60 em 50 + 10, transformar o 2 em 12 (pegando emprestado 1 do 10), e a conta vira (50 + 12) - (20 + 8) = 30 + 4 = 34. Sem entender decomposição, o aluno só sabe o algoritmo da "emprestadinha" de memória e esquece três dias depois.
Erros comuns e como evitar
O erro mais frequente é tratar os dígitos como entidades isoladas em vez de posições com valor. Quando alguém vê 92 e pensa "9 menos 2", já errou porque saiu da decomposição e foi para uma operação qualquer. A decomposição pede para você ler cada dígito pelo seu valor posicional, não por seu símbolo puro. Outro erro muito comum é confundir a quantidade de grupos de dez com o próprio dígito. O número 45 tem quatro grupos de dez, não quarenta e cinco grupos de nada. Isso parece óbvio, mas na prática vejo alunos dizendo "quarenta e cinco dezenas" quando pedem para decompor, o que indica que não internalizaram a relação entre dígito e valor posicional.
Uma limitação importante que precisa ser dita honestamente: a decomposição em dezenas e unidades funciona bem para números pequenos, até centenas, mas perde eficiência quando o número cresce. Decompor 1.847 manualmente em dezenas e unidades é inviável porque entram centenas, milhares e todas as outras casas. Nesse caso, o ideal é usar a decomposição polinomial completa: 1.847 = 1.000 + 800 + 40 + 7. Se o objetivo é apenas praticar a ideia de dezenas e unidades com números de dois algarismos, tudo bem. Mas não force esse método para números maiores sem adaptar. Para quem quer praticar, existem planilhas e geradores online que criam exercícios infinitos. A minha recomendação prática é usar um gerador simples e pedir que ele misture números com zero nas unidades (como 50, 70, 90) com números normais. A maioria dos materiais só usa números como 34, 56, 78, e o aluno nunca treina o caso mais problemático. Números terminados em zero são onde a decomposição mais confunde, então praticá-los desde o início evita dor de cabeça depois.
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Exercícios para fixar
Decomponha os seguintes números em dezenas e unidades:23 = ___ + ___ 57 = ___ + ___
90 = ___ + ___ 41 = ___ + ___
68 = ___ + ___ 10 = ___ + ___
75 = ___ + ___ 30 = ___ + ___
As respostas são, respectivamente: 20 + 3, 50 + 7, 90 + 0, 40 + 1, 60 + 8, 10 + 0, 70 + 5, 30 + 0. O padrão se repete sempre: o primeiro algarismo vezes dez mais o segundo algarismo vezes um. O que mais vejo gente fazendo errado na hora de verificar se a decomposição está certa é não somar de volta. Se você disse que 56 = 50 + 6, some 50 + 6 para confirmar que dá 56. É uma verificação de dois segundos que elimina erro de digitação ou confusão de posição. Sem essa verificação, é comum o aluno colocar 56 = 5 + 6 ou 56 = 50 + 60 e não perceber o absurdo.
Se você está começando do zero, recomendo construir uma tabela própria com números de 10 a 99, decompondo cada um. Leva cerca de vinte minutos fazer a tabela inteira e, depois de feita, você passa a consultar ela como referência. A memorizaçãovem naturalmente pela repetição visual, não por decoreba. E evita aquele problema clássico de sabermecanizar mas não saber aplicar quando aparece uma situação nova.