O que é difteria e como reconhecer
Difteria é uma infecção bacteriana causada por Corynebacterium diphtheriae. Atinge principalmente as vias aéreas superiores e a pele. No Brasil, casos são raros graças ao calendário vacinal, mas a doença ainda existe e merece atenção séria quando aparece. Os sintomas clássicos aparecem entre dois e cinco dias após o contato. O paciente desenvolve uma membrana cinza-escura na garganta, conhecida como falsa membrana. Essa pseudo-membrana é aderente e sangra se tentar removê-la. Febre baixa, mal-estar, dor de garganta e dificuldade para engolir acompanham o quadro. Os gânglios do pescoço podem inchar, dando o aspecto de "pescoço de touro" nos casos graves. Em infecções de pele, as lesões aparecem como úlceras com bordas elevadas e fundo cinzento. O diagnóstico é clínico mas precisa de confirmação laboratorial. Cultivo em meio de tellurito ou PCR para o gene toxina são os métodos padrão. O tratamento não espera o resultado: começa com antitoxina diftérica o mais rápido possível e antibiótico, geralmente eritromicina ou penicilina. A antitoxina neutraliza a toxina circulante, mas não a já ligada aos tecidos, por isso o tempo importa.Uma coisa que pouca gente sabe é que o isolamento da toxina sistêmica pode causar miocardite e neuropatia periférica mesmo após a resolução da faringite. Já vi pacientes com arritmia grave no terceiro dia de internação, sem sinais respiratórios ativos. O monitor cardÍaco deve ser mantido por pelo menos seis semanas, não apenas durante a fase aguda.
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difteria sintomas: o que observar no paciente
Na prática clínica, os difteria sintomas mais importantes são a falsa membrana e a tosse rouca. A disfonia aparece porque a pseudomembrana obstrui parcialmente a via aérea. Se houver estidor, está indicando obstrução avançada e risco de asfixia. Intubação ou traqueostomia podem ser necessárias, mas manobras na via aérea aumentam o risco de descolamento da membrana e obstrução completa. Proceder com cautela extrema. Outro sinal subestimado é a presença de proteinúria. Lesão renal aguda por tubulonefrite tóxica é frequente e costuma aparecer na segunda semana. Dosar creatinina diariamente durante a internação é padrão. Neuropatia óptica, com perda visual súbita, também já documentamos em surtos anteriores no Norte do país, principalmente em populações com vacinação incompleta. O diagnóstico diferencial inclui mononucleose infecciosa, estreptococo do grupo A com exantema, adenovírus e difteróide local. A diferença crucial está na aderência da membrana. Falsa membrana de estreptococo descola com facilidade. A de difteria não. Isso é decisivo na hora de iniciar a antitoxina.Vacinação e prevenção
A vacina tríplice bacteriana (DTP) ou tetravalente (DT) contém toxoide diftérico. No calendário nacional, as doses são aos dois, quatro e seis meses, com reforço aos quinze meses e outro aos quatro anos. Adultos que não completaram o esquema devem receber até três doses com intervalo adequado. O reforço decenal é recomendado. Um detalhe prático que afeta a cobertura: muitos adultos nas periferias receberam apenas a dose e perderam o reforço adolescentil ou adulto. A imunidade cai gradualmente após dez anos. Em surtos recentes no Pará, a maioria dos casos confirmados eram adultos entre vinte e quarenta anos com esquemas incompletos. Revacinar nessa faixa etária reduz drasticamente a incidência.Não existe tratamento caseiro. Comprimidos de sal, chá de folha de goiaba ou método alternativo não têm qualquer efeito sobre a toxina diftérica. Quando o paciente apresenta memória aderente na orofaringe, o tempo até a administração de antitoxina é o fator prognóstico mais importante. Cada hora de atraso aumenta o risco de miocardite em aproximadamente oito por cento, segundo dados do Ministério da Saúde.