O que são os domínios dos mares de morros
Os domínios dos mares de morros são uma classificação geográfica e morfoclimática do território brasileiro, originalmente proposta por Aziz Ab'Sáber nos anos 1960. O domínio abrange faixas do litoral nordestino, sertão úmido, parte da Mata Atlântica, o planalto paulista, o sul da Bahia, Minas Gerais e trechos do Rio de Janeiro e Espírito Santo. O relevo é marcado por morros de topo arredondado, altitudes que variam geralmente entre 200 e 1200 metros, e solo intemperizado com lateritas.
Domínios dos mares de morros: mapeamento e aplicação prática
Para quem precisa mapear ou delimitar esses domínios em SIG, o ponto de partida costuma ser a base de dados do IBGE sobre os domínios morfoclimáticos. No entanto, a imagem de satélite oficial do IBGE tem resolução aproximada de 1km, o que é ruim para delimitações municipais ou de microrregiões. A solução que eu uso na prática é sobrepor camadas de elevação do SRTM (30m) com dados de cobertura vegetal do MapBiomas (também 30m) e recortar com os polígonos oficiais do IBGE como máscara. O SRTM captura bem a curvatura dos morros que define o domínio. Áreas com declividade média acima de 15% e índice de forma arredondado tendem a cair dentro do mares de morros. Um problema comum que eu enfrentei foi a confusão entre o domínio dos mares de morros e a formação de altitude do planalto. Na minha região de trabalho, no sul de Minas, a transição é quase imperceptível no terreno. O planalto tem solos semelhantes, mas a topografia é mais aplainada no cume. O que resolveu pra mim foi cruzar com dados de drenagem: os mares de morros têm redes de drenagem densas e dendríticas, enquanto áreas de planalto mostram padrões mais reticulares ou irregulares. Usei o módulo Flow Accumulation do QGIS noDEM do SRTM para validar isso. Leva cerca de 15 minutos para processar uma área de 500km² em uma máquina razoável.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Dentro do contexto de licenciamento ambiental, o domínio dos mares de morros é frequentemente confundido com a simples "presença de morros". Isso gera erros na interpretação de restrições do Código Florestal. O domínio em si não impõe restrição automática, mas as áreas de preservação permanente (APPs) de encosta definidas pelo artigo 47 da Lei 12.651/2012 sim. O ângulo de incidência solar e a vertente também importam: encostas com orientação norte no hemisfério sul recebem mais irradiação e têm vegetação mais xerofítica, o que altera a classificação fitossociológica e pode influenciar a avaliação de reserva legal. Outro detalhe que poucos mencionam: a laterização nesses domínios pode criar crostas ferruginosas que isolam hidricamente o solo. Em monitoramentos de erosão, já vi casos em que a classe de uso do solo parecia adequada mas o índice de perda de solo era altíssimo porque a crosta impedia a infiltração. A correção passava por terraceamento básico e cobertura morta, não por plantio direto convencional. Se você estiver lidando com manejo de bacias nesses domínios, considere essa variável antes de recomendar práticas padrão.
Para download das bases, a fonte mais confiável continua sendo o site do IBGE na seção de mapas temáticos, onde háShapefiles dos domínios morfoclimáticos. O INPE disponibiliza o SRTM gratuitamente pelo site deles. MapBiomas também tem acesso aberto para as séries temporais de cobertura e uso do solo. Nada disso custa anything, mas a combinação e o tratamento demandam conhecimento técnico de geoprocessamento. Quem não tem essa experiência gasta semanas ajustando projeções e formatos sem chegar a lugar nenhum. O domínio dos mares de morros não é um ecossistema fechado. Ele se fragmenta em formações secundárias como floresta ombrófila densa, floresta estacional semidecidual e mesmo trechos de cerrado rupestre. Essa diversidade exige que a delimitação never seja feita apenas com base no relevo. Topografia é um fator, mas solo, clima e vegetação clímax são igualmente determinantes. Ignorar esses três fatores leva a mapas bonitos que não refletem a realidade em campo.