Acessando as dunas de forma prática
Praia da Joaquina fica em Florianópolis, no sul do Brasil. As dunas adjacentes são uma formação arenosa que se move com o vento e com a pressão turística. A maioria das pessoas vai lá sem planejamento e termina voltando sem ver nada, porque o acesso é mais complicado do que parece nos posts de Instagram. O caminho mais comum começa na areia da própria praia. Sobe-se em direção ao morro ao fundo, onde as dunas ficam expostas. O terreno é instável. Areia fofa, inclinação irregular, pedras dissimuladas sob a superfície. Use calçados fechados ou sandálias com aderência real. Chinelos viram armadilha.
Eu levei três tentativas para dominar o trajeto. Na primeira vez, fui às seis da manhã com tênis aberto. A areia entrou nos calçados e o atrito causou bolhas nos pés. Aprendi rápido: meias finas de compressão dentro de tênis fechado, ou melhor ainda, tênis de trail com malha impermeável. O segundo problema foi o vento. Ele sopra lateralmente nas dunas com força suficiente para derrubar alguém desatento. Segure firme e caminhe de lado quando a inclinação passar de 30 graus.
dunas praia da joaquina
O ponto certo para começar a subida varia conforme a maré. Quando a maré está alta, o acesso pela areia da praia é bloqueado. Espere a maré baixa, que cai cerca de duas horas antes da maré de pipoca. Consulte um boletim de marés antes de sair de casa. Perder esse detalhe é o erro número um que eu vejo os iniciantes cometendo. Dentro das dunas, há trilhas formadas pelo uso repetido. Elas mudam de posição. No verão, o caminho principal tende a recuar em direção ao mar por causa do vento constante. No inverno, ele se estabiliza mais próximo do morro. Anote coordenadas GPS se for fazer expedições recorrentes. O Google Maps não mostra trilhas de areia com precisão, mas o Maps com camada de satélite ajuda a identificar o padrão de deslocamento arenoso.
A vegetação rasteira é escassa. A principal proteção contra a erosão são algumas espécies de restinga, como a quixquina e o capim-gambá. Elas não formam cobertura densa. Pisar fora das trilhas danifica essas plantas rapidamente. O solo arenoso leva meses para recuperar após compactação excessiva. Isso é um problema real que eu testemunhei: uma seção da trilha larga que eu conhecia ficou intransitável após um feriado de reveillon porque centenas de pessoas pisaram fora do caminho batido. Se você busca visibilidade e fotografia, o melhor horário é entre as sete e as oito da manhã, ou depois das dezessete horas. A luz lateral realça as texturas da areia e os contornos das dunas. O meio-diaachata tudo. Não tente subir com sol a pino. A areia esquenta rápido e queima a planta dos pés mesmo com calçado.
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Água e protetor solar são obrigatórios. Não existe venda nas dunas. A temperatura local sobe facilmente cinco graus em relação à sombra da praia. Leve pelo menos dois litros de água por pessoa se o grupo for maior que dois. Leques e chapéus ajudam, mas o vento forte nas elevações torna a hidratação o fator crítico. Há um limite de capacidade que o local suporta antes de degradar. Quando o fluxo ultrapassa umas cem pessoas por dia, a trilha principal se fragmenta em múltiplos caminhos paralelos e a recuperação natural fica comprometida. Se você chega e vê mais de vinte trilhas distintas sendo usadas ao mesmo tempo, está acima do limite. Recue e volte em outro dia.
Um detalhe técnico sobre a areia: ela é majoritariamente quartzo com frações de feldspato e fragmentos de concha. Isso significa que é dura, mas também cortante. Evite sentar diretamente na areia sem algo de proteção. Uma esteirinha fina ou toalha grossa resolve. Sem isso, a areia penetra em qualquer buraco e a incômoda permanência pode durar horas. Se o objetivo for avistar aves, a temporada favorável vai de setembro a novembro. Espécies como o caranguejo-lavadeiro e o maçarico-interpretador aparecem nas bordas das dunas durante a preia-mar baixa. Mas o silêncio e a distância são necessários. Avancar mais de dez metros na direção de uma ave nidificada faz ela abandonarem o ninho. Mantenha a calma e observe de longe.
O caminho de descida também merece atenção. Deslizar de joelhos pela areia parece divertido, mas raspa a pele e machuca os joelhos em camadas. O modo seguro é caminhar de lado, apoiando os calcanhares, controlando a velocidade com os pés. Leva mais tempo, mas evita lesões que impedem voltar no dia seguinte. Para quem quer mapear as dunas com precisão, um GPS com trilha salva é útil. O celular funciona, mas o sinal de rede desaparece nas elevações. Ative o modo avião apenas para manter a bateria, mas mantenha o GPS ligado. O consumo de bateria dobra quando o sinal de rede tenta se reconectar constantemente.
Não existe segurança formal nas dunas. Não há cercas, não há equipe de resgate patrulhando. Se alguém se machucar, o atendimento depende de chamar o Samu e aguardar o deslocamento por terreno arenoso. O tempo de resposta pode ultrapassar trinta minutos. Informar alguém da sua rota e horário de retorno antes de sair é a única medida prática que reduz o risco real. Se você prefere uma alternativa menos exposta, a trilha ecológica que sobe pelo morro adjacente oferece vista similar das dunas sem o desgaste da areia movediça. O investimento de tempo é maior, cerca de vinte minutos a mais, mas o piso é estável e a vegetação oferece sombra parcial. Recomendo essa opção em dias de vento forte ou quando a praia estiver cheia demais para o acesso pelas dunas.