O que é a habilidade EF01HI03 e como aplicar na prática
A sigla EF01HI03 vem da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e se refere a uma habilidade de História do 1º ano do Ensino Fundamental. O texto completo da habilidade pede para o aluno identificar mudanças e permanências na vida cotidiana por meio da comparação de registros de diferentes épocas — como fotos, diários, narrativas de viagem e outros documentos visuais ou escritos. Na prática, isso significa que a criança precisa olhar para dois ou mais registros e perceber o que ficou igual e o que mudou ao longo do tempo. Muitos professores recebem essa orientação nas formatações mais secas possíveis e ficam sem saber exatamente o que montar de atividade. A gente tenta improvisar com recortes de revistas e desenhos, mas o resultado costuma ficar muito raso. O problema é que a habilidade em si exige um trabalho genuíno de comparação, não apenas de observação solta.
Como montar ef01hi03 atividades que realmente funcionam
A abordagem mais direta é trazer dois registros concretos da mesma realidade em tempos diferentes. Pode ser uma foto de uma rua da cidade dos anos 1950 e outra da mesma rua nos dias atuais. Pode ser uma carta de um avô escrita quando era criança e uma produção textual atual do próprio aluno sobre o que faz no tempo livre. O importante é que os registros sejam comparáveis — trata-se da mesma temática, não de assuntos unrelated lançados lado a lado para forçar uma relação. No meu primeiro ano aplicando isso, eu fiz um erro básico: usei fotos de cidades diferentes. Uma de São Paulo nos anos 1960 e outra de uma cidade pequena do interior nos anos 2000. Os alunos tentaram comparar tudo, inclusive coisas que não tinham nada a ver entre si. O resultado foi caos na sala. A solução foi simples, mas demorei para perceber: os registros precisam pertencer ao mesmo contexto espacial e social. Voltei atrás, peguei duas fotos da mesma praça da nossa cidade em décadas diferentes e a discussão travou naturalmente. As crianças apontaram sozinhas o que havia mudado — o tipo de calçada, a presença de Playground moderno, os carros estacionados — e o que permanecia, como a árvore central e o uso do espaço para encontro.
Uma estrutura que costuma funcionar bem envolve três momentos. Primeiro, a exposição dos registros sem julgamento, apenas descrição do que cada um mostra. Segundo, a comparação guiada por perguntas específicas: "O que aparece nos dois? O que só aparece em um? Por quê?". Terceiro, a sistematização, onde os alunos produzem um texto coletivo ou uma tabela simples registrando as mudanças e as permanências identificadas. Existe um detalhe técnico que muitos professores desconhecem. A habilidade fala em "diários e narrativas de viagem", mas o material disponível para o 1º ano é extremamente limitado nesse sentido. Diários reais de crianças de outras épocas são raros e muitas vezes muito abstratos. O que funciona na prática são fotografias e ilustrações, pois oferecem informações visuais densas que crianças de sete e oito anos conseguem processar. Se quiser usar textos, prefira legendas curtas e objetivas, não trechos literários.
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Outro ponto que vale registrar: a comparação nunca deve ser feita com apenas dois registros. Quando se trabalha com três ou quatro imagens de diferentes décadas, o padrão de permanência se torna mais visível. Mudanças isoladas podem parecer normalidade quando há só um par; com mais pontos de dados, as crianças percebem a direção da transformação.
Atividades específicas para a habilidade
Existem variações que se encaixam bem no cotidiano da sala. Uma delas é a linha do tempo visual, onde os alunos colam imagens em ordem cronológica e apontam oralmente o que mudou de uma fase para outra. Outra é a pesquisa familiar: pedir que tragam uma foto antiga da família e a comparem com uma foto atual, identificando mudanças e permanências nos costumes, na vestimenta, nos objetos do cotidiano. Um recurso que tem dado resultado é o uso de brinquedos ou objetos cotidianos de épocas diferentes. Levar uma pião antigo, uma boneca de pano, uma gibiteca dos anos 1980 e comparar com os brinquedos atuais gera engajamento imediato. As crianças tocam, manipulam, questionam. A partir daí, a discussão sobre mudanças e permanências no lazer e nas relações sociais acontece de forma orgânica.
Para a parte de avaliação, o ideal é observar a capacidade de argumentação durante as discussões em grupo, focar apenas na produção escrita final. Crianças do 1º ano ainda estão em processo de alfabetização, então tabelas com desenho e palavra, ou até gravações de áudio das fala deles, são instrumentos válidos e justos. O que se avalia é a compreensão da ideia de mudança e permanência, não a perfeição ortográfica. Há limitações óbvias nesse tipo de trabalho. A primeira é a disponibilidade de acervos fotográficos locais. Muitas escolas, especialmente em regiões remotas, não têm acesso a fotografias históricas da própria comunidade. Nesse caso, o professor pode recorrer a bancos de imagem pública como o Acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa ou o portal Memória e Cultura da Câmara Municipal da própria cidade. Outra limitação é o tempo: trabalhar com comparação documental exige paciência e repetição. Não adianta apresentar duas fotos e esperar que as conclusões surjam na primeira rodada. O processo geralmente leva de três a cinco aulas para amadurecer de verdade, dependendo do grupo.
Se o objetivo é apenas cumprir a obrigação curricular sem aprofundamento, dá para produzir um caderno com recortes e colagens em uma única aula. Mas o aprendizado fica superficial e as crianças esquecem em duas semanas. O investimento de tempo adicional rende resultados qualitativamente distintos, especialmente quando se trata de formar o pensamento histórico desde os primeiros anos. A habilidade EF01HI03 é, no fundo, uma das portas de entrada para o raciocínio histórico na educação básica. Quando bem aplicada, ela ensina a criança a ler o mundo ao seu redor com olhar crítico e temporal, percebendo que o presente não surgiu do nada e que certas coisas se repetem enquanto outras se transformam. O trabalho com ef01hi03 atividades, portanto, vai além do cumprimento de uma meta curricular: é a base para uma cultura de análise histórica que acompanhará o aluno por todo o ensino fundamental.