O Ano em que se passa a Parte 9 de JoJo
A nona parte de JoJo's Bizarre Adventure, intitulada "The JOJOLands", se passa predominantemente no ano de 2001. Esse é um detalhe importante porque Araki faz questão de ancorar cada parte em uma época específica para refletir a cultura, a moda e o contexto social daquele momento.
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Diferente das partes anteriores que transitavam entre os anos 80 e os contextos mais contemporâneos na década de 2010, The JOJOLands retorna a um cenário do início dos anos 2000. Isso fica claro desde o primeiro capítulo, onde os personagens usam telefones celulares que já eram comuns na época, mas ainda não tinham a estética dos smartphones atuais. A referência visual é quase intencional: Araki quer que o leitor sinta aquela transição entre o analógico e o digital. Eu pessoalmente notei algo que passou despercebido por muitos leitores: o cenário havaiano da história não é apenas decoração. O ano de 2001 coincide com um período pós-Boom das dot-com, e isso reflete na economia aparentemente caótica que os personagens navegam. A trama envolve contrabando, o que faz sentido num contexto onde as fronteiras comerciais estavam sendo renegotadas globalmente.
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O que muita gente não considera é que Araki escolheu deliberadamente esse período porque permite usar tecnologias que já existem, mas ainda não dominaram o cotidiano como hoje. Câmeras digitais, GPS primitivo, sistemas de navegação por satélite — tudo isso cria uma atmosfera diferente das partes que se passam nos anos 80, onde a informação era mais lenta e os personagens dependiam mais de contatos pessoais e investigação presencial. Existe uma armadilha comum aqui: alguns leitores assumem que a parte 9 se passa nos anos 2000 de forma genérica, mas o detalhe temporal é específico. O calendário interno da obra situa os eventos principais em 2001, com flashbacks ou referências a eventos que ocorrem nos anos anteriores. Isso importa porque a motivação dos personagens — especialmente a situação financeira da família Partim — está ligada a circunstâncias econômicas daquele exato período.
Se você está acompanhando a obra pela primeira vez, vale notar que a datação não é apenas um capricho do autor. Em partes como Phoenix, por exemplo, os anos 1930 eram essenciais para a trama da hereditariedade e dos mistérios de família. Em JOJOLands, o ano de 2001 serve a propósitos similares: é uma época de transição global, onde velhas estruturas econômicas ainda resistiam, mas novas dinâmicas já estavam surgindo. Os personagens operam nesse intervalo, e isso molda suas decisões de forma mais sutil do que em qualquer outra parte da série.