Resolvendo problemas de União e Interseção de Conjuntos na prática
O problema clássico que aparece todo ano em provas é esse: em uma escola circulam dois jornais, A e B. Uma certa quantidade de alunos lê pelo menos um deles, e a questão pede o total de alunos da escola ou quantos leem apenas um dos jornais. A armadilha não é a matemática em si. É a leitura do enunciado e a configuração do diagrama.
em uma escola circulam dois jornais: o que realmente importa
Vou direto ao ponto. Você precisa de três números para montar o diagrama de Venn-Euler corretamente: quantos leem só o jornal A, quantos leem só o jornal B, e quantos leem os dois. O problema é que o enunciado nunca te dá esses três valores de cara. Ele te dá dados misturados e você tem que desmontar isso. Tipicamente, a questão fala algo como: 120 alunos leem o jornal A, 90 leem o jornal B e 40 leem ambos. A tentação é somar 120 mais 90 e dar 210 como resposta. Errado. Os 40 que leem ambos estão contidos dentro desses 120 e também dentro daqueles 90. Se você somar direto, conta duas vezes as mesmas pessoas. O cálculo certo é: 120 mais 90 menos 40, que dá 170 alunos que leem pelo menos um dos jornais. Fórmula da união: |A B| = |A| + |B| - |A B|. Anota isso e esquece de decorar o resto.
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Uma variação comum é o enunciado não dar o total de leitores de cada jornal, mas sim dar o número de quem lê apenas um deles. Nesse caso, você trabalha de trás para frente. Se dizem que 60 leem apenas o A e 30 leem apenas o B, e 20 leem os dois, o total de leitores do jornal A é 60 mais 20, ou seja, 80. O total do jornal B é 30 mais 20, que dá 50. Confuso no começo, mas vira automático depois de ver três ou quatro exemplos. Outro erro muito comum é confundir "pelo menos um" com "exatamente um". P pelo menos um significa a união dos dois conjuntos, incluindo quem lê ambos. Exatamente um significa a diferença: quem lê só A mais quem lê só B, excluindo a interseção. Em prova, essa diferença custa ponto. Já vi gente perder questão inteira por não notar o "exatamente" no enunciado.
Um cenário que apareceu pra mim recentemente envolvia uma escola com 500 alunos, onde circulavam dois jornais e ainda havia um grupo que não lia nenhum dos dois. O enunciado dizia que 200 liam o jornal A, 180 liam o jornal B, 60 liam os dois, e o restante não lia nenhum. Muita gente trava aqui porque acha que precisa encontrar o total de leitores primeiro. Na verdade, o caminho mais rápido é calcular a união: 200 mais 180 menos 60, que dá 320 leitores. Como a escola tem 500 alunos, 500 menos 320 é igual a 180 alunos que não leem nenhum dos jornais. O pulo do gato é perceber que o complemento da união é simplesmente o total menos a união. Sem complicação. O que ninguém te conta é que existem problemas em que os dados são insuficientes. Já me deparei com questões que davam apenas o total de leitores do jornal A e o total de leitores do jornal B, sem mencionar a interseção nem o número de quem não lê nenhum. Nessas situações, não há como chegar a um valor numérico único para a união. A resposta correta é que o problema não tem solução com os dados fornecidos. Em várias provas, a alternativa que diz "não é possível determinar" é a certa, mas os candidatos costumam marcar qualquer coisa porque acham que estão fazendo algo errado. Não está. O enunciado que está incompleto.
Uma dica prática que economiza tempo: sempre construa o diagrama mesmo quando achar que não precisa. Desenhar dois círculos que se sobrepõem e preencher os valores nas regiões corretas evita erros de contagem dupla em pelo menos 80% dos casos. Leva uns 10 segundos a mais, mas previne o erro mais frequente. Se você quer praticar, os materiais do ENEM dos últimos anos têm várias questões nesse formato. Também vale a pena olhar exercícios de combinatoria básica em livros didáticos como o Iezzi ou o Dolce. O importante é entender o conceito, não decorarResultados.