Enemy Within Batman - Batman The Enemy Within Platinum
Batman The Enemy Within Platinum

Batman: The Enemy Within – o que é, o que funciona e onde encontrar

A Telltale lançaram Batman: The Enemy Within entre agosto de 2019 e março de 2020, em cinco episódios. É sequência direta do primeiro jogo da franquia deles sobre o Cavaleiro das Trevas, ou pelo menos isso era suposto ser quando a desenvolvedora ainda estava de pé. O enredo gira em torno das consequências de você ter deixado o manto do Batman nas mãos de outra pessoa, e com isso o aparecimento da Court of Owls como ameaça central. Não tem reviravolta cinematográfica, é o que é.

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Se você quer entrar nisso hoje, o caminho mais direto é comprar nas plataformas digitais que ainda mantêm o catálogo da Telltale ativo. A Sony vendia pela PSN, a Microsoft pela Xbox Store, e a versão PC fica na Steam ou no Google Play (esta última sendo apenas para Android). O problema é que, como a Telltale faliu em 2018 antes do primeiro título terminar totalmente e depois sobreviveu como estúdio fantasma por um tempo, alguns desses canais podem ter removido o jogo ou feito mudanças de preço aleatórias. Eu recomendo verificar o estado atual da loja antes de clicar em comprar, senão você gasta dinheiro em algo que já não está disponível para download na sua conta. O jogo funciona no mesmo sistema de escolhas por pontos que os outros títulos da Telltale: você acumula valores em faixas como Coração, Mente ou Força, e essas pontuações abrem ou bloqueiam certos diálogos e conclusões. O detalhe que a maioria dos jogadores ignoram é que a pontuação é global para todo o jogo, não por episódio. Isso significa que decisões tomadas no episódio 1 afetam opções visíveis no episódio 5, mas só se você não resetar seu save. Se você carregar um save do episódio 2 por engano, a pontuação volta ao que era naquele momento e você perde progressão acumulada desde então. Eu já tenho esse erro anotado em duas partidas minhas, custou-me horas de reinício.

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A jogabilidade em si é ponto e clique com QTEs misturados. Você usa a lanterna para encontrar pistas, resolve puzzles simples de interação e toma decisões em conversas. A parte técnica que mais dá trabalho é o sistema de detective mode: ele funciona bem na maioria dos cenários, mas em determinadas salas do Distrito Judicial há uma colisão de colisor que faz o modo dedetive não reconhecer objetos até você sair e voltar ao local. O workaround é entrar na sala, ativar o modo, sair para o corredor e reentrar. Funciona consistentemente e economiza minutos chatos de ficar clicando no vazio. O que funciona mesmo no jogo é a forma como ele lida com os vilões. A Harley Quinn aqui é mais trágica e menos caricata do que em outras mídias, o Coringa aparece de forma diferente do habitual e a Court of Owls é usada como estrutura narrativa em vez de um plot device genérico. Os diálogos são bem escritos, as dublagens estão acima da média e as cenas de ação são curtas mas funcionais. O contraponto é que os puzzles são extremamente lineares e a segunda metade do jogo sente muito a falta de conteúdo porque a Telltale estava encolhendo a equipe durante o desenvolvimento.

Uma coisa que ninguém conta sobre as escolhas: elas têm peso real, mas o jogo não avisa quando uma decisão importante foi registrada. Eu levei três episódios para perceber que tinha perdido uma conversa-chave com o Commissioner Gordon porque escolhi uma opção de diálogo muito cedo e o jogo simplesmente bloqueava o acesso dali pra frente. Não há mensagem de aviso, não há "essa escolha é irreversível". O sistema apenas trava aquele ramo narrativo e você segue em frente sem saber o que perdeu. Se você quer garantir todas as linhas de diálogo, precisa usar multiple saves em cada choice point, mas isso torna a experiência mais parecida com um checklist do que com uma narrativa fluida. A duração média é de cerca de 12 a 15 horas para uma primeira partida completa, dependendo de quantos detalhes você explora. Segunda jogada com foco em finais alternativos leva uns 6 a 8 horas extras. O jogo tem quatro finais principais, dois para cada lado da pontuação de alinhamento, e nenhum deles é verdadeiramente satisfatório porque a Telltale já sabia que não teriam tempo para expandir o terceiro ato com qualidade.

Em resumo, é um jogo sólido dentro do que a Telltale conseguia entregar no período final da empresa, com narrativa competente e personagens bem construídos, mas com limitações técnicas evidentes e uma segunda metade que sofre por pressa de produção. Vale a pena se você gosta de histórias interativas com consequência real nas escolhas, não tanto se espera um jogo de ação ou puzzle complexo. A versão digital ainda está disponível na maior parte das lojas, mas verifique antes de pagar porque o status pode mudar sem aviso.