Erro De Concordancia Verbal - Erro De Concordancia Verbal - FDPLEARN
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Concordância verbal na prática

A gente vê todo dia gente errando concordância verbal em textos profissionais e não tem segredo, mas tem um jeito bem específico de resolver isso sem depender só de corretor automático. Eu passei anos revisando textos jurídicos e técnicos, e a regra de ouro é sempre a mesma: identifique o sujeito antes de qualquer coisa. O erro mais comum que eu vejo acontece quando o sujeito vem depois do verbo, então o cérebro já assume uma concordância no plural ou no singular automaticamente e comete a besteira.

O que é e como funciona o erro de concordancia verbal

Concordância verbal é a correspondência entre o verbo e o sujeito em número e pessoa. Quando essa relação falha, nasce o erro. A maioria das pessoas aprende isso na escola com exemplos like "O gato corre" versus "Os gatos correm", mas na prática as coisas complicam bem mais rápido. Eu lembro de um caso específico em 2019 que eu revisei para um escritório de advocacia em São Paulo. O texto tinha uma frase assim: "Devem ser observados os prazos previstos no regulamento interno". Todo mundo na equipe achava que estava correto porque o sujeito "os prazos" é plural e o verbo "devem" também está no plural. O problema era que o sujeito estava posposto e havia uma armadilha oculta. O verbo "ser" era locução verbal auxiliar, e a preposição "de" ligava uma oração subordinada. Quando eu removi a parte intermediária e deixei só o núcleo da construção, ficou claro que a concordância deveria ser com "prazos", mas a estrutura estava tão carregada que enganou até revisores experientes. A solução foi simples: reescrever para "Observem-se os prazos previstos no regulamento interno", tirando a ambiguidade da locução verbal e deixando o sujeito explícito antes do verbo. Esse tipo de situação acontece pelo menos duas vezes por semana no meu trabalho.

O detalhe que pouca gente leva em conta é que concordância verbal não é só sobre sujeito e verbo. Há casos em que o sujeito é composto, e aí a regra básica diz que o verbo vai para o plural. Mas existem exceções que mudam completamente a leitura. Quando o sujeito composto vem antes do verbo, tudo bem. Quando vem depois, o verbo pode ficar no singular se os núcleos do sujeito forem considerados sinônimos ou se houver uma ideia de aproximação. Outro ponto que os manuais esquecem de mencionar com clareza: a concordância com pronome de tratamento. "Vossa Senhoria" exige terceira pessoa, mas muita gente ainda escreve "Vossa Senhoria devem enviar o documento" em vez de "deve enviar". Isso acontece porque o pronome de tratamento é uma forma indireta de tratamiento, então o verbo não concorda com a pessoa gramatical, mas sim com a terceira pessoa do singular.

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Como fazer a análise passo a passo

O método que eu uso leva cerca de dois minutos por parágrafo em textos padrão. Primeiro, sublinhe todos os verbos. Segundo, identifique o sujeito de cada um. Terceiro, verifique se há elementos que possam estar interferindo na concordância, como expressões partitivas, pronomes relativos, ou adjuntos adnominais. Quarto, teste a frase removendo o que está entre o sujeito e o verbo para ver se a concordância permanece correta. Se não permanecer, há um erro. Um exemplo prático: "Havia muitos problemas a resolver". Alguns escreveriam "haviam muitos problemas" por achar que o sujeito é "muitos problemas". O correto é "havia" porque o verbo haver, no sentido de existir, é impessoal e fica na terceira pessoa do singular. Esse é um dos erros mais persistentes que eu vejo, e a estatística sugere que cerca de 40% dos textos que reviso contêm esse erro pelo menos uma vez.

Onde as pessoas tropeçam com frequência

Além do verbo haver impessoal, existem outros pontos de atenção. O verbo fazer indicando tempo também é impessoal: "Faz dois anos que não vejo isso", nunca "fazem dois anos". Outro erro comum é com verbos que indicam fenômenos da natureza: "Choveu muito ontem" está correto, mas "Choveram muitas gotas" soa estranho e gramaticalmente incorreto porque chover é impessoal. A confusão acontece quando as pessoas tentam personalizar o sujeito de um verbo que não tem sujeito. Um caso que costuma gerar debate é a concordância com o verbo "gostar". Muita gente escreve "Gostei do filme" no sentido certo, mas há construções em que o sujeito é oracional e não nominal, e aí a concordância muda. Por exemplo: "Gostei de que você viesse" — o sujeito de "gostei" é a oração "de que você viesse", e o verbo permanece na primeira pessoa do singular porque o sujeito é a própria oração, não "você". Esse nível de análise separa quem revisa com critério de quem usa apenas o corrector ortográfico.

O que os corretores automáticos não pegam

Erros como "O grupo de alunos chegaram" passam despercebidos pela maioria dos corretores. O sujeito aqui é "grupo", que é singular, então o verbo deveria ser "chegou". Os corretores focam em erros óbvios de digitação e regras básicas, mas não conseguem detectar quando o núcleo do sujeito está escondido dentro de uma expressão preposicional. Eu recomendo que você sempre faça uma leitura manual após a correção automática, e o tempo que você gasta com isso é mínimo comparado ao risco de publicar um texto com esse tipo de erro. Se o seu texto for extremamente técnico ou conter muitas citações e construções complexas, considere contratar um revisor profissional. A diferença entre um texto auto-revisado e um revisado por especialista é visível, especialmente em documentos que serão publicados publicamente ou enviados a clientes.