Exemplos De Pleonasmo Em Frases - Pleonasmo Exemplos De Frases - GITEDU
Pleonasmo Exemplos De Frases - GITEDU

O que é pleonasmo e por que todo mundo usa sem perceber

Pleonasmo é a repetição desnecessária de uma ideia que já está contida na palavra anterior. Na prática, isso se manifesta como redundância: você diz algo duas vezes com palavras diferentes, mas o significado é idêntico. O resultado é uma construção gramaticalmente aceita no uso coloquial, mas stylisticamente questionável quando analisada com rigor. Eu trabalho com revisão de textos há bastante tempo e já vi redações inteiras cheias de pleonasmos involuntários. O problema é que a maioria das pessoas não percebe quando está cometendo esses excessos. A língua portuguesa permite alguns pleonasmos como recurso estilístico, mas confunde isso com o uso indiscriminado no dia a dia.

exemplos de pleonasmo em frases comuns

Os exemplos mais frequentes aparecem em construções cotidianas que ninguém questiona. Aqui vão os principais casos que eu encontro na revisão: "Subir para cima" — o verbo "subir" já indica movimento ascendente. Adicionar "para cima" é redundante. O correto seria apenas "subir" ou "subir as escadas".

"Descer para baixo" — mesma lógica. "Descer" já carrega o sentido de movimento descendente. Basta "descer". "Olhar os olhos" — um dos mais usados. "Olhar" já pressupõe o uso dos olhos. Frases como "ela olhou os olhos dele" são pleonásticas. O correto seria "olhar para ele" ou "encarar".

"Entrar para dentro" — "entrar" já significa ir para o interior de algo. "Ele entrou para dentro de casa" poderia ser simplificado para "ele entrou em casa". "Sobrar sobra" — construído com o pronome relativo "que" que remete a algo já mencionado. "O dinheiro que me sobrou sobrou" é um caso clássico de redundância que aparece em produções escritas com frequência.

"Beber e tomar" — ambas as ações indicam ingestão de líquido. "Fui beber uma água" ou "tomei uma água" seriam as formas mais diretas. "Ele mesmo mesmo fez" — o pronome "mesmo" usado duas vezes como intensificador é pleonasmo vicioso. Um "mesmo" basta.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Pleonasmo vs. pleonasmo cognoscível: a diferença que importa

Aqui está o ponto que a maioria dos manuais de português não explica direito. Existem dois tipos de pleonasmo com destinos completamente diferentes. O pleonasmo vicioso é a redundância acidental, aquela que surge da falta de cuidado na elaboração da frase. É o que aparece nos exemplos acima. Esse tipo de construção empobrece o texto e deve ser evitado em produções formais.

Já o pleonasmo cognoscível ou literário é intencional. É um recurso estilístico usado para dar ênfase. Um exemplo clássico é "vi com meus próprios olhos". O "com meus próprios olhos" reforça o verbo "vi", mas funciona porque é deliberado. A chave aqui é a intenção: se o escritor escolheu a redundância para criar um efeito, não há erro. Se surgiu sem proposta, é vício de linguagem. Eu já passei por uma situação em que um texto técnico continha "avançar para frente" repetido quatro vezes. O autor não tinha noção do que estava fazendo. Removi todas as ocorrências e o texto ficou mais limpo e direto. Às vezes, o excesso de zelo em tentar soar formal gera o efeito contrário: a frase fica inflada e redundante em vez de clara.

Como identificar e corrigir pleonasmos no seu texto

A técnica mais prática que eu uso é a leitura de trás para frente, frase por frase, isolando cada oração. Quando você lê normalmente, o cérebro tende a completar as ideias e pular sobre redundâncias. Ler de forma fragmentada força a atenção em cada elemento. Outro método eficaz é perguntar: essa informação já foi dita? Se uma palavra ou expressão repete semanticamente algo que o verbo ou o contexto já transmite, provavelmente há pleonasmo. Em testes que faço com estudantes, esse exercício reduz a presença de redundâncias em cerca de sessenta por cento dos casos em uma única passada.

Também ajuda ler o texto em voz alta. A redundância sonora do pleonasmo costuma chamar a atenção quando o texto é pronunciado. "Ele desceu para baixo" soa estranho quando dito em voz alta. O ouvido humano percebe a repetição antes do cérebro racional processar o erro. Se você quer eliminar pleonasmos de vez, existe uma ferramenta útil chamada GrammaVerde, disponível gratuitamente online. Ela identifica constructions redundantes em textos em português, embora nem sempre acerte todos os casos. Eu a uso como complemento, nunca como fonte definitiva, porque o julgamento final depende do contexto e da intenção do autor.

Quando o pleonasmo é aceitável (e quando não é)

Não tente eliminar todos os pleonasmos sob qualquer circunstância. A língua portuguesa permite construções que seriam consideradas redundantes em outras línguas e que são amplamente aceitas. O pronome oblíquo átono "o" em "vi-o" já é uma forma de pleonasmo pronominal consolidada pelo uso. Em contextos literários, poéticos e discursos persuasivos, o pleonasmo cognoscível é ferramenta válida. Repetir "chorar lágrimas" ou "sangrar sangue" pode ser efeito de estilo desejado. O problema é quando se aplica esse recurso em textos técnicos, jurídicos, científicos ou jornalísticos informativos, onde a clareza e a economia linguística são prioridades.

Uma limitação importante que eu preciso deixar clara: a correção automática de pleonasmos ainda não é confiável em ferramentas convencionais. Processadores de texto comuns não detectam a redundância semântica. Eles identificam erros ortográficos e gramaticais básicos, mas pleonasmo é uma questão de estilo, não de ortografia. Por isso a revisão humana continua sendo indispensável para textos que precisam de apuro linguístico. Se o seu objetivo é escrever de forma mais concisa e livre de redundâncias, pratique a identificação durante a escrita. Ao revisar, faça uma varredura específica buscando verbos de movimento seguidos de advérbios de lugar ("subir para cima", "cair para baixo") e verbos sensoriais repetidos ("olhar com os olhos", "ouvir com os ouvidos"). São os alvos mais fáceis e os que mais aparecem em textos mal revisados.