Concordância nominal na prática
Se você vai resolver um exercício de concordância nominal, o primeiro passo é saber diferenciar complemento nominal de adjunto adnominal. A confusão entre os dois aparece todo ano em provas da Fuvest, UnB e Vunesp. Quando a banca cobra concordância, ela espera que você identifique quem se liga a quem antes de marcar qualquer alternativa.
Como fazer exercício de concordância nominal sem perder tempo
A técnica mais eficiente é isolar o núcleo do substantivo e verificar se há adjetivo, pronome ou numeral que precise concordar com ele em gênero e número. Isso resolve a maioria das questões em trinta segundos. Quando a frase traz locuções adverbiais como meio, bastante, anexo, próprio, incluso ou obrigado, o tratamento muda. Nesse caso, a regra geral é: variável quando funcionar como adjetivo, invariável quando funcionar como advérbio. Um exemplo rápido. Diga ela está meio nervosa. Aqui meio é advérbio de intensidade. Invariável. Agora diga as folhas estão meio amarelas. O meio ainda é advérbio, então continua invariável. Muitos candidatos erram porque acham que o adjetivo amarelas arrasta o meio. Não arrasta.
Outro caso comum e igualmente traiçoeiro envolve próprio. Quando próprio significa mesmo, ele é pronome reflexivo e fica invariável: elas mesmas ou elas próprias. Quando significa adequado, funciona como adjetivo e concorda: as salas próprias para eventos. Eu já perdi pontos por causa disso em simulados de pós-graduação. A correção foi simples: trocar o próprio por adequado. Se a frase continua válida, é adjetivo. Se muda de sentido, é pronome.
O problema que ninguém explica direito
A concordância com possível exige superlativo sintético quando vem preceded by artigo definido. Não é opcional. As possíveis soluções existe, mas se você quer dizer as únicas soluções possíveis, o certo é as possíveis soluções no sentido restritivo. A confusão é maior quando o determinante não é artigo. Com pronome indefinido, o adjetivo fica no grau normal. Algum possível candidato está correto. Algum possível candidata também está, desde que o gênero esteja certo. O que errado é as mais possível soluções. Aqui deveria ser as mais possíveis soluções. O erro mais frequente que eu vejo é tratar menos e mais como se fossem flexões do adjetivo. Eles são advérbios de intensidade. Permanecem invariáveis. Menos importante, nunca menos importantes quando se referem a um substantivo masculino plural. Espere, deixa eu reformular isso para ficar claro. Se o substantivo for masculino plural, a forma correta é menos importantes. O advérbio menos não varia, mas o adjetivo importantes varia conforme o substantivo. Errar isso custa caro em provas objetivas.
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Termos que exigem atenção especial
Veja a lista que eu costumo consultar antes de qualquer exercício de concordância nominal:
- Anexo: concorda com o substantivo a que se refere. As folhas anexas. O documento anexo.
- Incluso: funciona como adjetivo e varia. As cópias inclusas. Alguns manuais aceitam incluso invariável, mas a maioria das bancas prefere a variação.
- Obséquio: só existe no plural. Devem-se prestar os devidos obséquios.
- Quase: advérbio, invariável. Quase todas as alunas.
- Sós: só existe nessa forma. Significa sós, no sentido de solidão. Elas ficaram sós.
- Caro: quando significa preço elevado, é adjetivo e varia. As casas caras. Quando significa estimado, também varia. Os colegas caros.
Agora um insight que pouca gente leva a sério. A concordância com tanto funciona de modo diferente dependendo da função sintática. Se tanto for pronome indefinido, varia: tantos alunos. Se for advérbio de intensidade, permanece invariável: ele fala tanto. A dica prática é testar a substituição por muito. Se a frase manter o sentido, é advérbio e não varia.
Edge case que me pegou desprevenido
No meu primeiro concurso para analista judiciário, cai uma questão sobre a locução é muito. A frase era: Ela é muito dedicada. A banca considerava errado um candidato que marcou Elas são muito dedicadas. A armadilha estava no fato de que muito aqui é advérbio e não varia, mesmo com o sujeito no plural. A concordância só ocorre no adjetivo dedicadas. Eu errei porque pensei que o muito também precisaria flexionar. A correção do examinador foi direta: muito é advérbio de intensidade e permanece invariável. Esse tipo de pegadinha aparece com frequência em provas da FGV e da CESPE. Outro exemplo menos óbvio envolve a construção è necessário a versus è necessário para. A preposição muda tudo. É necessário a presença de documentos está errado. O certo é é necessário a presença apenas quando necessário funciona como predicativo do sujeito e o substantivo é o núcleo. Na prática, a maioria das vezes a estrutura correta é é necessário haver documentos ou é necessária a presença. A concordância aqui depende de quem é o sujeito. Se o sujeito é a presença, o adjetivo varia: a presença é necessária. Se a oração é impessoal com haver, o adjetivo fica no singular: é necessário haver documentos.
O que funciona de verdade
Para praticar exercício de concordância nominal com eficiência, eu recomendo o seguinte método. Primeiro, resolva pelo menos vinte questões das últimas cinco provas de cada banca que você visa. Anote os erros. Segundo, agrupe os erros por tipo de termo: advérbio, adjetivo, pronome, locução. Terceiro, para cada grupo, escreva a regra em uma linha. Quarto, refaça as questões erradas após quatro dias. Esse ciclo reduz o índice de erro em cerca de sessenta por cento em duas semanas de prática diária, segundo minha experiência com turmas preparatórias. O principal limitação desse método é que ele não cobre todos os casos excepcionais. Existem construções arcaicas, usos regionais e nuances estilísticas que as bancas podem cobrar sem avisar. A concordância com lidrio em textos literários, por exemplo, não segue a norma padrão. Se a prova exigir análise textual, o critério pode ser diferente. Nesses casos, o melhor é recorrer a gramáticas de referência como a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Cunha e Cintra, ou ao Dicionário Houaiss, que listam os usos consagrados e as exceções documentadas.
Resumindo sem resumir: dominar exercício de concordância nominal exige reconhecer a função sintática de cada palavra antes de aplicar qualquer regra. A maioria dos erros acontece porque o candidato tenta flexionar o que não deve ser flexionado, ou deixa de flexionar o que precisa. Treine com questões reais, anote os padrões de erro e revise sistematicamente. O restante é questão de repetição.