Entendendo a prática de exercícios de concordância verbal e nominal
A maior parte dos materiais que encontro online trata concordância como se fosse um conjunto de regras mecânicas. Não é. A concordância nominal e verbal funciona como um sistema de dependências, onde cada termo precisa se adequar ao núcleo correto dentro da estrutura da oração. Quando você resolve exercícios bem elaborados, treina justamente esse reconhecimento de relações sintáticas. O problema é que muitos exercícios bons são pagos ou estão em livros caros. Por isso, vou listar aqui os recursos mais úteis que encontrei, junto com a lógica por trás deles.exercicios concordancia verbal e nominal
Os exercícios de concordância verbal exigem que você identifique o sujeito real da oração, não apenas o primeiro nome que aparece. Verbos como haver, fazer indicando tempo e bastar no sentido de "suficiar" são os que mais causam erro. Eles são impessoais e ficam na terceira pessoa do singular, independentemente de quantos complementos venham depois.
Como resolver exercícios de concordância verbal na prática
O primeiro passo é isolar o núcleo do sujeito. Você faz isso removendo os adjuntos adnominais e as locuções prepositivas que vêm antes do verbo. Se o sujeito for composto, ele vai antes do verbo, e aí a concordância ocorre normalmente no plural. O problema aparece quando o verbo antecede o sujeito, especialmente com pronomes relativos ou partitivas. Exemplo prático: "Faz dois anos que ele estuda para o concurso." Aqui, "faz" é impessoal. Não se pode flexionar no plural. Muitos candidatos erram colocando "fazem" achando que concorda com "dois anos". O ano não é o sujeito. O sujeito é a oração subordinada "que ele estuda para o concurso", e o verbo principal permanece invariável.
Outro caso frequente envolve o verbo parecer na voz passiva sintética. "Precisa-se de técnicos." O verbo fica no singular porque não há sujeito, apenas um sujeito indeterminado. Já em "Precisam-se de técnicos" está errado. A partícula "se" é índice de indeterminação do sujeito, e a regência pede a preposição "de".
O que os exercícios de concordância nominal cobram de verdade
A concordância nominal cobra basicamente três áreas: adjetivos, pronomes e advérbios que se ligam a substantivos ou pronomes. O mais comum é o uso de obrigado, que varia em gênero quando usado como adjetivo. "Ela disse obrigado" está errado. O correto é "Ela disse obrigada", já que ela se refere a si mesma. Já "Vocês são obrigados a comparecer" está certo porque o adjetivo concorda com o sujeito "vocês". Palavras como só, próprio, mesmo e incluso têm regras específicas que caem em prova toda vez. "As cartas estavam incluso o comprovante" está errado. O certo é "incluso" invariável quando usado como advérbio, mas como adjetivo concorda: "As cartas estavam inclusas". Na prática, a maioria dos examinadores prefere a forma "incluindo" para evitar a polêmica.
O uso de anexo e enviado segue a mesma lógica. Eles funcionam como adjetivos quando se referem a substantivos e devem concordar. "Seguem anexas as documentos" está errado. O correto é "Seguem anexos os documentos".
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Um caso que ninguém ensina direito
Eu trabalhei revisando material didático e encontrei um exercício que dizia: "Chegaram cedo os alunos que haviam faltado." A concordância estava perfeita, mas a questão perguntava qual alternativa estava errada e a banca considerava "chegou cedo os alunos" como correta. Isso foi em 2019. Até hoje vejo provas com essa inconsistência. O caso mais chato que já foi com a expressão é proibido vs. é proibida. A regra oficial diz que o particípio concorda com o sujeito. "É proibida a entrada" está certo. "É proibido entrar" também está certo, porque quando o verbo é seguido de infinitivo, o adjetivo permanece no masculino singular. A confusão nasce porque muitos materiais simplificam demais e geram contradições.
Recursos para praticar
Para concordância verbal, o site do CESPE no portal do Concurseiro tem questões comentadas por ano e banca. As de 2015 a 2023 cobram consistentemente os verbos impessoais e a concordância do "que" e "se". O custo-benefício é bom: você encontra cerca de 300 questões focadas em concordância, o que leva em média três semanas de prática diária de uma hora para revisar. O portal Gran Cursos Online oferece um caderno gratuito com 50 exercícios de concordância nominal e verbal, atualizado em 2024. A versão paga, com videoaulas, custa R$ 29,90 mensais. Se o seu objetivo é apenas treinar, o gratuito já cobre 80% do que cai em concursos de nível médio e superior.
Para quem quer algo mais direto, o livro "Concordância Verbal e Nominal" da editora Juspodivum tem 220 páginas de teoria seguida de questões. Cada capítulo termina com um gabarito comentado. É o material mais completo que já vi, mas o preço gira em torno de R$ 59,90.
Limitações que você precisa saber
Exercícios de concordância verbal e nominal têm um limite claro: eles não substituem a leitura. Quem faz cincocentos exercícios sem ler autores como Celso Pedro Luft ou Evanildo Bechara tende a decorar respostas, não a entender o mecanismo. Em provas mais exigentes, como a da Receita Federal ou do Tribunal de Contas, as bancas criam questões com nuances que só aparecem na prática da leitura crítica. Além disso, muitos exercícios online replicam erros das próprias bancas. Já vi três sites diferentes com a mesma questão errada sobre "há" vs. "a". Isso mostra que a correção editorial nesses materiais é questionável. Sempre cross-check com o gabarito oficial quando disponível.
Se o seu foco é vestibular, recomendo usar o quadro do INEP com questões do ENEM. Se for concurso público, foque nas bancas que vão cobrar sua prova: CESPE cobra concordância com "por quê" e orações coordenadas; FGV cobra regência mesclada com concordância; VUNESP cobra mais a parte nominal pura.