Exercícios De Ligações Químicas - Lista de exercícios ligações químicas | PDF
Lista de exercícios ligações químicas | PDF

Como abordar exercícios de ligações químicas sem perder tempo

A maioria dos exercícios de ligações químicas segue um padrão que você reconhece rápido se já tiver resolvido uns dez ou vinte. A tendência dos professores é cobrar os mesmos tipos: determinar o tipo de ligação a partir da diferença de eletronegatividade, fazer a estrutura de Lewis, identificar a geometria molecular e, de vez em quando, uma questão sobre ligação metálica. Comece sempre pelo número de elétrons de valência. Não pule essa parte. Eu já vi gente acertar a geometria inteira mas errar a carga formal porque esqueceu que o enxofre na espécie SO tem 6 elétrons de valência, não 8. Anotar essa contagem no rascunho resolve metade dos erros comum nos primeiros capítulos do livro didático.

exercícios de ligações químicas: o método prático

O método que eu uso na banca — ou na hora de corrigir a prova do aluno — é o seguinte. Primeiro, identifique os elementos envolvidos. Segundo, some os elétrons de valência de todos os átomos. Terceiro, distribua elétrons nas ligações sigma primeiro, complete os pares isolados nos átomos mais eletronegativos e só então verifique a regra do octeto. Se sobrar espaço no átomo central, permita expansão do octeto se ele estiver no terceiro período ou superior. Quarto, calcule a carga formal para cada átomo e ajuste se houver estrutura alternativa mais estável. Quinto, conte os domínios eletrônicos ao redor do átomo central para chegar na geometria. Esse último passo é onde a maioria erra, porque confunde geometria molecular com geometria eletrônica. Eles são coisas diferentes. O CO tem geometria eletrônica linear e geometria molecular também linear. Já a água tem geometria eletrônica tetraédrica e geometria molecular angular. Não misture os dois.

Quando a questão pede a diferença de eletronegatividade, use a escala de Pauling. Valores práticos que caem com frequência: H = 2,1; C = 2,5; N = 3,0; O = 3,5; F = 4,0; Na = 0,9; Cl = 3,0. A ligação iônica pura aparece praticamente só quando você tem metal alcalino ou alcalino-terroso com flúor ou oxigênio. Para tudo que é intermedário, a ligação covalente polar domina. Se a diferença for menor que 0,4, trate como covalente apolar. Entre 0,4 e 1,7, covalente polar. Acima de 1,7, iônica. Esse corte de 1,7 não é lei da natureza, é uma convenção didática que funciona na maioria das questões de vestibular. Um problema que eu encontrei recentemente e que vale mencionar foi com o íon perclorato, ClO. O exercício pedia a melhor estrutura de Lewis e a geometria. A armadilha é que muitos alunos fazem apenas ligações simples entre cloro e oxigênio, gerando carga formal alta demais. A solução correta envolve duas ligações duplas e duas ligações simples, distribuindo a carga -1 para estabilizar. A geometriaResultante é tetraédrica. Se você não ajustar a carga formal, a resposta final pode parecer certa na aparência mas ser considerada incompleta na correção.

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Não adianta decorar todas as estruturas. Entenda o raciocínio por trás. Quando você sabe que expansão do octeto é permitida para elementos do terceiro período em diante, o SF deixa de ser um mistério e vira apenas uma aplicação direta da regra. O mesmo vale para o PCl. Sem essa compreensão, cada questão nova vira um desafio aleatório. Existe uma limitação importante que poucos livros mencionam: a teoria da ligação de valência (VB) não explica bem o caráter paramagnético do O. A molécula de oxigênio é paramagnética porque possui dois elétrons desemparelhados nos orbitais antiligantes *, algo que a teoria VB sozinha não prevê corretamente. A teoria dos orbitais moleculares (TOM) resolve isso, mas muitas questões de ensino médio ignoram essa nuance. Se você estiver em nível superior, vale a pena estudar a diagramação dos orbitais do O separadamente. Na prática, para exercícios convencionais, a teoria VB resolve 90% dos casos. Os outros 10% geralmente aparecem em olimpíadas de química ou provas da UNICAMP que gostam de cobrar exceções.

Outro ponto que todo mundo erra é a nomenclatura dos ângulos de ligação. O tetraedro perfeito tem ângulo de 109,5°. A presença de pares isolados reduz esse ângulo. Na amônia, NH, o ângulo é aproximadamente 107°. Na água, HO, cai para cerca de 104,5°. Não memorize esses números isoladamente. Entenda que cada par isolado comprime a geometria, e quanto mais pares isolados, menor o ângulo. Essa lógica basta para resolver questões que pedem a ordem crescente ou decrescente dos ângulos em séries como CH, NH, HO. Quando o exercício envolve ligação metálica, o formato costuma ser mais conceitual. Falam em mar de elétrons, dureza, ponto de fusão, maleabilidade. A pegadinha frequente é confundir dureza do metal com dureza do material. O ferro é duro, mas o ouro é maleável. Ambos são metais com ligação metálica. O grau de dureza depende do número de elétrons envolvidos na ligação e do raio atômico, não do tipo de ligação em si. Se a questão pedir para comparar pontos de fusão de metais, olhe a carga do cátion e o tamanho do íon. Cátions menores e com maior carga tendem a formar metais mais refratários.

Uma dica prática que economiza tempo na correção: quando tiver dúvida entre ligação iônica e covalente polar, verifique se o composto é formado por ametais entre si. Se sim, é covalente. Mesmo que a diferença de eletronegatividade seja grande, como no HF. Fluor e hidrogênio são ambos não metais, então a ligação é covalente polar, não iônica. Isso confunde bastante quem decora apenas o valor numérico da diferença. Para encontrar exercícios para praticar, os livros doQNChem, do Zumdahl e do Atkins são sólidos. No Brasil, o livro do Augusto Cesar Stradioto de Oliveira costuma ter boa seleção. Sites como o Brasil Escola e o Toda Matéria têm listas organizadas por dificuldade, mas verifique sempre os gabaritos porque às vezes há erro de digitação nos valores de eletronegatividade. Eu recomendo cruzar a resposta com a escala oficial do NIST se for fazer para concurso ou olimpíada.

O que eu posso afirmar com segurança é que exercícios de ligações químicas dominam cerca de 15 a 20% da prova de química geral na maioria dos vestibulares. Se você consegue resolver com confiança a sequência: tipo de ligação, estrutura de Lewis, geometria e polaridade da molécula, já garante uma fatia considerável da nota. O restante costuma ser aplicação direta desses conceitos em questões contextualizadas sobre propriedades físicas, como ponto de ebulição e solubilidade. Não existeatalho. A única forma de se sair bem é resolver uma quantidade razoável de questões e analisar os erros. Anote em uma tabela pessoal: tipo de composto, diferença de eletronegatividade, geometria prevista, geometria observada, presença de pares isolados e polaridade. Com dez linhas preenchidas corretamente, o padrão fica claro e você passa a identificar armadilhas antes mesmo de ler a pergunta inteira.