Criando filhotes de galinha da angola: o que ninguém te conta na prática
Galinha da angola, também conhecida como peru ou codorna africana dependendo da região, é um pássaro que muita gente tenta criar por aí e acaba desistindo na terceira semana. O problema não é a espécie em si. É que ela exige cuidados bem diferentes dos frangos comuns, e quem pega o manual de avicultura padrão logo se perde. O manejo dos primeiros dias é onde a maioria erra. A temperatura de incubação precisa ficar entre 37,5°C e 38°C, com umidade relativa em torno de 60% nas primeiras 18 horas e depois reduzida para 45%. Quem coloca o calorímetro sem calibrar antes já nasce com problema. Eu perdi uma ninhada inteira porque o termômetro da casinha de isopor marcava 39°C quando na verdade estavam 36,5°C. Troquei por umsensor DS18B20 com leitura dupla e passei a cruzar os dados manualmente todos os dias.
O que fazer com o filhote de galinha da angola na primeira semana
A primeira semana define tudo. Os filhotes nascem precociais, sim, mas são muito mais sensíveis ao resfriamento do que um pintinho de corte. Eles não aguentam corrente de ar, mesmo que fraquinha. A cama precisa ser feno picado ou serragem grossa, nunca maravalha fina que eles podem ingerir e entupir o papo. Na ração, comece com initíais para aves de capoeira de preferência com 20% de proteína bruta. Não use ração de codorna comum — o teor de proteína dela é baixo demais e o filhote para de crescer na segunda semana. Compre uma ração de perus iniciante ou faça uma mistura caseira com farelo de soja, farinha de carne e milho triturado fininho.
Bebedouros com bico de niple são ideais a partir do quinto dia. Nos primeiros quatro, use bebedouro tipo mamadeira com tampa rasa para não afogar ninguém. Água morna nos primeiros três dias ajuda a evitar choque térmico, principalmente se o ambiente estiver abaixo de 24°C. Ouvir barulho de piar constante à noite significa frio. Se estiverem silenciosos e espalhados pela caixa, está bom. Se estiverem apertados embaixo da lâmpada, também está frio. Posição neutra, distribuindo pelo espaço, é o sinal certo.
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Transição e problemas reais de manejo
A transição para o terreiro deve ser feita por volta dos 21 dias, quando a penugem já saiu e as penas de voo começam a aparecer. Nunca jogue os filhotes direto no sol forte. Um dossel de sombrite 50% resolve. Eles queimam a pele do bico e das patas muito rápido. Um problema que eu encontrei e que quase ninguém menciona: a galinha da angola é extremamente tímida e reage a sustos correndo em todas as direções ao mesmo tempo. Num galinheiro aberto, isso significa voar por cima do cercado e se perder. Minha solução foi instalar telha de vidro ou plástico transparente na parte superior do cercado, num ângulo de 45 graus, formando uma espécie de tela inclinada. Custou uns R$80 em material de construção e resolveu o problema pra sempre.
Outro ponto: o ataque de ácaros vermelhos. Esses bichos aparecem nos primeiros 30 dias e sugam tanto sangue do filhote que ele morre sem você perceber. Dá pra ver os pontinhos vermelhos escuros nos anéis da perna e embaixo das asas. Limpava a caixa com infusão de alho e cinza de madeira, trocar a cama duas vezes por semana na primeira quinzena, e usar terra diatomácea polvilhada levemente na cama. Resolveu. Eles também são alvos fáceis para formigas. Se a caixa estiver no chão, as formigas sobem pela perna e matam os filhotes em noites quentes. Coloque os pés do cercadinho em potes com água ou vaselina. Simples e eficaz.
Crescimento e expectativa
Com manejo correto, o filhote de galinha da angola atinge peso de abate por volta dos 45 a 60 dias, dependendo da dieta. A carcaaça é mais magra que a do frango comum, mas o sabor é Consideravelmente mais intenso. Muitos criadores relatam que o ovo também é mais saboroso e com gema mais escura. O custo inicial é mais alto que o de um frango. O filhote custa entre R$8 e R$15 em lojas especializadas, e o aquecimento consome mais energia porque eles precisam de calor por 45 dias, não 21 como o frango de corte. Mas o ganho vem pela resistência a doenças. Eles pegarão menos coriza e menos Newcastle se forem bem manejados desde cedo.
Não adianta comprar filhotes de procedência duvidosa. Criadores amadores muitas vezes vendem híbridos mal selecionados que crescem devagar e ficam doentes com qualquer coisa. Peça para ver os pais, olhe a cor dos olhos dos filhotes — devem ser brilhantes e ativos. Evite os que ficam encovados e com penas eriçadas durante o dia todo. Se você está começando agora, compre de dois a cinco filhotes no máximo. O manejo em grupo menor é mais simples de controlar temperatura e alimentação. Quando dominar o ciclo completo, aí sim expande. Tentar criar vinte de uma vez sem experiência prévia é pedir para perder metade no primeiro mês.