O que você precisa saber sobre filtros de linha
Achar o filtro de linha ideal depende menos de marca e mais do que exatamente você vai conectar nele. Muita gente compra o primeiro que acha bonito na prateleira e depois descobre que o equipamento queimou meses depois por falta de proteção adequada. A pergunta filtro de linha qual o melhor aparece o tempo todo nos fóruns, e a resposta curta é que não existe um modelo universal. O que diferencia um filtro bom de um que não passa de um extensor pintado de branco são os componentes internos de supressão de surtos. Os modelos mais baratos usam apenas um varistor de óxido de zinco simples, geralmente marcado como MOV. Eles funcionam até certo ponto, mas têm vida útil limitada. Cada vez que ocorre uma descarga elétrica na rede, o MOV absorve uma parte da energia e degrada um pouco. Depois de várias descargas, ele para de funcionar e o filtro se torna apenas um adaptador comum. O problema é que isso não tem indicador visual. Você só percebe quando algo queimou.
Os filtros de linha mais confiáveis usam configurações mais robustas, com múltiplos MOVs dimensionados corretamente, circuitos LC de filtragem para ruídos de alta frequência, e em alguns casos, diodos TVS para respostas mais rápidas. Marcas como Multilaser, Positivo e Intelbras têm linhas intermediárias decentes, mas os modelos mais consistentes no Brasil vêm de fabricantes mais especializados como Tramontini, CTEEP e algumas linhas da Pioneer e Belini.
filtro de linha qual o melhor para o seu caso
Aqui está o detalhe que ninguém conta: a corrente nominal do filtro precisa ser igual ou superior à soma das correntes dos equipamentos que vão ligar nele. Se você tem um micro-ondas de 1200W junto com um computador de 500W e um monitor de 60W, a potência total é cerca de 1860W. Dividindo por 127V, dá aproximadamente 14,6A. Um filtro de 10A vai aquecer, degradar mais rápido e pode desarmar ou derreter com o tempo. O mínimo aceitável nesse cenário seria 15A. Também olhe para o rating de energia do varistor, medido em joules. Modelos baratos mal chegam a 200 joules. Filtros decentes ficam entre 400 e 800 joules. Quanto maior, mais descargas ele aguenta antes de precisar ser trocado. Não adianta nada ter um interruptor bonito na frente se o componente interno for de 150 joules.
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Outro ponto que as pessoas ignoram é a proteção contra surtos de alta tensão versus filtragem de ruído. Se o seu problema é queda de raio ou variação brusca de tensão na rua, você precisa de um dispositivo com alta capacidade de absorção em joules e um tempo de resposta baixo, da ordem de nanosegundos. Se o seu problema é ruído eletromagnético que interfere em equipamentos de áudio ou vídeo, aí o filtro precisa ter indutores e capacitores de filtragem EMI/RFI. Um filtro que faz bem uma coisa pode não fazer a outra. Eu tive um caso recente em que um cliente trazia um filtro de linha de 20A que dizia proteger contra surtos, mas ao abrir ele tinha apenas um MOV único de 20mm e nenhum componente de filtragem. Liguei um analisador de qualidade de energia e vi que o THD na saída era praticamente idêntico ao da entrada. O filtro não fazia nada além de dividir tomadas. Troquei por um modelo com configuração LC e o THD caiu de 8% para cerca de 2%. A diferença foi imediata em equipamentos sensíveis.
Se você quer uma recomendação prática, filtro de linha qual o melhor se resume a verificar três coisas antes de comprar: a corrente nominal compatível com sua carga, o rating em joules do varistor, e a presença de filtragem EMI/RFI se você tiver equipamentos sensíveis a ruído. Evitefiltros que custam menos de 30 reais para qualquer coisa que valha mais do que isso. O barato sai caro quando um estabilizador ou no-break de mil reais queima porque o filtro na frente não proteheu. Uma alternativa que muitas pessoas não consideram é usar um no-break com função de filtro de linha embutido. Para computadores e equipamentos de rede, isso geralmente é mais vantajoso porque além da proteção contra surtos, você ganha bateria para sobreviver a quedas curtas de energia. Um nobreak de 1000VA com filtro integrado custa entre 400 e 700 reais e protege muito mais do que qualquer filtro de linha isolado. Claro que isso não serve para geladeira, micro-onda ou aquecedores, que são cargas indutivas e não devem ser ligadas em nobreaks comuns.
O mercado brasileiro ainda é cheio de produtos com especificações enganosas. A etiqueta promete proteção contra surtos de 10 mil joules e na prática o valor real é metade disso. Se possível, compre de lojas especializadas em equipamentos eletrônicos e não de gôndolas genéricas de supermercado. A diferença de preço é pequena comparada ao risco de ter seus aparelhos desprotegidos.