Entendendo o relógio dentro da quadra
O futsal tempo de jogo é mais confuso do que parece quando você começa a arbitrar ou organizar campeonatos. A maioria das pessoas acha que são dois tempos de 20 minutos corridos e pronto. Na prática, existem variáveis que fazem um jogo marcar 24 minutos ou passar de 55 minutos no total, e a regra muda dependendo da competição. O padrão da FIFPro e da Confederação Brasileira de Futsal diz que cada tempo tem 20 minutos de relógio cronometrado. Isso significa que o árbitro para o tempo sempre que a bola para. Bola fora? Tempo para. Faltas cobradas? Tempo para. Chuteiro tirando o sapato na hora do pênalti? Sim, tempo para. O relógio só volta a contar quando a bola está em jogo novamente. Esse é o conceito de cronômetro interrompido, que é completamente diferente do futebol society ou do futebol de campo, onde o tempo corre sem parar.
futsal tempo de jogo na prática
Eu organizei um campeonato municipal com 32 times e o prazo previsto era de três dias. O problema é que a média real por jogo era de 52 a 58 minutos, contando intervalos e entre jogos. Em vez de três partidas por dia como planejamos, cabiam duas no máximo. Se o time perdedor já fosse pra casa antes do vencedor terminar, o cronograma desandava rápido. A solução que funcionou foi simples. Começamos a usar o tempo compensado no segundo tempo de forma mais rigorosa. Quando um time está ganhando e provoca paradas desnecessárias, o árbitro deve adicionar os segundos ao final. Eu exigia dos árbitros que registrassem em caderno próprio quantos minutos foram adicionados e o motivo. Isso reduziu em média oito minutos por jogo e salvou o torneio.
Tem outra coisa que quase todo mundo erra. O intervalo entre os dois tempos é de no máximo 15 minutos, mas muitos organizadores deixam os times descansarem 20 ou 25 minutos achando que é flexível. A regra permite apenas 15 minutos de intervalo. Se você precisa de mais tempo, o jogo precisa ser remarcado, não esticado. Isso importa porque times que recebem tempo extra de descanso tendem a rendimentos diferentes no segundo tempo, e a justiça competitiva sai pela culatra. As substituições também impactam o tempo de jogo. Cada troca gera uma pausa de alguns segundos, e em jogos com muitas alterações, especialmente em categorias base onde os técnicos fazem substituições em bloco, isso pode somar dois ou três minutos a mais. O cronometrista deve estar atento para não parar o relógio a cada substituição individual, pois a regra entende que é uma interrupção contínua. Mas se houver discussão entre jogador e árbitro na hora da troca, aí o tempo para de verdade.
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Tem um detalhe técnico que pouca gente leva a sério. A bola deve estar em situação de jogo regular para o tempo recomeçar. Se o árbitro apita uma falta mas deixa a bola em campo, o tempo corre normalmente. Se ele apita e exige que a bola seja posicionada, o tempo só volta quando o jogador chuta a bola. Já vi cronometristas iniciarem o tempo assim que o árbitro levanta o braço, o que gera inconsistência total. O certo é esperar o toque na bola ou o drible de saída da falta. Outro ponto problemático são as prorrogações em jogos eliminatórios. Dois tempos extras de cinco minutos cada, com intervalo de um minuto. O cronômetro volta a funcionar de forma interrompida também. Muitos competidores esquecem que, em prorrogação, qualquer golo define o vencedor imediatamente — o chamado gol de ouro. Se após os dez minutos a plaquila estiver empatada, vamos aos pênaltis. Na prática, eu vi jogos terminarem nos pênaltis sem que nenhum dos dois tempos extras sequer começasse de fato, porque um gol foi marcado nos primeiros segundos da prorrogação. O cronometrista às vezes nem percebe e continua cronometrando.
Para quem vai gerenciar jogos de futsal, o ideal é ter um cronometrista dedicado e não confiar no árbitro para controlar o tempo. O árbitro foca na condução da partida. O cronometrista foca no relógio. Eu costumo usar dois cronômetros: um físico para ligar e desligar, e um software de planilha que calcula automaticamente o tempo compensado com base nas pausas registradas. Assim, no final do primeiro tempo, já sei exatamente quantos minutos adicionar ao segundo, sem conta de cabeça. Se o campeonato for de base, com crianças de 12 anos ou menos, algumas federações estaduais permitem tempos reduzidos de 15 ou 17 minutos. Consulte o regulamento específico da sua entidade, pois isso varia. Não existe padronização nacional obrigatória para categorias de formação, e isso gera confusão quando times de cidades diferentes se encontram em torneios intermunicipais.
Tempo de futsal parece simples até você ter que gerenciar quinze jogos em um único sábado. Aí percebe que cada parada, cada substituição, cada discussão pequena é um minuto que some ou aparece. Anotar tudo e padronizar o procedimento desde o primeiro jogo evita dor de cabeça no terceiro dia.