Glândula Supra Renal Produz Qual Hormônio - Função Da Glandula Supra Renal - ZULEDU
Função Da Glandula Supra Renal - ZULEDU

Assuprarrenais são mais do que um único hormônio

A pergunta "glândula supra renal produz qual hormônio" costuma vir de quem está começando em fisiologia ou revisando para prova. A resposta curta é: várias. A resposta honesta é que depende de qual parte da glândula você tá olhando. O termo correto é suprarrenal (ou adrenal), e ela se divide em córtex e medula, cada uma com funções completamente distintas.

O que a glândula supra renal produz hormônio

O córtex produz três classes de hormônios. A zona glomerulosa sintetiza aldosterona, um mineralocorticoide que controla o balanço de sódio e potássio. A zona fasciculata é a maior parte do córtex e produz cortisol, o glucocorticoide principal no estresse. A zona reticularis fica mais próxima da medula e secreta andrógenos como DHEA e androstenediona. Já a medula suprarenal é basicamente um gânglio simpático modificado. Ela libera adrenalina (epinefrina) e norepinefrina (noradrenalina) na corrente sanguínea. A proporção é aproximadamente 80% adrenalina e 20% norepinefrina nos humanos.

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O que a maioria dos livros não enfatiza é que a síntese do cortisol exige enzimas específicas em cascata. Se uma delas tiver polimorfismo, como no caso da 11-betahidroxilase ou 21-hidroxilase, todo o eixo muda. Deficiência de 21-hidroxilase é a causa mais comum de hiperplasia adrenal congênita, e isso gera acúmulo de precursores androgênicos. Paciente pode apresentar virilização, mas sem hipertensão — ao contrário do déficit de 11-betahidroxilase, que causa hipertensão por acúmulo de 11-desoxicorticosterona. Uma coisa que todo mundo erra: a medula não produz cortisol. Tem gente que confunde porque ambas estão na mesma glândula. A medula deriva da crista neural, o córtex do mesoderma. Linhas germinativas diferentes, funções diferentes. A medula responde a estresse agudo via simpático; o córtex responde via eixo HHA (hipotálamo-hipófise-adrenal) com ACTH.

No dia a dia clínico, quando o exame pede apenas "cortisol", você perde metade da informação. O cortisol livre urinário de 24h, o teste de supressão com dexametasona 1mg, a curva diurna — cada um responde a perguntas diferentes. Meu jeito favorito de não errar foi padronizar: sempre pedir cortisol às 8h pela manhã junto com ACTH. Se o cortisol tá baixo e a ACTH alta, é primário. Se ambos baixos, é secundário. Se ambos altos, aí o problema é a glândula mesmo, e você pensa em Cushings. Um problema que encontrei recentemente: paciente com suspeita de feocromocitoma. Metanefrinas plasmáticas vieram alteradas, mas o diagnóstico foi falso positivo porque o paciente usava fluvoxamina e ácido valproico. Ambos interferem na metabolismo das catecolaminas. O que resolvi foi suspender os medicamentos por duas semanas antes de repetir, quando possível, e confirmar com metanefrinas urinárias de 24h. Se não dava pra suspender, aí eu seguia com a cintilografia com MIBG. Isso economiza procedimentos desnecessários — uma adrenalectomia por feocromocitoma falso positivo é complicada pra caramba.

O aldosterona também merece atenção. O sistema renina-angiotensina-aldosterona é sensato, mas o teste de triagem (relação aldosterona/renina) tem taxa alta de falsos positivos. Diuréticos, IECA, BRA e até AINEs alteram a renina. Eu costumo orientar suspensão dos afetivos por pelo menos duas semanas antes, se clinicamente viável. Se o paciente tem hipertensão refratária e hipocalemia espontânea, o teste já é justificado independentemente da medicação. Resumindo o que a glândula supra renal produz: cortisol, aldosterona, DHEA, adrenalina e norepinefrina. Cada um com sua via de regulação, seus interferentes e suas armadilhas diagnósticas. O importante é saber qual fração a questão tá endereçando antes de interpretar qualquer resultado.