O que era o método de captura de baleias nos tempos antigos
A prática de capturar baleias não surgiu de um dia para o outro. Ela começou no século XII, quando comunidades bascas no Golfo da Biscaia perceberam que podiam caçar baleias-francas perto da costa. As técnicas eram básicas, mas eficazes. Usavam barcos abertos remados à força e lanças de madeira com pontas de ferro. A baleia-franca era o alvo principal porque boiava quando morta, o que facilitava o arraste. Isso mudava completamente a logística de captura. Baleias azuis, por exemplo, afundavam ao morrer, o que tornava a captura praticamente inviável com a tecnologia da época.historia do bale clássico
A história do método clássico de captura de baleias tem raízes que se perdem na idade média. Os vikings já praticavam alguma forma de caça à baleia-nooruega por volta do século IX, mas foi com os bascos que o ofício se profissionalizou. Eles estabeleceram estações fixas na costa do que hoje é o sul da França e norte da Espanha. Uma estação básica incluía uma casa de observação no topo de um morro, um estaleiro para consertar barcos, e uma fornalha para derreter a gordura em barris. O processo em si era simples na teoria. Um observador avistava um cardume. Tocava um sino ou acendia uma fogueira como sinal. A tripulação entrava nos barcos e Remava em direção ao animal. O arponeador ficava na proa com uma lança de cerca de três metros. A lança tinha uma corda amarrada na ponta. Quando a lança perfurava a baleia, a corda desembaraçava e o barco começava a circular em torno do animal, desgastando-o até ele exaurir. Isso podia levar de trinta minutos a duas horas, dependendo do tamanho e da espécie.
A parte mais trabalhosa acontecia após a morte. O barco era amarrado lateralmente à carcaça. Dois trabalhadores entravam numa escuna pequena e faziam um corte logo atrás da cabeça, até a espinha dorsal. Essa era a região onde a camada de gordura, chamada blubber, era mais espessa. A gordura era retirada em fatias grossas usando facões especializados. Cada fatia era jogada num barril ou directamente na fornalha. O óleo era extraído por aquecimento lento em fornos de alvenaria. O processo levava entre oito e doze horas para um lote médio de doze toneladas de gordura. O óleo resultante era filtrado através de peneiras de crina e armazenado em barris de carvalho. Um único bia-franca adulta podia produzir entre mil e dois mil litros de óleo de qualidade comercial.
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Os holandeses aperfeiçoaram o método no século XVII. Eles introduziram o uso de harpins com ponta de crossbow, que perfuravam mais fundo e dificultavam a perda do projétil. Também criaram o conceito de navio-fábrica, que processava as baleias directamente em alto mar em vez de transportar a carcaça inteira de volta ao porto. Isso reduzia o tempo de apodrecimento e aumentava o rendimento em cerca de quarenta por cento. No Brasil, a caça às baleias chegou com os portugueses no século XVI. Os primeiros registos formais datam de 1530, na costa de Pernambuco. Mas foi no século XIX que a actividade ganhou escala industrial. Entre 1850 e 1900, vários-armadares brasileiros operavam nas águas costeiras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. A baleia-franca-do-sul era a espécie mais capturada nessa região. O óleo era muito procurado para iluminação pública e para o fabrico de sabão.
Um detalhe que poucos mencionam é a questão do tempo de entrega. A baleia precisava ser processada dentro de seis horas após a morte para que o óleo não desenvolvesse cheiro forte de ranço. Em dias quentes de verão, esse prazo podia reduzir para quatro horas. Muitos armadores perdia lotes inteiros por não terem estrutura suficiente no porto de destino para processar o pescado rapidamente. O declínio começou de forma lenta e quase imperceptível. A caça excessiva reduziu as populações de baleias-francas em cerca de oitenta por cento entre 1850 e 1920. Os preços do óleo de baleia também caíram com a descoberta do petróleo, que produzia querosene muito mais barato para iluminação. Mesmo assim, a actividade persistiu até a segunda metade do século XX em alguns países.
A Noruega manteve caça comercial activa até 1973. O Japão até 1987. A União Soviética nunca admitiu oficialmente, mas estimativas de desclassificação mostram que eles capturaram mais de dezasseis mil baleias-azuis apenas entre 1948 e 1972, quase levando a espécie à extinção. A International Whaling Commission estabelecida em 1946 só conseguiu uma moratória efectiva em 1986, graças à pressão de estudos científicos que demonstravam o colapso populacional em quase todas as espécies grandes. Hoje, o que resta são os métodos tradicionais documentados em museus e livros antigos. Algumas comunidades indígenas ainda praticam caça subsistência de baleias sob licenças muito restritas, como os inuítes do Alasca e do Canadá, que capturam cinerárias para consumo próprio. No Brasil, a caça comercial está proibida desde 1987, mas as baleias-francas-do-sul começaram a regresar às costas catarinenses nos anos 2000, e o turismo de observação se tornou uma importante fonte de renda local em locais como a Costa dos Corais e o Parque Estadual da Serra do Mar.