Concordância em português: o guia prático que ninguém conta
A concordância nominal e verbal é um dos temas que mais gera dúvida, especialmente em concursos e provas do ensino médio. Muita gente estuda a regra de coro e, na hora da questão, errou na interpretação do contexto. O problema não é decorar — é saber aplicar quando o enunciado tenta confundir.
Como indicate a alternativa em que não há erro de concordância
A primeira coisa é ler cada frase com atenção ao sujeito. A maioria dos erros de concordância acontece quando o sujeito está separado do verbo por uma expressão intermediária, como "de todos nós", "entre nós", "a maioria de". Quando isso acontece, o verbo não deve se deixar enganar pelo termo que está no meio. Tome este exemplo comum: "A maioria dos alunos chegou tarde." Está correto. "A maioria" é o sujeito, e é singular, então o verbo permanece no singular. Muitos candidatos erram aqui porque veem "alunos" e querem colocar o verbo no plural. Isso não se aplica. O predicativo do sujeito, sim, pode flexionar: "A maioria dos alunos foi à festa." ou "A maioria dos alunos foram à festa." Ambas são aceitas, mas a norma culta preferencialmente mantém a concordância com o núcleo "maioria".
Outro ponto crítico é a concordância com expressões partitivas como "um terço de", "metade de", "a maior parte de". O verbo pode concordar tanto com o numeral quanto com o substantivo que vem depois. "Um terço dos alunos faltou" e "Um terço dos alunos faltaram" são ambas corretas, embora a primeira seja mais comum na linguagem formal. Os pronomes de tratamento também merecem cuidado. "Vossa Senhoria" pede verbo na terceira pessoa. "Vossa Excelência" também. Não adianta pensar que, por usar "vós", o verbo tem que ir para a segunda pessoa. Em questões de prova, essa pegadinha aparece com frequência.
Quando se trata de "é pouco" ou "bastante", a flexão depende do sentido. "Cem reais é pouco" — aqui "pouco" é predicativo e fica no singular. "As pessoas são bastantes" seria errado; o correto seria "As pessoas são bastantíssimas" ou simplesmente "As pessoas são muitas". "Bastante" como advérbio é invariável: "Eles trabalharam bastante." Um caso que sempre me peguei em revisão de texto foi a concordância com "cansaço" e "vergonha alheia". Frases como "Isso deu muita vergonha alheia" estão corretas. O sujeito é "isso", e "vergonha alheia" é o complemento. Não há erro aqui.
Em redações e provas, também é frequente o erro com "mesmo" e "próprio". "As alunas mesmas vieram" — aqui "mesmas" concorda com "alunas". Já "Ele mesmo fez o trabalho" — "mesmo" é pronome adjetivo e concorda com "ele". A diferença é sutil mas importante. Uma dica prática que uso e recomendo: sublinhe sempre o sujeito antes de analisar a concordância. Quando o sujeito é claro, a análise fica mais rápida. Se houver voz passiva, identifique o agente da passiva e o paciente. Em frases com "haver" no sentido de existir, o verbo é sempre impessoal e fica no singular: "Havia muitos problemas." Nunca "haviam muitos problemas." Esse é um erro que aparece quase toda prova.
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Quanto à concordância ideológica, ela existe mas é mais aceitável na linguagem escrita formal quando há sincretismo claro entre os elementos. "O engenheiro e o arquiteto foram juntos." — okay. "O engenheiro e o arquiteto foi junto." — errado. A concordância ideológica permite que o verbo fique no singular quando os dois sujeitos se referem à mesma pessoa ou coisa, mas isso é raro e requer cautela.
Erros comuns que você precisa evitar
A concordância com "mais de um" exige verbo no singular quando se refere a ação simultânea: "Mais de um candidato erre a questão." Mas quando há ideia de reciprocidade, o verbo vai para o plural: "Mais de um candidato se olharam." Essa distinção é frequente em questões de múltipla escolha e separa quem domina o tema de quem apenas decorou regras. O uso de "qualquer um" também causa confusão. "Qualquer um deles virá." — correto. "Qualquer um deles virão." — errado. O sujeito é "qualquer um" (singular), não "deles".
Quando o sujeito é composto anteposto ao verbo, a concordância é sempre no plural: "O diretor e o coordenador chegaram." Se o sujeito composto for posposto, a concordância pode ser plural ou singular, mas a norma culta prefere o plural: "Chegaram o diretor e o coordenador." ou "Chegou o diretor e o coordenador." Ambas são aceitas, mas a primeira é mais recomendada.
Um caso específico que encontrei na prática
Revendo uma banca de concurso para servidor público, deparei-me com uma questão sobre a concordância de "é necessário". A frase apresentada era: "É necessário mais explicações." Muitos candidatos marcaram como errada, mas a banca considerava correta, pois "é necessário" pode concordar com o substantivo quando este é determinado: "É necessárias mais explicações." No entanto, a norma culta tradicional mantém o adjetivo no singular: "É necessário mais explicações." A discussão é antiga e as bancas têm posições diferentes. Minha recomendação prática é sempre verificar o padrão da banca em estudo. Para o ENEM e para a maioria dos concursos federais, a forma invariável ("é necessário") é a mais segura.
Alternativas sem erro de concordância
Para indicar a alternativa correta em questões desse tipo, o método mais confiável é o seguinte: identifique o sujeito de cada verbo, verifique se há expresses impessoais (como "haver" no sentido de existir e "fazer" indicando tempo), e checar a concordância de adjetivos e pronomes com seus substantivos de referência. Quando o sujeito está afastado do verbo, reconduza o olhar ao núcleo substantival antes de decidir pela flexão. Em resumo, a concordância não é apenas decorar regras — é entender a estrutura sintática de cada frase. Pratique com questões reais, analise cada erro e anote os casos que mais caem. Com o tempo, a identificação fica automática e você economiza tempo tanto na prova quanto na revisão de textos profissionais.
Alternativa sem erro de concordância
Quando o enunciado pede para indicar a alternativa em que não há erro de concordância, o caminho é eliminar as opções que contenham algum dos erros listados acima. Fique atento a: verbos no plural com sujeito singular mal identificado; "haver" no sentido de existir flexionado erroneamente; "mais de um" com verbo no plural em contexto de ação simultânea; e pronomes de tratamento com conjugação na segunda pessoa. A alternativa que sobreviver a essa triagem é, com alta probabilidade, a correta.