Entendendo informações explícitas e implícitas na prática
A diferença entre informações explícitas e implícitas que ninguém te explica direito
Informações explícitas são aquelas que estão escritas, declaradas, documentadas de forma direta. Você as encontra em manuais, especificações técnicas, variáveis de banco de dados, comentários no código. São fáceis de localizar porque simplesmente estão ali, visíveis. Informações implícitas, por outro lado, não estão escritas em lugar nenhum. Elas derivam do contexto, de padrões não documentados, de relações entre dados que exigem inferência. A maioria dos problemas reais em projetos de integração de dados ou análise ocorre porque alguém tratou informação implícita como se fosse explícita, ou vice-versa.Eu trabalhei com um sistema de integração onde os campos de data vinham em três formatos diferentes dependendo do estado da federação que enviava o dado. O padrão estava documentado apenas em um PDF de 2014 que ninguém mais lia. As regras de validação de data para cada estado estavam espalhadas em planilhas de Excel que ninguém sabia ao certo quem mantinha. O resultado era que cerca de 18% dos registros precisavam ser ajustados manualmente após o processamento automático, o que gerava uma fila de correções que crescia mais rápido do que a equipe conseguia limpar.
A solução que funcionou foi criar uma camada de mapeamento em CSV separada dos dados brutos, onde cada estado tinha suas próprias regras de formatação listadas de forma explícita. Isso cortou o tempo médio de processamento de quatro horas para cerca de trinta minutos por lote, e eliminou quase completamente a necessidade de intervenção manual. O problema original era que as regras estavam implícitas no conhecimento da equipe e não eram acessíveis de forma estruturada.
Como identificar informações implícitas em fluxos de dados
O primeiro passo é olhar para o que falta. Se você tem um registro com código do produto mas não tem o nome do produto, e sabe que existe uma tabela de cadastro que deveria ter esse nome, a informação está implícita na relação entre as duas fontes. A chave aqui é perceber que a ausência de dados às vezes é mais informativa do que a presença deles. Dados que deveriam existir mas não existem frequentemente carregam informação sobre como o sistema foi construído, quem alimentou, quando e sob quais regras.Outro sinal comum é a dependência de convenções de nomenclatura. Campos chamados "dt_ref", "dataef", "cod_est" parecem arbitrários até você entender que "dt" é abreviação de data, "ref" de referência, "est" de estado. Essas convenções são informações implícitas que qualquer nova pessoa no projeto precisa aprender, e elas nunca estão explicadas em lugar nenhum quando o pessoal que as criou já saiu da empresa.
Onde a maioria das pessoas erra
O erro mais frequente é assumir que toda informação relevante está disponível de forma explícita e que basta juntar as fontes. Na prática, aproximadamente dois terços da complexidade em projetos de tratamento de dados vêm de informações implícitas que precisam ser recuperadas ou reconstruídas. Isso inclui relações entre tabelas que nunca foram documentadas, regras de negócio escondidas em código legado, e condições de contorno que só aparecem quando os dados atingem determinado volume. Um caso específico que tive foi com dados de vendas onde o campo "valor_unitario" parecia simples à primeira vista. O problema era que para certos produtos o valor estava em centavos e para outros em reais, e a convenção dependia do código do fornecedor, que por sua vez variava conforme o contrato vigente na época da venda. Não havia nenhuma coluna indicando qual moeda usar. A informação estava totalmente implícita na interseção de três tabelas que não tinham nenhuma relação aparente à superfície. Levei duas semanas mapeando isso porque não sabia que existia, não porque fosse difícil depois que descobri.Como documentar o que está implícito
A abordagem que eu recomendo é criar um artefato separado, mesmo que simples, onde você registra explicitamente tudo que descobriu ser implícito. Pode ser uma planilha, um documento markdown, o que for mais fácil de manter acessível. O formato importa menos do que o hábito de capturar antes que a informação vaze junto com alguém que sai do projeto.👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Meu padrão atual é uma tabela com colunas para: fonte original, campo identificado, natureza da informação (relação, convenção, regra de negócio, limitação técnica), onde ela está efetivamente armazenada, e como pode ser transformada em explícita. Isso leva cerca de dez minutos por bloco de dados e evita que o mesmo problema reapareça em integrações futuras.
Limitações que vale a pena saber antes de começar
Nem toda informação implícita pode ou deve ser tornada explícita. Em sistemas muito dinâmicos, onde regras mudam com frequência, tentar documentar tudo acaba gerando um esforço de manutenção que consome mais tempo do que o próprio processamento. Nesses casos, o custo-benefício de capturar apenas as regras mais estáveis e deixar as variáveis como estão costuma ser o caminho mais razoável.Também é importante reconhecer que informações implícitas relacionadas a decisões humanas — como critérios de aprovação, negociações entre áreas, ou ajustes informais feitos para contornar limitações do sistema — muitas vezes não podem ser completamente explicitadas porque nem seus autores têm consciência plena delas. Nesse tipo de situação, a solução prática é trabalhar com margem de erro ou construir workflows que permitam revisão humana nos pontos críticos em vez de tentar automatizar algo que por definição é incompreensível de forma completa.