A realiadde do iPad Air 1 em 2026
Se você está considerando comprar um iPad Air 1 hoje, seja de graça, por R$300 ou R$500, a resposta curta é: depende muito do que você vai fazer com ele. O aparelho foi lançado em 2013, roda no chip A7 com 1GB de RAM, e só atualiza até o iOS 12.5.7. Isso significa que muita coisa que consideramos normal hoje simplesmente não funciona nele. A Netflix, o YouTube, o Disney+ — funcionam, mas versões limitadas. Muitos apps do dia a dia, especialmente bancários, já não dão mais suporte a iOS 12. Aplicativos de produtividade como Notion e algumas versões do Word e Excel têm versão para iOS 12, mas ficam lentas e com recursos cortados. Jogos modernos? Não rodam. Jogos antigos e levezs, como Among Us nas configurações baixas, Minecraft PE versão antiga, Angry Birds — esses ainda funcionam.
O desempenho do A7 é o maior gargalo. Abre uma página com muitos scripts e você espera. Troca de app com frequência e vê o reload. O iPad em si não trava completamente, mas a sensação de lentidão é constante após um uso de mais de 30 minutos seguido.
ipad air 1 ainda vale a pena
Vale a pena se o uso for estritamente limitado a: assistir vídeos (sim, dá), ler livros e PDFs, anotar com lápis original (suporte nativo), navegar leve na internet, e usar como quadro de decoração inteligente ou relógio de cozinha com o HomeKit antigo. Se o orçamento tá apertado e você acha que vai usar pra tudo, não compra. Vai se frustrar em uma semana. Eu tenho um aqui em casa que eu usei por dois anos como leitor de quadrinhos e controle remoto universal. Funcionou bem até eu tentar rodar o app do iFood. A versão compatible com iOS 12 simplesmente não existia mais na App Store. Tive que usar o Safari. Funcionou, mas o carregamento era de 15 a 20 segundos. Pra alguém acostumado com a velocidade de um celular 2024, isso é irritante.
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Um problema bem específico que eu encontrei: o carregador original de 12W era insuficiente pra carregar o iPad enquanto eu usava. O aparelho esquentava e a bateria descendia devagar. A solução foi usar um carregador de iPhone mais potente (20W) com um adaptador de 30-pin para USB-C, que compra por uns R$15 no Mercado Livre. Isso resolveu o problema de carga, mas o aquecimento persiste em tarefas mais pesadas como abrir várias abas no Safari. O que pouca gente menciona: o iPad Air 1 é compatível com o Apple Pencil de primeira geração, mas a troca de bateria do pencil por si só é ruim porque ele carrega grudado no conector lightning lateral do iPad. Quando você conecta o pencil, o iPad não carrega. Eu resolvi isso usando um cabo Y de carga dupla que divide o carregamento entre o iPad e o pencil ao mesmo tempo, mas é uma gambiarra. Dá certo, mas não é elegante.
Outro ponto contra-intuitivo que eu descobri na prática: o iPad Air 1 tem mais memória RAM do que o iPad 5ª geração (que veio com o mesmo chip A10 mas só 2GB). Parece não fazer diferença no dia a dia, mas quando você roda múltiplas instâncias do mesmo app (como ter dois navegadores abertos), o Air 1 se sai melhor porque o A7 consegue gerenciar melhor a memória disponível do que o A10 com menos RAM. É contraprodutivo, mas acontece. O custo-benefício real depende do preço. Se alguém te der de graça ou cobrar menos de R$200, é razoável. Por R$300 ou mais, já compensa olhar um iPad 7ª geração usado, que roda iOS 17, tem USB-C, e o desempenho é pelo menos 3x superior. O salto de iOS 12 pra 17 é enorme em termos de suporte a apps e segurança.
Se você for usar exclusivamente como leitor de PDF/e-reader e não se importa com apps modernos, o Air 1 ainda cumpre o papel. Mas saiba que a Apple provavelmente vai descontinuar o suporte a muitos serviços que rodam nele nos próximos 2-3 anos, então o tempo de vida útil é curto mesmo pra esse uso específico.