Roteiro de 12 dias no Japão – O que ver e visitar no País do Sol ...
Planejando uma viagem ao Japão: o guia prático
O Japão é um dos destinos mais visitados do mundo, mas a primeira coisa que você precisa entender é que ele não é um país para turistas despreparados. A infraestrutura é excelente, os trens são pontuais, a segurança é alta, mas o custo é elevadíssimo comparado a qualquer outro destino asiático e a cultura de atendimento exige adaptação. Você não vai conseguir furar filas, não espere que pessoas falem inglês fluentemente e esqueça a ideia de improvisar roteiros no dia.
Japão o que visitar: priorizando suas opções
A maioria dos primeiros visitantes foca em três cidades principais: Tóquio, Quioto e Osaka. Essa rota básica cobre cerca de 80% do que qualquer guia turístico lista, e para a maioria das pessoas, isso é suficiente para uma primeira viagem de 10 a 14 dias.
Tóquio é enorme e diversa. Shinjuku e Shibuya oferecem a experiência urbana mais intensa, enquanto Asakusa e Akihabara dão um gosto de tradição e cultura pop, respectivamente. O pessoal de Tóquio é rápido, muito rápido, então se você quer fazer boas fotos nos cruzamentos famosos, vá no primeiro domingo de manhã. Há menos gente e o fluxo é mais controlado. Já em dias comuns de semana, o trânsito nas estações de metrô em horários de pico é esmagador. Leve isso em conta ao planejar deslocamentos.
Quioto é o destino histórico por excelência. Templos, jardins e o distrito de Gion formam um conjunto impressionante. Porém, o excesso de turismo aqui já é problema real. Kinkaku-ji e Fushimi Inari recebem centenas de milhares de visitantes por dia, o que transformou a experiência em uma caminhada entre multidões. Recomendo ir a Fushimi Inari ao nascer do sol, antes das 6h da manhã, ou evitar totalmente os períodos de alta temporada como o Golden Week (final de abril/início de maio) e o cherry blossom season (março a abril), quando os preços de hospedagem triplicam.
Osaka é mais descontraída e conhecida pela comida. Dotonbori é o coração gastronômico, mas também o mais lotado. Se você busca autenticidade, explore os bairros residenciais ao redor de Namba e Umeda. Os mercados locais, como o Kuromon, oferecem qualidade semelhante com muito menos aglomeração, ainda que sejam mais caros que as barracas de rua.
Detalhes práticos que fazem diferença
O cartão Suica ou Pasmo para transporte público é essencial em Tóquio. Se você estiver apenas visitando grandes cidades e usando principalmente trens, o JR Pass pode não valer mais o custo desde que os preços foram reajustados em outubro de 2023. Uma passagem de ida e volta de Tóquio a Quioto em shinkansen agora custa aproximadamente 28.000 ienes, enquanto o JR Pass de 7 dias custa 50.000 ienes para classe ordinária. Para um roteiro linear clássico, o JR Pass simplesmente não compensa mais. Compre passes regionais específicos ou compre passagens avulsas. Isso pode reduzir significativamente seu orçamento de transporte.
Hospedagem também exige estratégia. Hotéis no Japão são notoriamente pequenos. Um quarto standard em Tóquio frequentemente tem apenas 12 a 15 metros quadrados. Reserve com antecedência, especialmente para hotéis de rede como APA, Dormy Inn ou Toyoko Inn, que oferecem bom custo-benefício. Ryokans tradicionais são uma experiência interessante em Quioto, mas custam entre 20.000 e 60.000 ienes por pessoa por noite, muitas vezes incluindo refeições kaiseki. Se o orçamento estiver apertado, considere hostels de qualidade como os da rede Siam Hostel em Tóquio ou o Piece Hostel Sanjo em Quioto.
Alimentação é outro ponto que muitos subestimam. Comer fora no Japão varia amplamente. Ramen em estabelecimentos de rua custa entre 800 e 1.500 ienes por bowl. Um lunch set em um restaurante comum varia de 1.000 a 2.500 ienes. Jantar em restaurantes médios gira em torno de 3.000 a 6.000 ienes por pessoa. Supermercados como Lawson, FamilyMart e Seven Premium oferecem comidas prontas de qualidade surpreendente por preços entre 300 e 600 ienes. Refeições de convenience store podem funcionar bem para um ou dois jantares, especialmente em hotéis sem cozinha.
Questões logísticas que você não vai ler em guias comuns
O sistema de transportes japonês funciona por linhas e empresas diferentes. JR Central, JR West, Tokyo Metro, Toei e centenas de operadoras privadas operam linhas distintas. Compre o IC Card Suica ou ICOCA no aeroporto ao chegar. Ele funciona em quase todas as redes de metrô, trens urbanos e até em máquinas de venda automática. É a forma mais simples de se locomover sem ficar comprando bilhetes a cada trecho.
Se você pretende visitar cidades fora do circuito principal, como Kanazawa, Takayama ou Hiroshima, considere o JR Kansai-Hiroshima Area Pass ou o JR Tokyo Wide Pass, dependendo do roteiro. Esses passes cobrem trens regionais e algumas linhas shinkansen específicas. Fiz essa confusão pela primeira vez em 2019 e acabei gastando muito mais do que o necessário porque comprei o JR Pass Nationwide inteiro para um roteiro que mal usava o trem bala. Perdi aproximadamente 15.000 ienes nesse erro. Aprendi a calcular linha por linha depois disso.
Reservas de restaurantes populares são obrigatórias em muitos casos. Estabelecimentos como Ichiran, Ippudo e diversos ramen shops com estrelas Michelin aceitam reservas apenas online ou via aplicativo. Sem reserva, o tempo de espera pode ultrapassar duas horas, especialmente durante o horário do almoço. Use a plataforma Tabibito ou faça reserva diretamente pelo site do restaurante quando disponível.
O Wi-Fi tem sido um problema crônico para visitantes. A maioria dos hotéis oferece acesso gratuito, mas a velocidade é variável e frequentemente instável em áreas turísticas movimentadas. Contrate um Pocket Wi-Fi no aeroporto ao chegar ou use um eSIM como a Airalo ou Nomad. A cobertura 5G das operadoras japonesas é excelente, mas a roaming internacional pode ser cara. Uma opção econômica é comprar um chip SIM pré-pago na chegada no terminal, opções como SoftBank ou Docomo oferecem pacotes turísticos de 7 a 30 dias por cerca de 3.000 a 6.000 ienes.
Custos estimados e planejamento financeiro
Uma viagem de 12 dias ao Japão para uma pessoa, em categoria média, custa entre 1.200 e 2.000 dólares americanos, dependendo do nível de conforto. Voos internacionais variam conforme a origem e a época. Saídas da Europa em baixa temporada podem encontrar passagens por 600 a 900 dólares. América do Sul exige conexões e os valores sobem para 1.000 a 1.500 dólares.
Orçamento diário interno: hospedagem econômica (hostel ou hotel simples) custa 40 a 80 dólares por noite. Alimentação diária razoável fica entre 40 e 80 dólares. Transporte urbano diário varia de 10 a 20 dólares. Entretenimento e ingressos para templos e atrações custam entre 10 e 30 dólares por dia.
Para economizar, evite viajar em períodos de feriados nacionais japoneses. Golden Week, Obon e o Ano Novo representam preços de hospedagem inflacionados em até 300% e lotação extrema em todos os pontos turísticos. O melhor período para visitar é de maio a junho e de setembro a outubro, quando o clima é agradável e há menos multidões.