Jogo Das Emocoes - Jogo das Emoções - Bia - Ensinando com Amor
Jogo das Emoções - Bia - Ensinando com Amor

Como funcionam as sessões de jogo das emoções na prática

O jogo das emoções é uma ferramenta usada principalmente em contextos terapêuticos e de coaching para ajudar as pessoas a identificarem, nomearem e processarem sentimentos que muitas vezes ficam presos ou mal interpretados. Não é um brinquedo de crianada, apesar do nome. É um protocolo estruturado que funciona melhor quando o facilitador sabe o que está fazendo, porque senão vira uma conversa aleatória que não leva a lugar nenhum. A mecânica básica envolve um conjunto de cartas ou fichas com nomes de emoções, às vezes organizadas por intensidade ou valência (prazer/desprazer). O participante escolhe as que ressoam com o momento presente, comenta porquê, e o terapeuta ou coach ajuda a mapear o que está acontecendo por baixo. Parece simples. É simples, mas a complexidade aparece na execução.

jogo das emoções

Quando aplicamos o jogo das emoções em sessão, a parte que mais gera confusão é a seleção inicial. As pessoas tendem a escolher emoções socialmente aceitáveis — raiva, tristeza, medo — e deixam de fora coisas como vergonha, culpa, ansiedade ou até mesmo alegria. Isso distorce o diagnóstico emocional. Na minha prática, percebi que pedir para o participante identificar primeiro o que ele não sente costuma ser mais revelador do que pedir o oposto. Um paciente meu, por exemplo, disse num primeiro momento que não sentia raiva. Depois de fazer o exercício invertido, percebeu que estava projetando frustração como cansaço físico. A virada veio quando mapeamos a tensão no ombro direito com o padrão de pensamento repetitivo que ele tinha durante o dia. O segredo do jogo das emoções não está nas cartas. Está na forma como você guia a pessoa a conectar a palavra ao corpo. Emoção é um evento psicofisiológico. Se a sessão ficar só no nível verbal, você perde 60% do benefício. Coloque a pessoa para sentir onde no corpo a emoção aparece antes de nomeá-la. Eu costumo dizer algo como: "Antes de escolher a carta, feche os olhos e Percorra onde há tensão ou alívio no corpo agora." A escolha muda radicalmente.

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Um problema comum que vejo gente cometer é usar o jogo das emoções como atalho para resolver conflitos relacionais. Funciona quando uma pessoa quer se entender melhor. Não funciona bem quando dois parceiros entram na mesma sessão esperando que o outro mude de opinião. O protocolo foi desenhado para autoconhecimento, não para mediação de disputas. Quando tentei aplicar em casais num contexto de conflito não resolvido, o resultado foi os dois usando as emoções validadas como munição para o argumento seguinte. Melhor recomendar o jogo das emoções primeiro como exercício individual, e só depois, se fizer sentido, como ponte para a comunicação em casal. Outro ponto que pouca gente menciona: a seleção de cartas padrão já é limitada para certos perfis. Cartas com emoções básicas cobrem o básico mesmo. Pessoas com alexitimia moderada — aquelas que têm dificuldade de identificar e descrever emoções — podem travar completamente. A solução prática é ampliar o repertório. Inclua cards com sensações corporais, estados de energia, e termos mais específicos como "nostalgia", "alívio", "indignação". Quanto mais granularidade, mais preciso fica o mapeamento.

Se você quer fazer isso por conta própria, existem versões impressas e apps que vendem como "jogo das emoções". Cuidado com apps genéricos. A maioria não tem fundamentação e simplesmente sorteiam emoções sem contexto. Procure aqueles que vêm com manual de aplicação, preferencialmente desenvolvidos por profissionais de saúde mental. O tempo médio de uma sessão bem conduzida com jogo das emoções é entre 30 e 45 minutos. Menos que isso é rosca. Mais do que isso geralmente indica que o facilitador não está conseguindo conduzir o fluxo e está enrolando. O jogo das emoções também não substitui acompanhamento terapêutico quando há transtornos de humor diagnosticados. É uma ferramenta complementar, não um tratamento. Se alguém está passando por depressão clínica ou ansiedade generalizada séria, o jogo pode até ajudar a criar vocabulário emocional, mas não vai tratar a condição. Nesse caso, o ideal é combinar com tratamento profissional adequado. Eu mesmo já vi clientes que usavam o jogo como forma de automedicação emocional e adiavam procurar ajuda por meses. O exercício é válido, mas tem limite claro.