Uma revisão honesta sobre o lapis de cor leo e leo 24 cores
O Leo é uma marca brasileira que existe há décadas no mercado escolar e artístico popular. Os lápis de cor da linha padrão com 24 cores são provavelmente o produto mais vendido da categoria no Brasil. O preço costuma ficar entre R$15 e R$30 dependendo da loja, e isso já diz muito sobre o que você está comprando.
lapis de cor leo e leo 24 cores
O que eu queria explicar aqui não é a ficha técnica que está na embalagem. É o que acontece quando você realmente começa a usar esses lápios no dia a dia, e não apenas na primeira vez que abre a caixa. O gráficoite é à base de argila e pigmento, com um ligante de cera. Isso significa basicamente que a camada que você deposita no papel tem limite físico. Se você passar a mão no traço ainda fresco, vai sentir a textura ligeiramente pegajosa. Não é defeito, é a natureza do material. Eu já vi gente reclamando achando que o lápis estava estragado, quando na verdade era só a cera subindo à superfície mesmo.
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Uma coisa que quase ninguém menciona nas análises superficiais: a opacidade desses lápis varia muito entre as cores. Os tons escuros, como o preto e o azul-marinho, cobrem razoavelmente bem. Mas os tons claros como amarelo-claro, rosa-pálido e laranja-sucroso praticamente não opõem sobre papel branco ou cores escuras. Se você quer fazer sombreamento em camadas claras sobre escuras com essa linha específica, esqueça. A solução real é começar pela cor mais clara e ir escurecendo, não o contrário. Outro ponto prático que eu aprendi na marra: a pressão que você faz no lápis não linearmente proporcional à saturação. Nos primeiros três ou quatro centímetros do núcleo, você consegue uma carga média de cor. Depois disso, precisa aplicar muito mais força para ganhar um pouquinho a mais, e começa a comprimir a fibra do papel até criar aquela textura brilhante indesejada. Eu costumava forçar demais e minha mão cansava em quinze minutos. A partir de certa experiência, entendi que o segredo são várias passadas leves, não uma única passada forte. Isso dobra ou triplica o tempo de trabalho, mas o resultado final é bem melhor.
Um problema específico que eu enfrentei recentemente: as cores verde-limão e amarelo-manteiga eram praticamente idênticas na minha caixa. Eu estava fazendo uma ilustração botânica e percebi tarde demais que não tinha como distinguir folha nova de folha madura. A solução que funcinou foi marcar a parte de baixo de cada lápis com uma caneta permanente antes de começar a trabalhar. Leva trinta segundos e evita esse tipo de dor de cabeça. Quanto à durabilidade, o mineiro tem um diâmetro padrão de madeira em torno de 6 milímetros, o que é comum nessa faixa de preço. Com uso moderado — digamos duas horas por semana — a ponta gasta num ritmo que exige apontar a cada meia dúzia de desenhos. O apontador comum de rosca funciona, mas deixa rebarbas na madeira. Eu prefiro um apontador de lâmina dupla, aquele tipo manual, porque controla melhor o formato da ponta e o núcleo de pigmento não quebra com tanta facilidade.
Se você precisa de algo mais profissional, existem linhas melhores no mercado. A Faber-Castell 9000 ou os Prismacolor Premier são outros patamares. Mas o Leo 24 cores cumpre o papel para desenho escolar, rabiscos rápidos e projetos que não exigem acabamento fino. Ele não é ruim, só é o que é. E conhecer os limites dele evita frustração na hora de usar. Uma última coisa prática: o estojo plástico que acompanha o kit é bastante comum no mercado. As tampas das caixinhas menores costumam quebrar depois de alguns meses de transporte na mochila. Eu simplesmente removi todas as divisórias internas e passei a guardar os lápis soltos num potinho de vidro vazio. Ocupa menos espaço e nenhum núcleo quebra pelo atrito entre si.