Largura De Um Tijolo - Dimensão tijolo 8 furos – Medidas de um tijolo 8 furos
Dimensão tijolo 8 furos – Medidas de um tijolo 8 furos

Por que a largura do tijolo é mais complicada do que parece

A maioria das pessoas acha que basta abrir a Tabela de Composições de Custos do SINAPI e copiar o valor. O problema é que não existe um único tijolo. Existe uma série de modelos, cada um com dimensões diferentes, e usar a largura errada na sua planilha pode fazer seu orçamento desviar 15% ou mais sem que você perceba no meio do serviço. Antes de tudo, o conceito de largura de um tijolo se refere à menor face da peça, aquela que fica apoiada na alvenaria e determina a espessura da parede. A altura é o maior comprimento, e o comprimento é a dimensão horizontal quando o tijolo está assentado. Confundir essas medidas é o erro mais comum em composições orçamentárias mal elaboradas.

Entendendo a largura de um tijolo na prática

No mercado brasileiro, os tijolos mais usados são o cerâmico estrutural de 8 furos, o bloco de concreto, o tijolo ecológico e o block de vidro. Cada família tem suas variações de largura. Vou listar as medidas reais que eu vejo nos canteiros todos os dias, não as medidas teóricas da norma. O tijolo cerâmico de 8 furos padrão tem largura de 9 centímetros. Esse é o modelo que vai em paredes de divisória interna de 15 centímetros, porque conta com o rejunte de assentamento de 1,5 centímetro de cada lado. Já o tijolo cerâmico de 6 furos geralmente vem com 11,5 centímetros de largura, usado para paredes de 20 centímetros. Paredes de 24 centímetros utilizam o tijolo de 19 furos ou dois tijolos de 8 furos encostados com argamassa no meio.

O bloco de concreto tem outra lógica. O bloco de 14x19x39 com largura de 14 centímetros é o padrão para paredes de 15 centímetros. O bloco de 19 centímetros de largura vira parede de 20 centímetros. E o bloco de 21 centímetros é praticamente inviável comercialmente, então raramente aparece em composições reais. Quem escreve composição de custo precisa levar em conta o rejunte. O tijolo tem 9 centímetros de largura, mas a parede resulta em 15 centímetros porque o argamassa de assentamento adiciona 1,5 centímetro em cada face. Isso é coisa que muita gente esquece e acaba compondo um metro quadrado de alvenaria com a medida do tijolo seco, sem rejunte.

Eu já passei por um problema específico com um cliente que precisava montar uma composição para um prédio comercial usando tijolo cerâmico de 8 furos. A planilha pedia 38 unidades por metro quadrado, mas na minha medição real, considerando o rejeito e o corte, chegamos a 42 unidades. A diferença era porque a tabela padrão não considerava o desperdício de aproximadamente 10% para recortes em aberturas de janelas e esquadrias. Eu resolvi ajustando a composição adicionando 4 unidades extras por metro quadrado e registrando esse valor como perda no campo de consumo bruto, não no campo de produtividade. Funcionou sem inflar artificialmente o preço final.

Como calcular a largura de um tijolo para composição de custos

O método que eu uso não tem mistério. Você pega a dimensão real da peça, calcula a área de frente do tijolo considerando o rejunte, e divide 1 metro quadrado pela área unitária. Dá o número de peças por metro quadrado. A partir daí, entra a argamassa e o consumo. Vou mostrar com números. Tijolo cerâmico de 8 furos: comprimento 25 centímetros, altura 6 centímetros, largura 9 centímetros. Com rejunte de 1,5 centímetro, a altura útil vira 7,5 centímetros e o comprimento útil vira 26,5 centímetros. Área unitária com rejunte: 0,075 vezes 0,265, que dá aproximadamente 0,019875 metros quadrados. Um metro quadrado dividido por isso resulta em cerca de 50 peças. Na prática, considerando perdas, eu arredondo para 42 a 45 unidades por metro quadrado dependendo do tipo de serviço.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Para o bloco de concreto de 14 centímetros de largura, o cálculo é o mesmo. Comprimento 39 centímetros, altura 19 centímetros, rejunte 1,5 centímetro. Altura útil 20,5 centímetros, comprimento útil 40,5 centímetros. Área unitária aproximadamente 0,00830 metros quadrados. Um metro quadrado dividido por isso fica em torno de 120 blocos. Sem perda, com perda, cai para cerca de 130 blocos por metro quadrado. A argamassa de assentamento segue uma regra prática. Para tijolo cerâmico, o consumo médio de argamassa é de 0,012 metros cúbicos por metro quadrado de parede. Para bloco de concreto, o consumo sobe para cerca de 0,018 metros cúbicos por metro quadrado, porque o rejunte entre os blocos é mais volumoso e a absorção do material é diferente. Esses valores já incluem uma margem de perda operacional.

O que eu aprendi na prática e poucos manuais mencionam é que a umidade do tijolo interfere diretamente no consumo de argamassa. Tijolo cerâmico muito seco absorve água da argamassa durante o assentamento, e você precisa molhá-lo antes ou aumentar a dosagem de cimento na mistura. Se você não fizer isso, a aderência cai e a qualidade da alvenaria também. Já vi obra inteira parada porque o pedreiro usou tijolo seco sem pré-umidificação e a resistência da parede ficou comprometida. A solução simples éregar o material com mangueira duas horas antes do assentamento, ou deixar o tijolo em pilhas cobertas com lona para equilibrar a umidade. Outro detalhe que quase ninguém considera é a variação dimensional entre lotes diferentes do mesmo fabricante. Eu comprei tijolo cerâmico de duas fornecedoras diferentes para o mesmo projeto e as medidas variavam em até 3 milímetros. Isso altera o número de peças por metro quadrado e o volume de argamassa. A correção é testar cinco peças de cada fornecedor antes de fechar a composição, medindo comprimento, altura e largura com paquímetro ou trena de aço, e calcular uma média ponderada.

Pontos de atenção e limitações

O maior problema das tabelas prontas como o SINAPI e o BDIPB é que elas usam médias nacionais. Se você está em uma região onde o transporte do tijolo custa mais caro, a composição fica deficitária. O mesmo vale para mão de obra. Um pedreiro em São Paulo cobra diferente de um em Manaus, e isso não aparece na tabela padrão. Outra limitação séria é que as tabelas não consideram a altura do serviço. Assentar tijolo no térreo é diferente de assentar no sétimo andar sem elevador de carga. A produtividade cai significativamente, e o tempo por metro quadrado aumenta de 40% a 60%. Eu adapto essa queda adicionando um fator de produtividade no campo de insumos, multiplicando o tempo padrão por 1,5 para andares acima do terceiro.

Se você estiver trabalhando com tijolo ecológico ou auto adesivo, o método de cálculo muda completamente. Esse tipo de tijolo não usa argamassa de assentamento, então o consumo de areia e cimento cai para zero na face de montagem. O custo do material sobe, mas o custo da mão de obra desce. A compensação depende do preço local do tijolo ecológico versus o preço da argamassa convencional. Também é importante saber que a largura de um tijolo não determina sozinha a classificação da parede. A NBR 16240 define a resistência da alvenaria com base no tipo de tijolo, na resistência à compressão da peça e na resistência da argamassa. Uma parede de 15 centímetros com tijolo de 8 furos e argamassa fck 5 MPa tem resistência diferente de uma parede com bloco de concreto e argamassa fck 8 MPa. Se o projeto estrutural exigir uma resistência específica, você precisa ajustar a composição dos materiais, não apenas as quantidades.

O que funciona na prática é sempre validar a composição com uma medição real de canteiro. Eu monto a composição teórica, depois contrato um pequeno serviço de teste,.medo o tempo gasto e a quantidade real de materiais consumidos, e ajusto os fatores de perda e produtividade com base nesses dados. Esse processo leva cerca de uma semana, mas evita retrabalho e dissídio com o cliente. E a precisão fica em torno de 5% a 8%, que é o esperado para orçamentos de alvenaria bem feitos.