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Como resolver questões com múltiplas afirmativas em concursos

Questões que pedem para ler afirmativas e marcar a alternativa correta são das mais traiçoeiras na prova. O candidato lê rápido, pisa em uma armadilha simples e erra algo óbvio. Eu já vi gente competente deixar passar por isso porque o cérebro entra em piloto automático. O formato clássico traz de três a cinco afirmativas numeradas. Cada alternativa responde algo como "apenas I e III estão corretas" ou "todas estão certas". A estrutura em si é simples. O problema está em como você lê e processa cada item.

Leia as afirmativas a seguir com atenção plena

A primeira coisa que ninguém recomenda, mas que funciona, é não olhar as alternativas antes de ler as afirmativas. O cérebro tem uma tendência enorme de deixar a afirmativa "se encaixar" na primeira opção que parece plausível. Isso é um erro comum em prova de direito, onde uma afirmativa pode estar tecnicamente correta no contexto da lei, mas com uma exceção que você só identifica se ler o artigo completo na cabeça. Eu já perdi uma questão assim há alguns anos em um certame da área fiscal. A afirmativa II falava sobre prescrição intercorrente e citava o prazo de cinco anos com base no CPC de 2015. Parecia correta. Só que a pergunta era sobre execução fiscal, e a súmula 354 do STJ dá prazo diferente para prescrição da execução fiscal. Se eu tivesse lido a afirmativa isoladamente e depois comparado com as alternativas cegamente, teria marcado errado. Li cada uma, fiz uma pausa, e aí sim fui para as opções.

O método prático

Aqui vai o que eu faço de rotina. Não é brilhante, mas é eficiente e reduz drasticamente o índice de erro por distração. Primeiro, leio cada afirmativa individualmente e colo uma marcação mental ou física de V ou F. Não pule para a próxima até decidir aquela. Isso significa que às vezes você precisa consultar o texto da lei na prova se ela permitir consulta. Em provas que não permitem, treine até saber os prazos e súmulas de cor, ou pelo menos os mais cobrados.

Segundo, use a técnica de caça a absolutos. Afirmativas que usam palavras como "sempre", "nunca", "obrigatoriamente", "exclusivamente" são suspeitas. O direito e as ciências sociais raramente funcionam em branco e preto. Na prática, cerca de 70% dessas afirmativas absolutas estão erradas em provas de concurso. Não é regra absoluta, mas é um indicador forte o suficiente para dar confiança na sua marcação. Terceiro, quando chegar nas alternativas, faça um cruzamento. Se você marcou V-F-V nas afirmativas, por exemplo, qualquer alternativa que não corresponda a isso deve ser descartada imediatamente. Isso elimina opções rapidamente e deixa você focado nas que realmente podem estar certas.

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Pegadinhas que aparecem com frequência

Uma das mais comuns é a mudança de termo técnico. O examinador pega um conceito, muda uma palavra e transforma uma afirmativa correta em errada. Por exemplo, trocar "capacidade civil" por "capacidade processual" em uma questão de direito civil. São coisas relacionadas, mas não idênticas. Se você ler depressa, não percebe a troca. Outra pegadinha clássica é a afirmativa que começa certa e termina errada. Tipo: "O art. 5º da Constituição garante a livre manifestação do pensamento, sendo que sua restrição é vedada em qualquer hipótese." A primeira parte está correta. A segunda não, porque há hipóteses de restrição. O candidato marca como certa porque o cérebro para na primeira metade. Passei por isso pessoalmente em uma prova de direito administrativo e tive que rever três afirmativas minhas que eu tinha marcado sem conferência.

Em questões de informática, aparece muito a confusão entre hardware e software, ou entre memória interna e externa. O examinador coloca afirmativas bem escritas sobre processadores e aí espreme um detalhe errado sobre o tipo de memória RAM. Se você não estiver lendo com atenção plena, passa direto.

Quando o método não funciona

Este processo depende de você conhecer o conteúdo. Se a afirmativa envolve um tema que você nunca estudou, nenhuma técnica de leitura vai salvar. Nesse caso, a melhor estratégia é marcar a que parece mais razoável e seguir adiante. Gastar tempo tentando deduzir algo que você não sabe é jogar prova fora. Também há questões mal elaboradas, e elas existem. Já vi bancas que colocaram duas afirmativas aparentemente corretas e nenhuma alternativa que cobrisse ambas. Nesse cenário, a banca geralmente acaba anulando ou corrigindo pelo critério da mais abrangente. Fique atento a isso durante a prova, mas não fique preso. Marque, anote um sinalzinho e continue.

Treino recomendado

Resolva questões antigas no mesmo ritmo que a prova real. Não adianta fazer cinquenta questões por dia relaxado em casa e depois travar no tempo limitado do certame. Simule as condições: tempo cronometrado, sem celular, sem consulta ao celular. Anote quantas você erra por pressa e revise esses erros depois. É nesse revisão que você aprende de verdade onde sua leitura falha. Com prática consistente, o processo de ler afirmativas e avaliar cada uma leva de trinta segundos a um minuto por questão. Sem essa técnica, leva o dobro e com muito mais erro. A diferença não é inteligência. É metodologia aplicada com atenção.