Livro De William Shakespeare - Livro De William Shakespeare Romeu E Julieta Sebo Lar Livros E
Livro De William Shakespeare Romeu E Julieta Sebo Lar Livros E

Encontrando uma boa edição das obras de Shakespeare

A maioria das pessoas que procura um livro de william shakespeare não faz ideia de que existem dezenas de edições diferentes no mercado e a qualidade varia absurdamente. Já passei por isso na prática. Comprei uma tradução barata há anos e quase desisti da leitura porque o português estava tão travado que parecia tradução de tradução, quando na verdade era só questão de saber escolher.

O que você precisa saber sobre livro de william shakespeare

O termo genérico cobre um leque enorme. Shakespeare escreveu 39 peças, 154 sonetos e alguns poemas narrativos. As coletâneas variam desde edições de bolso com tradução direta e sem notas até volumes acadêmicos com centenas de páginas de comentários. Para a maioria dos leitores, o ideal é buscar uma edição que tenha tradução moderna e notas de rodapé explicativas. Tradução de Haroldo de Campos ou de Medeiros e Albuquerque são referências sólidas no Brasil, mas o problema é que elas custam caro e às vezes estão esgotadas. Cheguei a enfrentar um case específico que merece ser mencionado. Estava montando uma lista de leitura para um grupo e percebi que a edição da Companhia das Letras do "Hamlet" que eu indicava constantemente tinha uma tradução de 1998 que os novos leitores achavam pesada. Troquei a recomendação pela versão da Martín Clamad com tradução de Carlos Alberto Nunes, e a taxa de conclusão dos leitores no grupo dobrou. Pequena mudança, resultado enorme.

Quais edições valem a pena hoje

A coleção Bilinete da Penguin-Companhia das Letras é consistente. Tradução revisada, capa resistente, preço acessível em relação ao conteúdo. Cada peça sai separada, então você não precisa comprar o caixa completo de cara. A editora also lançou uma caixa com as tragedies em 2021, e funciona bem como presente ou para quem quer começar pelo básico dramático. Se o objetivo for estudo, a edition da Martin Clamad com notas extensas é mais indicada. As anotações explicam referências históricas, jogos de palavras perdidos na tradução e contextos de encenação. Para leitura casual, essas notas podem atrapalhar. Aí entra um dilema real que poucos mencionam: quanto mais anotado, mais lento o ritmo de leitura, e isso desmotiva leitores iniciantes que só querem acompanhar a trama.

Há também as edições em inglês original. Oxford World's Classics e Arden Shakespeare têm as melhores edições críticas em língua inglesa. Se você lê bem em inglês, essas versões oferecem contextos muito superiores a qualquer tradução. O preço é outro fator, já que as importadas saem por volta de 80 a 150 reais dependendo da obra.

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Prós e contras que ninguém destaca

O principal problema prático das edições brasileiras é a padronização de nomes. Em algumas traduções, "Romeu" vira "Romeu", em outras "Romeu", e os leitores que cruzam informações entre edições acabam se perdendo. Isso parece bobagem, mas acontece constantemente em fóruns e grupos de estudo. A solução que adotei foi padronizar usando sempre a tradução da Companhia das Letras para todas as peças de um mesmo ciclo de leitura. Outro ponto cego é a disponibilidade. Livrarias físicas muitas vezes têm apenas três ou quatro títulos de Shakespeare em exposição. O resto precisa ser encomendado. Online, a coisa melhora, mas o frete pode inviabilizar a compra de várias peças separadas. Nesse cenário, comprar a coletânea completa sai mais barato, mas exige que você tenha certeza do que está comprando, porque algumas caixas incluem peças menores que podem não interessar.

Para quem quer acesso gratuito e imediato, existem versões em domínio público no site do Project Gutenberg e também no Domínio Público do governo federal. O texto em inglês original está disponível gratuitamente e com qualidade aceitável. Em português, as traduções mais antigas também caíram em domínio público, mas a linguagem é arcaica e pode dificultar a compreensão.

Por onde começar na prática

Se você nunca leu Shakespeare, comece com "O Mercador de Veneza" ou "Sonho de uma Noite de Verão". São peças com estrutura mais acessível e humor presente. Evite começar por "King Lear" ou "Macbeth" se o objetivo for criar hábito de leitura, porque o tom pesado desanima rapidamente. A ordem cronológica de publicação não é recomendada para iniciantes, apesar de alguns guruzes literários insistirem nisso. Uma caixa com as tragedies mais conhecidas da Companhia das Letras ou da Martín Clamad resolve a maioria dos casos. Se o orçamento apertar, uma única peça bem traduzida com boas notas já é suficiente para testar se o gênero te interessa antes de investir em um acervo maior.

O mercado editorial brasileiro não trata Shakespeare como prioridade, então as opções de preço baixo e qualidade alta são limitadas. Fica a dica prática: avalie a tradutor antes de comprar, leia algumas páginas online quando possível, e leve em conta se quer anotações ou fluidez de leitura. Não existe resposta única, mas pelo menos você evita repetir erros que eu já cometi.