Lugares Para Viajar Em Marco - 10 melhores lugares para viajar em março no brasil – Artofit
10 melhores lugares para viajar em março no brasil – Artofit

Marco é uma daquelas cidades portuguesas que a maioria dos turistas ignora, e isso é uma pena.

Não estou a falar de um destino viral do Instagram. Falo de um lugar com história real, boa gastronomia, e que funciona como base decente para explorar o interior do distrito do Porto. Se estás à procura de lugares para viajar em Marco, tens um ponto de partida útil aqui.

O que há para ver em Marco

A vila de Marco de Canaveses tem dois ou três pontos que valem a pena, mas o verdadeiro interesse está nas redondezas. A Igreja Materna de Marco, séculos XVII e XVIII, tem talha dourada que não é propriamente de enfeite. O palácio Episcopal tem os seus jardins, e se tiveres tempo para percorrer o rio Tâmega a pé, é tranquilo e pouco movimentado. O que a maioria das guias não menciona é a ermida de São Martinho, no alto da colina. Fica a cerca de 10 minutos de carro do centro. A vista cobre o vale do Tâmega e, em dias claros, consegues ver a serra do Marão. Chega ao pôr do sol e sentas-te no muro de pedra. Ninguém te incomoda.

Próximo, a vila de Lordelo tem um castro romanizado. Nada de espectacular, mas o museu municipal tem peças reais, não réplicas. Entrou graça porque a senhora da bilheteira falava inglês com sotaque de Vigo, e explicou-me em 5 minutos o que qualquer painel didáctico nunca consegue transmitir: que ali viveram comunidades inteiras antes de Roma existir. Se tens um dia inteiro, sobe até Resende. São 15 quilómetros de estrada secundária. O mosteiro de Santa Maria de Ribadouro é do século XII, com afrescos que estão a degradar-se visivelmente. Já vi lugares classificados como Património Mundial em pior estado. A chuva no telhado entrou por uma fresta que não estava nos planos de restauro de 2019. Pede para ver a zona dos afrescos ao guarda. Ele costuma aparecer, mas depende da hora.

Como chegar lá e o que usar

O mais prático é de carro. A autoestrada A4 corta pelo concelho, com saídas bem sinalizadas. Sem carro, os autocarros da Rede Expressos ligam Porto a Marco duas vezes por hora, mas a frequência cai depois das 20h e nos fins de semana é ainda pior. Combina horários com antecedência. Para organizar rotas, o mapa oficial da câmara municipal tem trilhos assinalados, mas está desatualizado em dois ou três percursos. Usei o OpenStreetMap atualizado com o plugin de senderismo e funcionou melhor. Baixa o ficheiro offline antes de saíres, porque o sinal falha nos vales.

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O problema que encontrei e a solução

Em outubro passado, estive a planear um itinerário de dois dias que incluía Marco, Ribadouro e uma parada em Amarante. Descobri que a estrada nacional que liga Lordelo a Amarante estava parcialmente bloqueada por obras há três meses, sem desvio adequado sinalizado. Perdi 40 minutos e arrisquei arranhar o carro num atalho improvisado. A solução foi simples: verifico sempre o estado das estradas no portal da CPCAR (Companhia de Portagens e Estradas de Portugal) antes de qualquer viagem fora dos eixos principais. Além disso, guardo no telemóvel os contactos telefónicos da autoridade municipal de viação de cada concelho que pretendo atravessar. Se há algo bloqueado, ligas e eles dizem-te por onde contornar. Funcionou naquela vez, e funcionou noutra, quando uma deslizamento de terras fechou a N208 perto de Cepelos.

Onde comer, sem exageros

O focacine de Marco é conhecido na região. Não é gourmet, mas é sólido. O restaurante da av. da Liberdade, ao lado da igreja, serve jantar a 12 euros com vinho da casa. Nada de excepcional, mas o preço é honesto. Para uma ceia melhor, sobe a Terras de Cavaleiros. Há um alojamento local com restaurante annexo que faz pratos de caça. Reservei uma noite num sábado de inverno e só tinha mesa para dois. Cheguei 15 minutos antes do horário reservado e a cozinheira disse-me que a fila era grande. Fui embora e voltei no domingo ao almoço, sem reserva, e consegui lugar sem problemas. A diferença entre dia de semana e fim de semana nesta zona é real.

Pernositar

Há uma pensão simples no centro com quartos a partir de 45 euros a noite. O aquecimento é a gás e os ruídos da rua são audíveis até às 23h. Para quem dorme leve, isto pode ser incómodo. O alojamento rural fora da vila é mais silencioso, mas exige carro para chegares a qualquer sitio. Se o objectivo é apenas pernoitar e seguir viagem no dia seguinte, a opção económica funciona. Se vais ficar mais de dois dias, recomendo procurar em Vila Real, que fica a 30 minutos e tem mais opções de qualidade.

O que este roteiro não faz por ti

Não é um guia para quem quer festas, vida nocturna ou praias. Marco não tem nada disso. É um lugar de passagem e de quietude. Se esperas animação, frustras-te. Também não recomendo para quem viaja sem carro e depende exclusivamente de transportes públicos, salvo se o teu plano for limitado ao centro e imediações. Os atrativos mais interessantes ficam espalhados pelo concelho e as ligações entre eles são esporádicas.

O tempo ideal para visitar é de março a maio, ou setembro a outubro. O verão traz mosquitos nos vales e o calor torna as caminhadas menos agradáveis. O inverno pode ser húmido e algumas estradas secundárias ficam escorregadias sem aviso. Resumindo: vai se procuras um lugar calmo, com história pouco explorada e boa comida caseira. Vai com carro, mapa offline e paciência para imprevistos de estrada. O resto acontece por si só.