Mario Brothers 2 - Super mario brothers 2 hi-res stock photography and images - Alamy
Super mario brothers 2 hi-res stock photography and images - Alamy

O guia que eu gostaria de ter encontrado quando eu era criança

Super Mario Bros. 2, aquele que os americanos lançaram como o segundo jogo da franquia mas que na verdade era Doki Doki Panic com uma camada de Mario por cima. Se você cresceu jogando no NES e sentiu que esse título era completamente diferente dos outros, não é paranoia. É propósito.

mario brothers 2 e a curva de aprendizado injusta

O jogo mais subestimado da NES foi feito pela Nintendo America porque o mercado japonês tinha acabado de rejeitar Doki Doki Panic como muito difícil. Eles pegaram o mesmo código, trocaram os sprites por personagens do Mario e relançaram. O resultado foi um jogo que exige mecânicas completamente diferentes das que você já conhecia de SMB1 e SMB3. Você não mata inimigos pulando em cima deles. Na verdade, pular em cima da maioria deles te causa dano. A mecânica central é jogar vegetais. Puxar cenouras, berinjelas, cebolas do chão e arremessar nos oponentes. Parece simples até você entrar na World 2-4 e levar trintinha em cinco segundos.

Os vegetais têm pesos e comportamentos diferentes. Berinjelas voam reto e rápido. Cenouras fazem um arco. Cebolas são leves e flutuam. Mandioqui? Esse é pesado e destrói blocos especiais que só ele consegue quebrar. Aprender isso na marra custou umas dez horas minhas que eu poderia ter economizado.

Escolha de personagem e o erro mais comum

Muitos jogadores iniciantes escolhem Mario ou Luigi sem pensar duas vezes. Isso é um erro porque cada personagem tem stats específicos que mudam drasticamente como você enfrenta certas fases. Mario é balanceado. Luigi pula mais alto mas escorrega um pouco mais em plataformas. Toad corre rápido mas não alcança vegetais altos sem escalar. Peach voa quando segura o botão B no ar por um momento — essa habilidade de voo é essencial para atravessar certas seções sem morrer.

A versão original americana tem os quatro personagens disponíveis desde o início. A versão japonesa Doki Diko Panic tem nomes e aparências diferentes: Alter, Penguin, Roto e Ukyo. Se você quiser experimentar a versão original, precisa de um emulador ou de uma cópia importada. O comportamento do jogo é idêntico, mas os textos e diálogos são totalmente distintos.

Dica prática que ninguém conta

Existe uma mecânica quase secreta de empurrar inimigos contra paredes. Se você mirar um vegetal em um Goomba que está encostado na borda direita da tela, o Goomba vai ser empurrado para fora e somer. Isso vale pontos extras e limpa o caminho sem gastar munição de vegetais. Funciona com a maioria dos inimigos pequenos mas não com chefes. Outro detalhe que esquecem de mencionar: você pode coletar vegetais que já estão no chão sem precisar puxá-los primeiro. Basta caminar por cima. Isso economiza tempo precioso em fases cronometradas como a World 1-2 e a World 3-2.

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O caso dos tubarões voadores da World 4

A World 4 tem inimigos que parecem impossíveis de vencer no começo. São aqueles tubarões que voam em padrões previsíveis mas aparecem em grupos de quatro ou cinco. A tática que funcionou pra mim foi usar a Peach com o voo controlado para se posicionar acima deles e jogar cebolas de cima para baixo. As cebolas flutuam devagar mas cobrem uma área maior, então você acerta mais de um com um único arremesso. Se estiver usando Mario ou Luigi nessa fase, evite correr pelas plataformas baixas. Os inimigos aparecem em velocidade e você não tem tempo de reagir. Fique no alto e use o voo da Peach ou os saltos mais altos do Luigi para manter distância.

Download e onde jogar hoje

O jogo original de NES pode ser encontrado em várias coleções oficiais da Nintendo. A Super Mario All-Stars para SNES inclui uma versão com gráficos melhorados. A versão para Wii Virtual Console ainda aparece na eShop de alguns territórios. Para jogar de graça em casa, emuladores como FNES ou RetroArch com o ROM da versão americana (CRC32 8C9E4A4D) funcionam bem. Tem uma versão para Famicom em japonês chamada Doki Doki Panic que tem diferenças significativas nos nomes dos personagens e nos diálogos. Se você quiser a experiência completa, recomendo fazer pelo menos uma partida de cada versão. O jogo em si é idêntico mas o contexto cultural faz diferença.

Por que esse jogo é mais difícil do que parece

A dificuldade do Super Mario Bros. 2 não vem de plataforma complexa. Vem de dois fatores: a falta de prática porque pouca gente jogava esse título na época e a punição severa por errar mecânicas básicas. Quando você pisa em um Thwomp achando que pode pular em cima, perde uma vida. Quando você tenta atravessar uma ponte de tábuas que desliza e não corre rápido o suficiente, perde outra. O jogo te pune por Instintos que funcionavam perfeitamente em SMB1. Isso significa que qualquer jogador que veio apenas de SMB1 e SMB3 vai levar um choque. A curva é íngreme nas primeiras três worlds e depois melhora um pouco porque você já internalizou as mecânicas. Mas as últimas fases são brutalmente difíceis mesmo para quem já domina o jogo.

Eu levei cerca de 40 horas para terminar pela primeira vez em 2003. Na segunda tentativa, em 2010, completei em 12. Na terceira, já consegui speedrun abaixo de duas horas. A diferença foi puramente com os padrões dos inimigos e os atalhos secretos.

Atalhos secretos que valem a pena saber

Existe um atalho na World 1 que passa direto pela fase dos tubarões. Se você puxar uma cenoura específica atrás de uma parede invisível perto do final da fase, consegue abrir um caminho que corta quinze segundos da sua corrida. Não é grande coisa mas em speedruns isso faz diferença. Na World 3, tem uma sequência com Monty Mole que parece interminável. Se você usar a Peach e voar sobre os buracos em vez de tentar pular, ganha vários segundos preciosos. A maioria dos jogadores tenta pular e acaba caindo.

A World 4 tem um cofre escondido com uma chave que abre uma porta que leva diretamente ao chefe final. A chave está atrás de blocos quebráveis que só mandioqui pode destruir. Se você estiver usando Mario ou Luigi nessa fase, volta e troca de personagem. Perde dois minutos mas economiza dez minutos de luta contra inimigos desnecessários.

Conclusão honesta

Super Mario Bros. 2 é um jogo difícil, frustrante às vezes injusto, mas com profundidade suficiente para valer o esforço. Não é o melhor jogo da franquia mas é um dos mais únicos. Se você quer nostalgia, vá de SMB1. Se quer desafio real, esse aqui é o caminho. O único problema sério é que a disponibilidade original era péssima por décadas. Só agora com emuladores e relançamentos modernos que qualquer pessoa consegue experimentar. Antes disso, encontrar uma cópia original americana era praticamente impossível fora do Japão.